Produtores se organizam em cooperativa

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Diante do bom resultado advindo da organização dos pequenos cultivadores, a Campo está avaliando a possibilidade de também aproveitar o pedúnculo do caju, que tem um desperdício de mais 90% entre os agricultores
Foto: Manoel Lima

Marcus Peixoto
enviado a Ocara

Suprimir o atravessador da cadeia de comercialização foi uma árdua vitória para os produtores de castanha de caju no município de Ocara, a 90 quilômetros de Fortaleza. Há quatro anos, eles se organizaram numa cooperativa e hoje regulam o preço da safra.

A experiência em Ocara vem revelando as vantagens do cooperativismo, que tanto beneficia o agricultor quanto o industrial. A idéia de formar uma organização começou em 2000, quando cerca de 60 produtores resolveram dar um basta ao preço defasado da castanha “in natura” praticada em Ocara e localidades vizinhas..

Com uma parceria formada com o Sindicato dos Produtores de Caju (Sincaju), foi criada a Cooperativa Agropecuária Mista dos Produtores de Ocara (Campo). O presidente da entidade, Raimundo Lúcio Pereira, 57 anos, diz que o sucesso da iniciativa deve-se a dois fatores fundamentais. Primeiro, o de se pagar pelo produto o valor praticado no mercado. O segundo, o de oferecer uma castanha de qualidade para o industrial.

Atualmente, o produtor de castanha de caju “in natura” recebe R$ 1,40 por quilo. Antes da existência da cooperativa, esse valor oscilava entre R$ 1,00 e R$ 1,10. O fato mais espetacular, no entanto, foi o aumento da produção vendida, que em 2000 somou 35 toneladas. Em 2003, passou para 238 toneladas. Este ano, há uma comercialização de 100 toneladas, mas o grosso da safra ainda está por vir.

O dia-a-dia na sede da Campo, localizada na principal rua do município, é de intensa movimentação, tanto dos produtores descarregando as castanhas, quanto dos caminhões sendo carregados para se destinarem às indústrias de beneficiamento.

Aliás, Raimundo Lúcio garante que está muito próximo dos produtores obterem ainda mais lucro. A cooperativa vem-se empenhando para, até o final deste ano, iniciar os trabalhos de beneficiamento. O local já está definido: é uma fábrica que se encontra fechada e deverá atender à produção dos 60 cooperados.

Outra meta também a ser alcançada pela Campo concerne ao aproveitamento do pedúnculo do caju, que tem um desperdício de mais 90% entre os agricultores que comercializam apenas a castanha.

O principal efeito da Campo está sendo na possibilidade de se transformar num espelho de organização, a ponto de integrar todos os municípios produtores. Segundo o Sincaju, o trabalho exercido através da entidade tem sido objeto de visitas de produtores de outros municípios, os quais se interessam em implantar as práticas adotadas em Ocara.

“Na região, a Campo tem se revelado como modelo na prática da comercialização de castanha de caju, visto estar respeitando as exigências e padrões definidos pelas indústrias que atuam no setor, e, ainda a Cooperativa se preocupa em agregar valores que, anteriormente, eram repassados pelos intermediários”, diz o presidente do Sincaju, Paulo de Tarso Meyer Furtado.