Procissão reúne mais de 600 mil fiéis

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Foto: Thiago Gaspar

Em dia de festa para São Francisco, a multidão de fiéis faz do uso das vestes semelhantes ao do Santo sua homenagem principal. Em meio ao mar de cor marrom, os olhos ansiosos contavam os minutos para o momento mais esperado da Romaria de São Francisco das Chagas de Canindé. Ia começar a procissão de encerramento dos festejos. Marcada para às 17 horas do sábado, o cortejo finalmente sai às ruas às 17h30min. É hora, finalmente, dos milhares de fiéis, reunidos na Praça da Basílica, soltarem a forte emoção contida. Segundo previsão da Paróquia de São Francisco, eles passavam de 600 mil.

Ainda às 17 horas, todos os olhares se voltavam para o estreito portão gradeado que guardava o “Francisquinho”, imagem menor do Santo, a primeira chegada ao Santuário de São Francisco de Canindé no início do século passado. Na direção dele, vão os agradecimentos pelos pedidos atendidos e os tantos atos de louvor e penitência realizados ali. Reza a tradição que ninguém pode ver a decoração do andor até o momento que este sai em procissão. Pois eis que surge o “São Francisquinho” num andor rodeado de flores brancas e amarelas. Dentro de um pequeno coreto prateado estava a imagem. Repleto de lâmpadas e com uma cruz iluminada no alto, o andor ganhou mais brilho chegada a noite. As luzes destacavam o homenageado da festa.

Do ponto de concentração da procissão, na Praça da Basílica, os milhares de fiéis partiram seguindo a imagem pelas ruas Gervásio de Martins, Joaquim Magalhães, Posto Canindé, João Pinto Damasceno e retornando à Basílica. Durante cerca de uma hora e meia, os devotos mantinham a alegria para orar, cantar e erguer as mãos em exaltação ao Santo. Ali também era o importante momento da despedida ou do até logo a São Francisco, pois muitos garantiam voltar próximo ano. A devota da cidade de Caxias, Maranhão, Ana Maria Alcântara, vem há oito anos pagar sua promessa em Canindé. Há três ela enfrenta uma viagem de 12 horas de pau-de-arara, junto com o marido e o filho, hoje com 9 anos. “Sai mais barato para gente, né?”, explica o porquê da opção. O pau-de-arara sai de graça para família dela por causa de outro devoto de Caxias. Ele, conta Ana, paga a promessa de oferecer transporte de graça para outros fiéis de sua terra terem oportunidade de participar da Romaria de Canindé. Na palavra de Ana Maria, o sentimento semelhante ao das pessoas ali presentes. “A gente consegue uma palavra amiga que nos fortifica aí por mais um ano”. Também como maior parte dos fiéis, Ana e o marido vestem o marrom, no caso deles, durante todo o mês de outubro.

Para o padre Frei João Amilton dos Santos, que pela primeira vez coordenou a Romaria, fica o sentimento de satisfação. “Foi uma festa muito boa, sossegada. As pessoas assumiram suas tarefas por amor mesmo”. De acordo com a Paróquia, esta foi uma das festas mais tranqüilas dos últimos anos, sem registro de acidentes, assaltos ou outro tipo de violência.

Cristiane Vasconcelos
enviada a Canindé


"Foi uma beleza a participação dos fiéis. Sentimos a dedicação e devoção por parte deles, que tiveram uma atenção grande em levar uma mensagem boa daqui."
Frei João Amilton
Coordenador da Romaria de São Francisco das Chagas de Canindé

"Para mim, abaixo de Deus, a pessoa mais importante é São Francisco. A fé nele não é de agora, não. Vem de muito tempo. Já venho há 18 anos e enquanto São Francisco me conceder saúde pretendo voltar."
Maria Raimunda Cardoso
Romeira da cidade de Caxias, Maranhão.