Educação Infantil: retorno às aulas gera impasse no interior

No domingo (20), o governador do Ceará autorizou o retorno gradativo às aulas presenciais nas regiões de Saúde Norte, Litoral Leste e Jaguaribe e Sertão Central. O texto é válido para a educação infantil de escolas privadas

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Legenda: O retorno das aulas da rede pública e demais séries seguem em avaliação pelo Comitê Científico do Estado
Foto: Natinho Rodrigues

Os municípios das macrorregiões Norte, Sertão Central, Litoral Leste e Jaguaribe entrarão, a partir de 1º de outubro, na etapa de transição da retomada das aulas presenciais. A medida vale para educação infantil nas escolas privadas, com capacidade limitada a 30% de alunos, segundo texto publicado no Diário Oficial do Estado, no domingo (20).

A possibilidade legal de retomada, no entanto, encontra resistência. A presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), Sayonara Moura, teme que o retorno das aulas, mesmo que de forma parcial, em outubro, possa fazer com que o número de casos suba novamente.

"O vírus ainda está circulando e precisamos redobrar os cuidados. É preciso discutir a fundo essa questão", aponta. O presidente do Sindicato dos Professores de Iguatu, Pablo Campos, segue na mesma linha. "Não há possibilidade nenhuma de retorno às aulas, pois a pandemia não acabou e falta estrutura para as unidades escolares".

O diretor pedagógico de uma escola particular na cidade, Flávio Assunção, também concorda. "As escolas privadas fizeram uma enquete e 75% dos pais são contrários à volta das aulas presenciais. A ampla maioria está insegura".

O comerciário Cláudio Gomes, engrossa a enquete acima. Até o fim deste ano, segundo ele, os dois filhos - um da educação infantil e outro do ensino fundamental I, não retornam à sala de aula. "A ida deles é um risco, inclusive para os avós", observou.

Contudo, para a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe), Andréa Nogueira, as unidades do interior já têm condições de retomar as atividades presenciais. Segundo ponderou, os associados à entidade participaram de reuniões e treinamentos para a implementação de protocolos sanitários nas escolas.

"A rede privada no interior tem condição de fazer a retomada das atividades presenciais com responsabilidade, como está acontecendo na Capital. Os associados estão sabendo o que é necessário para a retomadas das aulas presenciais, sabendo o que consta no protocolo", ressaltou.

Pandemia

No sábado (19), o governador Camilo Santana (PT) já havia adiantado a decisão, em publicação nas redes sociais. "Informo as definições sobre o retorno de aulas presenciais de algumas séries escolares, a partir de 1° de outubro. Deverá ser feito de forma gradual e responsável". As instituições deverão oferecer a opção de ensino presencial ou remoto.

No retorno, as escolas terão que cumprir medidas sanitárias e realizar testes nos profissionais, seguindo os protocolos de saúde recomendados.

Em caso de confirmação para a doença entre alunos ou profissionais, a escola pode ficar até 14 dias fechada. O processo de reabertura fica a critério das prefeituras e instituições de ensino privadas. A retomada segue indicadores de saúde do Estado, que aponta uma melhora na situação dessas regiões.

Segundo a plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará, a maior redução no número de novos casos no intervalo de 15 dias (entre 7 e 21 de setembro) aconteceu no Sertão Central (78%), seguido pelo Litoral Leste e Jaguaribe (74%) e Norte (71%). A comparação se dá em relação ao intervalo anterior, de 23 de agosto a 6 de setembro. As menores reduções para o período aconteceram em Fortaleza (46%) e no Cariri (64%).

Retorno

O médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ivo Castelo Branco, entende que a pandemia modificou relações de trabalho, de vida e que o ano letivo não pode ter mais um calendário fixo como anteriormente. Para tal, o decreto do Governo traz uma planilha para ajudar pais e responsáveis a decidirem mandar ou não as crianças para a escola. "As aulas vão depender da evolução da pandemia e surgimento de uma vacina", disse.

Sobre a decisão do Governo do Estado, o presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), Nilson Diniz, informou que a entidade irá se manifestar apenas após audiência com o governador. "Já pedimos reunião desde a semana passada para analisarmos esse assunto, que nos traz grande preocupação", pontuou. Por meio de nota, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) também comunicou que vai falar com a imprensa depois de reunir-se com o gestor.

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