Ibiapaba registra 969 casos do tipo tegumentar
A leishmaniose tegumentar americana, a chamada ‘ferida brava’, avança na região da Ibiapaba. Já estão notificados 969 casos, sendo 364 em Viçosa do Ceará, 233 em Ubajara, 144 em São Benedito, 109 em Ibiapina, 53 em Tianguá, 37 em Guaraciaba do Norte, 10 em Carnaubal e dois em Croatá. Trata-se de uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários do gênero leishmania, que acomete pele e mucosas (nariz, boca e garganta). Afeta primariamente os animais como cães, jumentos, gambás, cassacos e ratos-do-mato; e secundariamente o homem. O modo de transmissão habitual é através de picada de mosquitos que podem pertencer a várias espécies de flebotomíneos, também conhecidos como mosquito-palha, asa-dura e cangalinha. O mosquito ataca principalmente no inicio da manhã e no final da tarde. Geralmente, a ferida se caracteriza por úlcera com bordas elevadas e fundo ‘brilhoso’, vermelho-vivo, sendo na maioria lesões indolores.
Na Ibiapaba, chama a atenção o aumento do número de casos em Viçosa do Ceará. No ano passado foram registrados 57 casos de leishmaniose tegumentar e três casos de leishmaniose visceral. Em 2004, os números são considerados elevados: 364 casos de leishmaniose tegumentar e seis de leishmaniose visceral. A coordenadora de Endemias da Secretaria de Saúde do Município, enfermeira Gláucia Veras Dias da Cunha, explica que “a leishmaniose é uma doença endêmica, própria da região. Todo ano já se aguarda um determinado número de casos. Isto ocorre devido ao clima e às condições ambientais, matas, fauna e animais silvestres; a umidade do solo que favorece a proliferação do mosquito, que coloca os ovos em matéria orgânica”.
As localidades mais atingidas ficam no cinturão verde, nos sítios Buíra, Macagetuba, Brejo Grande, Buriti Grande, Croatá e São Paulo, dentre outros. Na sede, foi atingido o Bairro Catinguba e a Rua Pedra Lipes, no acesso para a Igreja do Céu.
“Temos 364 casos até 10 de dezembro. Numa população de cerca de 50 mil habitantes, a incidência é de 72,8 para cada 10 mil habitantes”, afirma a enfermeira Gláucia Cunha, acrescentando que a maior ocorrência de casos foi no mês de outubro, quando começou a suspeita de um surto, sendo intensificadas várias ações para reversão deste quadro. De imediato, foi feito um trabalho de comunicação verbal e oficial às autoridades, pedindo apoio técnico e logístico. As ações constam de captura do flebótomo, o mosquito transmissor, sendo identificadas oito espécies em laboratório.
A borrifação das residências e dos anexos como galinheiros e chiqueiros é uma constante no Município, com uma equipe de 23 agentes sanitaristas. Por outro lado, vem sendo efetuada a sorologia canina, com o registro de 120 animais sacrificados entre positivos em leishmaniose, capturados pela carrocinha e entregues pelos proprietários.
Gláucia Cunha explica que todas as equipes do Programa Saúde da Família (PSF) foram capacitadas para o diagnóstico e prescrição do tratamento, que tem início no Hospital Municipal com um eletrocardiograma, para avaliação cardiológica do paciente. “O medicamento Glucantime é tóxico para o coração. É necessário este monitoramento antes, durante e após o tratamento, principalmente em pessoas idosas. O medicamento é fornecido pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Estado”, destaca Gláucia, enfatizando que cada paciente faz 20 dias de tratamento e que a quantidade de medicação depende do peso. Em média, o adulto precisa de 40 ampolas com duas aplicações diárias; e as crianças, 20 ampolas com uma aplicação. As primeiras doses são diluídas em soro e as seguintes são puras.
A Secretaria de Saúde do Município é responsável pela entrega do medicamento, o que é feito nos horários de 7h30min às 12 horas e de 13 às 16h30min. Até a última sexta-feira o estoque era de 1.530 ampolas. Quando há necessidade de reposição, é feita a solicitação para a 13ª Célula Regional de Saúde, que tem sede em Tianguá.
“Importante ressaltar que o tratamento inicia no hospital, mas depois as pessoas são atendidas nas diversas unidades do PSF, nos locais onde residem. Hoje, já observamos a diminuição da ocorrência de casos, devido às ações que são realizadas durante todo o ano e agora intensificadas”, coloca Gláucia Cunha.
F. Edilson Silva
sucursal Sobral