Demanda por saúde apresenta contraste
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Redação
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Enquanto no Hospital Ana Lima sobram vagas, em outras duas grandes unidades o atendimento excede a capacidade
Maracanaú. A cena é inusitada. No Hospital Ana Lima, conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), poucos pacientes aguardam atendimento. A própria direção da unidade, ligada à Fundação Ana Lima e à Rede HapVida, reconhece que o atendimento gratuito é abaixo da capacidade. Já no Hospital Municipal de Maracanaú, mesmo depois do meio-dia, é possível ver uma emergência lotada. A cena de pacientes acomodados em macas nos corredores pode ser vista com freqüência. Na Associação Médica Beneficente de Pajuçara (Abemp), com 95% da área destinada ao SUS, a quantidade de atendimentos também supera a capacidade de atendimento.
Essas duas realidades se materializam na opinião da população. Para o madeireiro Francisco Abel Soarez, que se preparava para se submeter à cirurgia no tórax na Abemp, a rede municipal de saúde de Maracanaú é satisfatória. “Sempre sou atendido normalmente”, testemunha. Já a doméstica Rosalva Duarte da Silva costuma ir ao Hospital Municipal, mas na semana passada foi pela primeira vez à Abemp. “O atendimento demora muito, está horrível”, considera.
Localização problemática
Sobre a situação do Ana Lima, o secretário municipal de Saúde, Édson Evangelista, acredita que o problema está na posição geográfica da unidade, situada no Distrito Industrial de Maracanaú, onde predominam as fábricas. Ele também acredita que falta divulgação por parte da diretoria da unidade: “Eles me pedem para divulgar que atendem pelo SUS, mas como gestor público eu tenho que convocar a população para o Hospital Municipal”.
Respondendo pela direção do Ana Lima, a assistente social, Cynthia Danielli Maia, não soube identificar o motivo da baixa procura, mas considerou o fato de o hospital ser de baixa complexidade. Pelo SUS, a unidade atende apenas as áreas de obstetrícia e clínica primária, realizando cirurgias gerais, vasculares e ginecológicas.
Para a diretora-geral do Hospital Municipal, Vanda Campos, alguns fatores explicam a longa espera reclamada por pacientes na emergência: “Nessa época de inverno, aumentam as viroses e os casos de dengue”. Além disso, ela considera que há pacientes que buscam o hospital para casos que poderiam ser resolvidos em um dos 24 postos de saúde municipais. Em média, o setor de urgência da unidade faz de 600 a 700 atendimentos por dia.
Mesmo assim, Vanda ressalta que, desde 2005, os atendimentos primários têm diminuído, devido à melhora na cobertura das 51 equipes do Programa de Saúde da Família (PSF). Conforme a diretora, isso tem provocado uma maior demanda nas 21 especialidades médicas da unidade. Além disso, o Municipal realiza 97 tipos de exames médicos.
Inauguração
Hoje, ocorre a inauguração da unidade de traumatologia do estabelecimento, que vai atender a casos de fraturas fechadas, entorses e luxações. Segundo Vanda Campos, desde 2005, o hospital tem melhorado a qualidade do serviço oferecido, aumentado a quantidade de atendimentos e reduzido gradativamente as transferências para Fortaleza.
O Abemp atende nas áreas de traumotologia, ginecologia e obstetrícia. A diretora-financeira da unidade, Leila Rosado Maria, e o chefe das contas médicas, Antônio Nilton Ribeiro, estimam que o total de atendimentos supera o ideal em 30% por mês. Ambos consideram que o hospital carece de mais recursos financeiros para remunerar melhor os médicos.
Sobre isso, o secretário de Saúde afirmou que a situação será analisada. Sobre a lotação no Hospital Municipal, Evangelista anunciou que, neste mês, a Prefeitura de Maracanaú publicará edital de concurso público para contratação de médicos exclusivamente para o setor de urgência da unidade.
ÍCARO JOATHAN
Especial para o Regional
Mais informações:
Hospital Municipal de Maracanaú:
(85) 3521.5500
Abemp: (85) 3215.3120 / 3133
Hospital Ana Lima / Hap Vida:
(85) 3255.9090
Maracanaú. A cena é inusitada. No Hospital Ana Lima, conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), poucos pacientes aguardam atendimento. A própria direção da unidade, ligada à Fundação Ana Lima e à Rede HapVida, reconhece que o atendimento gratuito é abaixo da capacidade. Já no Hospital Municipal de Maracanaú, mesmo depois do meio-dia, é possível ver uma emergência lotada. A cena de pacientes acomodados em macas nos corredores pode ser vista com freqüência. Na Associação Médica Beneficente de Pajuçara (Abemp), com 95% da área destinada ao SUS, a quantidade de atendimentos também supera a capacidade de atendimento.
Essas duas realidades se materializam na opinião da população. Para o madeireiro Francisco Abel Soarez, que se preparava para se submeter à cirurgia no tórax na Abemp, a rede municipal de saúde de Maracanaú é satisfatória. “Sempre sou atendido normalmente”, testemunha. Já a doméstica Rosalva Duarte da Silva costuma ir ao Hospital Municipal, mas na semana passada foi pela primeira vez à Abemp. “O atendimento demora muito, está horrível”, considera.
Localização problemática
Sobre a situação do Ana Lima, o secretário municipal de Saúde, Édson Evangelista, acredita que o problema está na posição geográfica da unidade, situada no Distrito Industrial de Maracanaú, onde predominam as fábricas. Ele também acredita que falta divulgação por parte da diretoria da unidade: “Eles me pedem para divulgar que atendem pelo SUS, mas como gestor público eu tenho que convocar a população para o Hospital Municipal”.
Respondendo pela direção do Ana Lima, a assistente social, Cynthia Danielli Maia, não soube identificar o motivo da baixa procura, mas considerou o fato de o hospital ser de baixa complexidade. Pelo SUS, a unidade atende apenas as áreas de obstetrícia e clínica primária, realizando cirurgias gerais, vasculares e ginecológicas.
Para a diretora-geral do Hospital Municipal, Vanda Campos, alguns fatores explicam a longa espera reclamada por pacientes na emergência: “Nessa época de inverno, aumentam as viroses e os casos de dengue”. Além disso, ela considera que há pacientes que buscam o hospital para casos que poderiam ser resolvidos em um dos 24 postos de saúde municipais. Em média, o setor de urgência da unidade faz de 600 a 700 atendimentos por dia.
Mesmo assim, Vanda ressalta que, desde 2005, os atendimentos primários têm diminuído, devido à melhora na cobertura das 51 equipes do Programa de Saúde da Família (PSF). Conforme a diretora, isso tem provocado uma maior demanda nas 21 especialidades médicas da unidade. Além disso, o Municipal realiza 97 tipos de exames médicos.
Inauguração
Hoje, ocorre a inauguração da unidade de traumatologia do estabelecimento, que vai atender a casos de fraturas fechadas, entorses e luxações. Segundo Vanda Campos, desde 2005, o hospital tem melhorado a qualidade do serviço oferecido, aumentado a quantidade de atendimentos e reduzido gradativamente as transferências para Fortaleza.
O Abemp atende nas áreas de traumotologia, ginecologia e obstetrícia. A diretora-financeira da unidade, Leila Rosado Maria, e o chefe das contas médicas, Antônio Nilton Ribeiro, estimam que o total de atendimentos supera o ideal em 30% por mês. Ambos consideram que o hospital carece de mais recursos financeiros para remunerar melhor os médicos.
Sobre isso, o secretário de Saúde afirmou que a situação será analisada. Sobre a lotação no Hospital Municipal, Evangelista anunciou que, neste mês, a Prefeitura de Maracanaú publicará edital de concurso público para contratação de médicos exclusivamente para o setor de urgência da unidade.
ÍCARO JOATHAN
Especial para o Regional
Mais informações:
Hospital Municipal de Maracanaú:
(85) 3521.5500
Abemp: (85) 3215.3120 / 3133
Hospital Ana Lima / Hap Vida:
(85) 3255.9090