Mercado de jóias de Juazeiro está em decadência

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Empresários e comerciantes do setor estão desanimados com a concorrência dos importados

Juazeiro do Norte. A dura concorrência com o mercado de importados dos produtos da China tem desanimado os empresários e comerciantes do setor de jóias e semijóias deste município. A batalha pela sobrevivência tem levado fabricantes a investirem em outros setores como forma de dar suporte ao mercado. Até mesmo os produtos importados. Isso tem levado a uma queda nas vendas de folheados do Cariri, sem falar na baixa qualidade, já que se torna difícil concorrer com mercadorias de baixo custo.

As exportações e vendas para o Sul do País sofreram quedas significativas. A comercialização para o mercado externo, hoje estrita a países da África do Sul e Estados Unidos, é pouco representativa. Chega a apenas 2%. O arroxo é, a cada ano, mais desalentador para os fabricantes. Nos últimos cinco anos fecharam cinco fábricas na cidade. Segundo o empresário Zacarias Silva, essa é uma das fases mais críticas que o setor tem atravessado. Ele está no ramo há mais de 20 anos.

Mas, diante das dificuldades, o comércio e fabricação de jóias e folheados em Juazeiro representa uma fatia significativa na economia local, algo em torno de 20%, conforme o empresário. Emprega mais de 6 mil pessoas, mas a incredulidade com a melhoria é geral. O comerciante Genivaldo Farias, filho de Geraldo Farias, um dos mais antigos comerciantes de jóias e folheados da cidade, afirma que o mercado está em franca decadência. Junto com o seu irmão, o administrador Geraldo Farias, dá continuidade ao negócio.

A loja dos Farias é um dos poucos espaços de Juazeiro que se dispõe a comercializar peças em ouro, mesmo em pequena escala. O procura é pouco significativa. O que salva mesmo são os folheados. “É difícil concorrer. As pessoas vão ao mercado central e compram material de baixa qualidade, a preços bem inferiores e isso acaba prejudicando a mercadoria que temos com preços um pouco mais alto, mas com uma qualidade indiscutivelmente melhor”, diz.

A alternativa de sobrevivência levou o empresário Zacarias Silva a investir no mercado de importados. As velhas mercadorias chinesas dividem o espaço com os folheados na loja de sua fábrica. Um preço que tem custado a sobrevivência. Enquanto os chineses recebem o salário equivalente a US$ 50, no Brasil são cerca de US$ 200. Uma realidade salarial e de oferta de mão-de-obra que torna impraticável a concorrência. Em troca disso, folheados de qualidade inferior. “Se trabalha mais, com maior produtividade e se ganha menos”, ressalta.

Atualmente, cerca de 35 fábricas de jóias e semijóias se mantêm em Juazeiro. São cerca de 100 oficineiros. A produção de peças em ouro fez com que se multiplicasse o número de profissionais do ramo na cidade. Peças produzidas artesanalmente. Um incentivo do Padre Cícero, que fez com que Juazeiro se tornasse uma referência nacional no comércio do ouro e, mais tarde, de folheados. O apogeu veio na década de 60. Gente de todo o Nordeste vinha comprar folheados em Juazeiro. Ainda acontece, mas numa proporção bem inferior.

Bons tempos

O comerciante Batista, há 22 anos no comércio de folheados, lembra do período, até o início dos anos 90, em que se utilizavam senhas para os compradores de outros estados. Ao chegar na rodoviária, eles tinham garantida a compra. Às 10 horas, o produto acabava. Todas as bijuterias do estoque eram comercializadas. Isso demonstrava a força de uma economia latente. Outro ponto para o enfraquecimento desse comércio foi a venda de porta em porta. Os grandes fabricantes subsidiam até mercadoria em ouro. Isso, antes, não acontecia. A necessidade de vir ao Cariri fazer compras para a revenda deixa de acontecer.

Juazeiro do Norte já foi o 5º

no ranking nacional de vendas e fabricação de jóias e semijóias. Hoje, ocupa a 6ª posição. Os fabricantes de São Paulo despontam. A cidade de Limeira ocupa o primeiro lugar nesse tipo de fabricação. As poucas perspectivas de ascensão do mercado de jóias e semi-jóias dificulta a participação em feiras e rodadas de negócios. Em meio a crise do folheado, uma nova alternativa surge.

Aço inox

Para Zacarias, o uso do aço inox na produção de novas peças poderá ser a chave da sobrevivência. Ele é um dos únicos no Cariri a investir nesse tipo de material, há cerca de dois anos e a procura tem aumentado.

Elizângela Santos
Repórter


Mais informações:

Associação dos Fabricantes de Jóias e SemiJóias de Juazeiro do Norte: (88) 3511.1986

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