Crianças carentes ganham padrinhos

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Redação producaodiario@svm.com.br
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Foto: Antônio Vicelmo
Crato (Sucursal) — A Sociedade de Apoio à Família Carente (Soafamc) realiza a Semana do Padrinho. O evento tem como objetivo divulgar e reconhecer o apadrinhamento de 1300 crianças carentes dos bairros São Miguel, Muriti e parte do Pinto Madeira. São cerca de 800 padrinhos espalhados em 11 países: Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Dinamarca, Inglaterra, Suécia, França e Taiwan. As comemorações foram abertas com a presença da banda de música municipal. O apadrinhamento gera uma arrecadação mensal de quase R$ 30 mil. Cada padrinho contribui com R$ 37,00 por mês. Essa pequena contribuição, segundo Socorro Brito Ferreira, coordenadora do projeto, está mudando o perfil das crianças carentes do bairro.

Fundada em 1985 pelo Padre José Honor de Brito, hoje Monsenhor, com o objetivo de atender às crianças carentes do bairro, a Sociedade de Apoio a Família Carente se constitui hoje na maior Organização Não Governamental (ONG), do Crato, no atendimento a crianças e adolescentes, oferecendo oportunidade de interação e construção de sua identidade sociocultural e educacional, fundamentadas nos valores essenciais para o exercício da cidadania e melhoria na qualidade de vida das pessoas assistidas.

A idéia do monsenhor José Honor de Brito era promover a família de baixa renda com ações nas áreas de educação, saúde, e nutrição, dentro da concepção de que evangelizar é cuidar do corpo e da alma. O ponto de partida para ampliação do trabalho assistencial foi o internamento de uma criança desnutrida na Creche São Miguel, que funciona nos fundos da igreja do bairro. Tomando como base um grupo de 500 crianças foi constatada, em 1996, uma desnutrição de 36,80%. Em 2003, a desnutrição caiu para 10%. Para operacionalizar o trabalho, o vigário solicitou o apoio do Fundo Criança, através do sistema de apadrinhamento.

Hoje , o trabalho é estendido também às famílias carentes, envolvendo as comunidades dos bairros Muriti, São Miguel e parte do Pinto Madeira, num trabalho social com crianças de 2 a 17 anos, cujas famílias são parte do planejamento, por meio de diálogos, debates, tomada de decisões e compromisso com a realidade local para uma futura transformação que gere qualidade de vida, justifica Socorro Brito. Concretamente, isto significa, por um lado, que crianças e adolescentes devem ser os primeiros a receber proteção e socorro e os primeiros a serem atendidos nos serviços públicos. Por outro lado, significa também que devem receber atenção privilegiada dos formuladores e executores de políticas públicas, e que as políticas nesta área devem ser as principais destinatárias de recursos.

“O exercício dos direitos culturais está fortemente relacionado ao direito à educação”, diz Socorro, acrescentando que o desenvolvimento de oficinas culturais e cursos de música, teatro e artes plásticas dirigidas para crianças e adolescentes carentes, principalmente envolvendo profissionais da educação nestas atividades, ajuda a formar jovens comprometidos com a ética e a cidadania. Está sendo desenvolvido também o projeto Vita-Flora que consiste na manipulação de medicamentos com ervas medicinais.