Mercearia é antiquário popular
A loja do comerciante José Holmes Correia, em Barbalha, é especializada na venda de objetos que estão fora do mercado
Barbalha. Uma loja que vende tudo, até bainha para foice. Um antiquário popular especializado na venda de objetos que estão fora do mercado. É a “Poupança Barbalhense”, de propriedade de José Holmes Correia, localizada no centro comercial de Barbalha. Ali você encontra, por exemplo, a velha Carta de ABC, a antiga tabuada ou o dedal, instrumento usado pelas costureiras e alfaiates para não furar os dedos com a agulha. Também pode ser encontrado um velho tinteiro, do tempo do Império, que servia de depósito para tinta das velhas canetas ou penas.
Em meio à parafernália de objetos raros, devorados pelo tempo, estão também outras peças superadas pelo progresso, mas ainda procuradas pelos saudosistas, ou pessoas que preferem, por exemplo, a panela ou o prato de barro, sob o argumento de que comida, quando é cozinhada em objetos de barro, é mais gostosa.
Produtos
Para picada de cobra, José Holmes vende o “Específico Pessoa”, um fitoterápico criado pelo farmacêutico cearense José Torquato Pessoa, na cidade de Camocim, como preparado antiofídico, propriedade esta sempre posta em dúvida nos meios científicos.
Recentemente, entretanto, este produto adquiriu enorme notoriedade entre os químicos e farmacologistas de produtos naturais, pois foi descoberto, em sua composição, substâncias capazes de neutralizar fortes doses de veneno de cobra, pós incubação.
Estes produtos raros funcionam como propaganda de seu estabelecimento comercial. O freguês termina comprando outras mercadorias, diz o comerciante. Holmes ainda acrescenta que faz questão de ter de tudo, principalmente objetos sertanejos que foram engolidos pela modernidade.
Fregueses
Ele diz que um cliente veio comprar bainha para foice. Ao apresentar a mercadoria rara, José Holmes perguntou: “Para que é o senhor quer uma bainha para foice?”. O cliente respondeu com outra pergunta: “Por que o senhor vende bainha para foice?”. Outro cliente perguntou se ele tinha suspensório para cobra e ele respondeu: “Tenho, mas traga a cobra pra a gente tirar as medidas”, conta.
Estabelecido há 33 anos, Holmes nunca deixou de abrir a sua loja. Mesmo nos domingos e dias santos e feriados, ele está lá do outro lado do balcão de madeira, aguardando a freguesia. No último domingo, 27, dia de abertura da festa de Santo Antônio, quando o comércio é fechado, o velho comerciante, com 80 anos, não deixou de abrir o seu estabelecimento.
Cultura
A “Poupança Barbalhense” está integrada a cultura da cidade. Barbalha é o único município do Cariri que mantém casario do tempo colonial. Ali também foi implantado um reduto monarquista. Até os nomes das personalidades barbalhenses são diferentes. Rommel, Erikson, Inaldo, Hilário, Silton, Rotshinaide, Rildo, Heládio, Marciano, Lírio, Machet, Leão são alguns destes nomes que, segundo o médico historiador Napoleão Tavares Neves, foram inspirados nos generais da 2ª Guerra Mundial e nos vultos da história universal.
O nome José Holmes Correia é uma homenagem ao Sherlock Holmes, um personagem de ficção da literatura britânica, criado pelo médico e escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle. O comerciante comenta, orgulhoso, que o sobrenome Correia tem origem numa das mais tradicionais famílias do Cariri.
Mais informações:
Loja Poupança Barbalhense, de José Holmes Correia
Rua Neroly Filgueira, 230
Centro Comercial de Barbalha
(88) 3532-0497