Agiota colombiano ameaçou homem um dia antes de policial militar atirar contra devedor em Fortaleza

PM teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Estadual. Estrangeiro é procurado pela Polícia

Dois policiais militares foram autuados por ações criminosas, na CGD, na última terça-feira (19)
Legenda: Dois policiais militares foram autuados por ações criminosas, na CGD, na última terça-feira (19)
Foto: Fabiane de Paula

Um agiota colombiano teria ameaçado um homem que o devia e que foi baleado por um policial militar, no bairro Praia do Futuro, em Fortaleza, um dia antes do crime, segundo a companheira da vítima. O soldado Jonas Deyweson Vieira da Costa foi preso em flagrante pela própria Polícia Militar do Ceará (PMCE) e já teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Estadual.

A juíza da 17ª Vara Criminal - Vara de Audiências de Custódia considerou, na última quinta-feira (21), que "a gravidade concreta do delito evidencia que a imposição isolada de medidas cautelares alternativas à prisão não serão suficientes para resguardar as vítimas e a ordem pública, razão pela qual é necessária e adequada a prisão preventiva".

O policial militar suspeito nega conhecer o suposto agiota colombiano e diz ter agido em legítima defesa. Segundo ele, em nota enviada por sua defesa neste sábado (23), o caso se deu quando trafegava em sua moto, de folga, e parou para que duas pessoas atravessassem a rua.

Ele diz ter percebido a situação como suspeita, ao identificar movimento de uma das pessoas como suposta menção de tirar algo da bermuda, e decidiu fazer uma abordagem policial. 

"Ao realizar a abordagem, no momento em que eu verbalizava com a pessoa em atitude suspeita, ela correu, não obedecendo a voz de parada", diz o texto da nota. Conforme o policial, uma arma teria caído durante a fuga. Ele afirma ter pedido à vítima para parar, mas essa não obedeceu. Foi quando efetuou um disparo, segundo o PM, na linha da cintura, por autodefesa.

No depoimento à Delegacia de Assuntos Internos (DAI), ele fez menção à suposta luta corporal. Disse que passava pelo local quando viu um homem com um volume dentro da roupa, o qual supôs ser uma arma de fogo, motivo pelo qual o abordou. Os dois homens teriam entrado em luta corporal e o suspeito teria sido baleado.

Segundo o policial, isso explica porque ele estava também na posse de duas armas de fogo.

O caso

Policiais militares do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) patrulhavam pela região da Praia do Futuro, na noite da última segunda (18), quando receberam uma denúncia de disparos de arma de fogo. A composição se deslocou para o local, encontrou um homem baleado, junto da companheira, que apontaram o autor do disparo.

Jonas Deyweson tentou fugir, mas foi detido. Com ele, foram apreendidas duas armas de fogo: uma pistola calibre Ponto 40 (funcional da Polícia Militar do Ceará) com 14 munições e uma pistola calibre 380, com nove munições. Ele foi autuado por tentativa de homicídio na Delegacia de Assuntos Internos, da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).

O suposto agiota colombiano é procurado pela polícia. Já o alvo dos tiros do policial militar era um homem que foi preso pelo mesmo CPRaio por tráfico de drogas, em junho de 2019. Na ocasião, os agentes de segurança encontraram cerca de 1,5 kg de maconha na residência do suspeito, no bairro Cais do Porto.

A companheira do homem baleado relatou à DAI que andava com ele quando foram surpreendidos por um motoqueiro, que logo atirou contra o companheiro dela. O homem caiu baleado e a mulher se colocou na frente para ele não ser assassinado. Neste momento, ele aproveitou para fugir.

Segundo a mulher, o companheiro tinha uma dívida antiga com um agiota colombiano, que já havia o ameaçado ao menos duas vezes: na casa dos pais do devedor e em uma festa, que aconteceu no último domingo (17), um dia antes da tentativa de homicídio.

Motocicleta do PM tinha placa coberta

A motocicleta em que estava o policial militar Jonas Deyweson Vieira da Costa estava com a placa traseira coberta por uma rede (utilizada em motos para prender algum objeto, como um capacete). Para os investigadores, o PM queria dificultar a identificação do veículo e dele, consequentemente.

Questionado na DAI sobre a ação, Jonas alegou que alguém deve ter feito aquela "brincadeira" na placa da motocicleta.

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