Erosão compromete açude

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As chuvas causam apreensão às comunidades do Interior do Estado. Açude ameaça arrombar em Sobral

Sobral. Desde que foi inaugurado, em novembro de 2006, essa é a primeira vez que o Açude Boqueirão sangra, por isso ninguém conhecia ainda as conseqüências desse fato. Agora, a comunidade que vive no entorno desse distrito de Sobral, e moradores da Sede, estão apreensivos com a erosão crescente no corredor que recebe o volume da água do sangradouro do açude.

De acordo com o lavrador, José Maria Liberato, das 17 horas da quarta-feira, até 8 horas da manhã de quinta-feira (ontem), mais de 50 metros de parede já caíram e, a cada minuto, se aproxima mais da saída da água do açude. “O chão não tem piçarra, não tem pedra, é só barro. E a erosão tá se aproximando da cachoeira. O medo é que chova mais e a força aumente, porque, quanto mais água, mais rápido os blocos de barro vão caindo. Do jeito que vai, o açude pode terminar arrombando pelo sangradouro. Se isso acontecer, o estrago é feio”, disse José Maria.

Lonas de contenção

Como medida paliativa para o problema, outro agricultor, Antônio Liberato Sobrinho, diz que a solução mais rápida seria a colocação de lonas para conter a queda dos barrancos.

“Se fixasse umas lona por dentro da parede de alvenaria e deixasse descer, quando chegasse no final, parava a erosão. Colocar pedra não dá mais tempo. A gente sempre avisou que, com inverno fraco, ele não enchia, mas, se aparecesse um inverno grande, ia dar problema. Veja que tem o outro açude que pega a água daqui, o Mucambinho. Se chegar lá, arromba e tá arriscado invadir a área da fábrica de cimento (do grupo Votorantim), que fica na beira do rio”, alerta.

A respeito dos boatos de que haveria rachaduras na parede do açude, seu Antonio Liberato relata. “Ano passado funcionários da fábrica de cimento vieram aqui por causa das rachaduras na parede do açude. Mas depois veio a Prefeitura com uma máquina e ajeitou. Hoje, o perigo é a sangria. Causa muito prejuízo”, conta.

Até o fechamento desta edição, o Diário do Nordeste tentou falar com o secretário de Infra-Estrutura de Sobral, Irismar de Azevedo Filho, por telefone, mas foi informado de que ele estaria em reunião.

Já na sede de Sobral, com a subida das águas na Margem Esquerda do Rio Acaraú, foram retiradas todas as obras do acervo do Museu Madi. Já o pier (estrutura suspensa flutuante) foi rebaixado para evitar que seja carregado pela força das águas.

“Falta pouco para as águas lavarem o Parque. Por isso, as obras do Madi, que estão avaliadas em R$ 1 milhão, já foram retiradas na quarta-feira. Os ancoradouros do trapiche (pier), que são flutuantes, estão sendo cheios de água para que fiquem abaixo do nível e tenham mais estabilidade. Mas as pessoas não precisam se assustar. Tudo isso são medidas de prevenção”, explicou o secretário de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Antônio Carlos Campelo Costa.

Até ontem, a situação no município de Crateús estava mais tranqüila, mas, de acordo com o chefe de gabinete, Wanks de França, há possibilidade de que a cidade volte a ser inundada pelas águas das chuvas. “O que causou as cheias na cidade foram os sangramentos dos açudes Jaburu II e Carnaubal. Mas, atrás desse último, temos um ainda maior, o Açude Flor do Campo, que pode sangrar até domingo e causar novas inundações. Temos em Crateús cerca de cinco mil pessoas afetadas e, na zona rural, todas as lavouras foram dizimadas”, disse Wanks.

No município de Graça, distante 320 quilômetros de Fortaleza, depois de, praticamente, nove dias ininterruptos de chuvas, parte da parede da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Graças não resistiu e desabou com a força das águas.

Rachaduras na BR

As chuvas que continuam caindo no município de Icó, está preocupando a Policia Rodoviária Federal. A BR-116, no km-383, há rachaduras e está cedendo, na medida que os veículos passam. O inspetor chefe da 5ª Delegacia da PRF de Icó, João Miceno, esteve no local e constatou o problema. Por baixo da referida BR, corre um bueiro, o que pode contribuir para a formação das rachaduras, devido ao volume elevado das águas das chuvas.

No Cariri, com a sangria do Thomaz Osterne, duas escolas fecharam no distrito de Ponta da Serra, a 20km da sede do Crato, prejudicando 300 alunos. Não há previsão para retorno às aulas. Também foram suspensas todas as missas da paróquia de São José, que abrange 30 comunidades.

No município de Tarrafas, pelo terceiro dia consecutivo e pela segunda vez no ano em menos de seis dias, o acesso pela rodovia está totalmente interditado pelas águas do Rio Bastiões, que corta o município e passa muito próximo a cidade, quanto a plantação de milho e feijão a perca é em torno já de 60%. O nível do Rio continua subindo e não pára de chover nessa região.

Mais informações:
Coordenadoria da Defesa Civil do Estado (Cedec)
(85) 3101.4619/ 3101.4620
Central de Atendimento: 199
defesa.civil@sas.ce.gov.br

RESERVATÓRIOS CHEIOS

Aumenta risco de morte por afogamento

Iguatu. As águas novas que inundam cidades e áreas rurais são um convite para o lazer nos rios que estão cheios e nos açudes que sangram, no Interior do Ceará. Nos últimos dias, aumentou a freqüência nos balneários, barragens e rios. O despreparo dos banhistas traz resultados desagradáveis. Somente na região Centro-Sul, a 1ª Seção de Combate a Incêndios do Corpo de Bombeiros registrou nos últimos 13 dias, cinco vítimas fatais de afogamento de banhistas.

O comandante do 4º Grupamento de Bombeiros, que inclui as seções de Iguatu, Limoeiro do Norte e Quixeramobim, major Francisco Ronald Silva de Freitas, disse estar preocupado. “É um número elevado apenas para uma região”, observou. “Fico temendo a ocorrência de novas vítimas nos próximos fins de semana porque os rios e açudes estão atraindo cada vez mais banhistas”, faz o alerta.

De acordo com informações da Diretoria de Operações da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), na manhã de ontem, a reserva hídrica dos açudes no Ceará estava com um índice médio de 67% e 49 açudes estavam sangrando em todo o Estado. A cada dia aumenta o número de reservatórios que transbordam a capacidade máxima.

Até ontem, pela manhã, os Bombeiros, no Ceará, não registraram mortes por afogamento em decorrência direta de inundações, isto é, de pessoas que tentavam fugir das cheias de rios e açudes. A Secretaria de Segurança Pública ainda não dispõe de informação centralizada do número de vítimas de afogamento dos últimos 15 dias, quando começou o período das inundações.

Uma verdadeira mostra dos riscos que os banhistas assumem nesse período do ano está na disputa entre os jovens da cidade de Icó. A cheia do Rio Salgado atrai os moradores e aqueles que desafiam altura e a força da correnteza. O jogo é saltar seguidas vezes do arco da ponte Piquet Carneiro numa altura média de 12 metros.

Há pulos com cambalhotas, de costas, salto mortal, que consiste em dar uma volta completa no ar e entrar na água de ponta-cabeça, dentre outras modalidades que os jovens criam desafiando a vida.

O risco também se repete a partir do arco da ponte ferroviária sobre o Rio Jaguaribe na cidade de Iguatu, numa altura de pelo menos 15 metros. Crianças e adolescentes enfrentam o risco de morte, mas o perigo é iminente. Os saltos atraem a atenção dos moradores, incentivando os pulos.

Muitas vezes, os saltos trazem resultados trágicos. Foi o que aconteceu com o jovem Maikon Pereira Alves, 18 anos, que morreu afogado após pular da ponte metálica sobre o Rio Jaguaribe, em Iguatu, no último dia 21 de março. Foi a primeira vítima fatal na região. No domingo passado, houve registro de outras duas vítimas afogadas, na barragem dos Padres, em Jucás. Antônio Wilson Aguiar de 18 anos, e Francisco Juvêncio Silva, 40 anos, cujo corpo foi localizado somente, ontem, pela manhã, no Rio Jaguaribe, Sítio Quixoá, distante 30 km do local do afogamento. Os Bombeiros registram mais três vítimas em Várzea Alegre, Quixelô e Madalena.

Chuvas no Ceará

Cidade - mm

Pereiro 142
Aracati 111.6
Iracema 104
Fortaleza 93
Milhã 92
Jaguaretama 89.2
Jaguaruana 81
Tauá 81
Alto Santo 79.6
Caridade 70
S. João do Jaguaribe 66.5
Qixeramobim 66
Pentecoste 61
Arneiroz 61
Ererê 58
Aurora 56.7
Dep. Irapuan Pinheiro 55
Coreaú 55
Madalena 54
Mombaça 54
Icapuí 53
Itapipoca 51
Fortim 50
Banabuiú 49.2
Itaiçaba 48.5
Miraíma 48.3
Maranguape 47
Mauriti 46
Jati 45
Croatá 43.4
Pires Ferreira 42.5
Uruoca 42
Tabuleiro do Norte 41.4
Mucambo 40
Barro 38.4
Arneiroz 37

Mais informações:
Corpo de Bombeiros do Ceará
(85) 3101.2211
1ª Seção de Combate a Incêndios de Iguatu
(88) 3581.9133