Imagens são trocadas por réplicas em gesso

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Foto: Antônio Vicelmo

A maioria das imagens de santos padroeiros do Cariri, talhadas em madeira, foi importada da Europa. Algumas trazidas pelos frades capuchinhos que aqui chegaram no século XVII. Outras foram importadas pelos coronéis, barões e proprietários rurais que construíram seus impérios na sombra das capelas, sob a proteção do catolicismo. Porém, somente no século XX, com a criação da Diocese do Crato, em 1914, é que são criadas, oficialmente, as primeiras paróquias da região.

O Beato José Lourenço que, na década de 30, liderou uma comunidade religiosa no Sítio Caldeirão, mandou trazer da Europa, a peso de ouro, as imagens da pequena capela que ele construiu, no Caldeirão, entre as quais, a imagem de Santo Inácio de Loyola, padroeiro da localidade, que ainda hoje é mantida na capela.

Este acervo cultura e religioso que conta à história da região está exposto à ação dos ladrões que, de vez em quando, roubam imagens antigas das igrejas. A antiga imagem, esculpida em madeira, de Nossa Senhora Santana, padroeira de Santana do Cariri, foi roubada. Também desapareceram imagens da Igreja Matriz de Barbalha. Só não roubaram Santo Antônio, padroeiro da cidade, porque a estátua é grande, do tamanho natural.

Em Crato, o vigário da Sé Catedral, padre Edmilson Ferreira, encontrou uma formar de preservar as imagens de Nossa Senhora do Belo Amor, primeira padroeira do Crato, e Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade e da Diocese, substituindo essas imagens de madeira por uma réplica fabricada com gesso. As imagens antigas, que foram trazidas da Itália pelo frade capuchinho frei Carlos de Ferrara, fundador da cidade, estão guardas debaixo de sete chaves. Alem dessa preocupação, a igreja mantém vigilantes durante o dia.

Mesmo assim, os roubos não são evitados. “Eles levam até as lâmpadas que iluminam a igreja”, conta o padre, acrescentando que, recentemente, tentaram arrombar o cofre das espórtulas. O vigário não tem uma idéia do valor financeiro das imagens, mas tem consciência de sua importância para os colecionadores de objetos antigos.

As imagens carregam consigo crendices e lendas que estão enraizadas na cultura popular. O padre Antônio Vieira, autor do livro “O Jumento Nosso Irmão”, escreveu que a imagem de Nossa Senhora do Belo Amor, primeira padroeira da Vila Real do Crato, teria determinado o local onde foi construída a Igreja da Sé. A princípio, segundo o escritor cearense, a igreja seria construída no bairro do Seminário, para onde foi levada a imagem da santa. Entretanto, no dia seguinte, a imagem foi encontra nas margens do Rio Granjeiro. Este fato foi repetido diversas vezes. Seria um sinal de que a capela seria construída no local onde a santa foi encontrada, o que realmente aconteceu.

A mesma história é contada sobre a imagem de Santo Antônio, padroeiro da Capela de Missão Voa, primeiro templo católico do Cariri.

Antônio Vicelmo
sucursal Crato