Chuva no Ceará fica mais de 10% abaixo da média na quadra chuvosa; nível dos açudes é de alerta

O volume médio dos reservatórios cearenses é de 30%, inferior ao índice verificado em igual período do ano passado

Nesta última década, apenas em três anos a quadra chuvosa teve pluviometria acima da média: 2020 (728.6 mm), 2019 (671.9 mm) e 2011 (652.5 mm)
Legenda: Nesta última década, apenas em três anos a quadra chuvosa teve pluviometria acima da média: 2020 (728.6 mm), 2019 (671.9 mm) e 2011 (652.5 mm)
Foto: Fabiane de Paula

A quadra chuvosa deste ano – período correspondido entre os meses de fevereiro a maio –  teve precipitações abaixo da média, no Ceará. Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), choveu o acumulado de 533.7 milímetros. Os dados são parciais e podem sofrer atualização. O volume é 11,2% menor que a normal climatológica para o período (600.7 mm).

Nesta última década, apenas em três anos a quadra chuvosa teve pluviometria acima da média: 2020 (728.6 mm), 2019 (671.9 mm) e 2011 (652.5 mm). Neste intervalo, o ano com menor volume de chuva, ainda conforme a Funceme, foi 2016 (317 mm).  

Apesar de o volume de chuva ser inferior à normal climatológica para o quadrimestre (600.7 mm), o acumulado está na margem que a Funceme considera ser "em torno da média". Segundo o órgão, volumes superiores a 695.8 milímetros são considerados “acima da média”.

Já quando o acumulado pluviométrico fica entre 505.6 mm e 695.8 mm, o quadrimestre pode ser analisado como “em torno da média”. Quando o observado é menor que 505.6 mm, considera-se que a quadra chuvosa foi “abaixo da média”.

O Diário do Nordeste entrou em contato com a Funceme para esclarecer a diferença entre média absoluta (600.7) e intervalo (505.6 mm a 695.8 mm) da quadra chuvosa, no entanto, o órgão disse que essa e outras questões serão abordadas na coletiva de imprensa a ser realizada na próxima quarta-feira (2).

Dentre os quatro meses da quadra chuvosa, o que registrou maior volume acumulado foi março (188.6 mm) e o menor, seguindo o padrão histórico, maio (95.9 mm). Confira os índices de cada mês:

  • Fevereiro: choveu 125.9 mm (6,2% acima da média que é 118.6 mm)
  • Março: choveu 188.6 mm (7,3% abaixo da média que é 204.4 mm)
  • Abril: choveu 125.1 mm (33,5% abaixo da média que é 188 mm)
  • Maio: choveu 95.9 mm (5,9% acima da média que é 90.6 mm)

Legenda: A região do Cariri (foto) foi a única que encerrou a quadra chuvosa com volumes acima da média
Foto: Antonio Rodrigues

Distribuição

Das oito macrorregiões do Estado, apenas o Cariri teve acumulado acima da média. Choveu 623.3 milímetros, enquanto a normal para o quadrimestre na região é de 616.6 mm – variação positiva de 1,1%.

No Maciço de Baturité, o acumulado até agora é de 682.1 mm, o que representa 0,5% abaixo da média para a região (685.4 mm). No entanto, com a atualização dos números desta segunda-feira (31), a região pode alcançar a normal climatológica.

Em números absolutos, a região com maior volume de chuva acumulada entre fevereiro a maio foi o Litoral de Fortaleza, com 753.3 mm. A média é de 685.4 mm. Já a de menor pluviometria acumulada foi a região do Sertão Central e Inhamuns (497.1 mm).

  • Litoral de Fortaleza: acumulado de 753.3 mm (-5,5% da média que é 796.7 mm)
  • Litoral Norte: acumulado de 692.1 mm (-11,1% da média que 778.3 mm)
  • Maciço de Baturité: acumulado de 682.1 mm (-0,5% da média que é 685.4 mm)
  • Cariri: acumulado de 623.3 mm (+1,1% da média que é 616.6 mm)
  • Ibiapaba: acumulado de 562.7 mm (-16,3% da média que é 672.2 mm)
  • Jaguaribana: acumulado de 534.5 mm (-7,9% da média que é 580.2 mm)
  • Litoral de Pecém: acumulado de 488.8 mm (-27,7% da média que é 676.3 mm)
  • Sertão Central e Inhamuns: acumulado de 437.3 mm (-12% da média que é 497.1 mm) 

Legenda: O volume médio dos 155 açudes cearenses monitorados pela Cogerh é de 30,12%
Foto: Wandenberg Belem

Reservatórios

As chuvas irregulares e mal distribuídas não contribuíram para uma recarga significativa nos reservatórios cearenses. Atualmente, o volume médio dos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) é de 30%. 

Este volume é inferior ao índice registrado em 31 de maio do ano passado, quando o volume médio dos reservatórios era de 34%. Mas, é superior ao índice de 31 de maio de 2019, com o nível era 27,8%. Os dados foram extraídos às 14h28 do portal hidrológico da Cogerh. 

  • 31 de maio de 2021: 30%
  • 31 de maio de 2020: 24%
  • 31 de maio de 2019: 27,8%

O Diário do Nordeste solicitou, à Cogerh, o volume hídrico dos açudes ao fim da quadra chuvosa dos últimos dez anos. A reportagem questionou ainda se o atual volume representa algum estado de alerta e se as águas da Transposição do Rio São Francisco trarão recarga substancial ao Açude Castanhão no segundo semestre deste ano. No entanto, a assessoria da Cogerh limitou-se a dizer que "informações serão prestadas durante coletiva" a ser realizada na próxima quarta-feira (2).

Ainda conforme o portal hidrológico do órgão, o Castanhão, maior reservatório cearense, acumula apenas 13,04%. Em 31 de maio do ano passado, o volume era de 16,02%.O reservatório é o responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e Vale do Jaguaribe. 

Açudes sangrando: 

  • :Itapebussu, Faé, Diamantino II, Germinal, Tijuquinha, Angicos, São Vicente, Quandú, Várzea da Volta, Quincoé, Tucunduba, Sobral e Acaraú Mirim. 

Açudes no volume morto:

  • Barra Velha, Cipoada, Joaquim Távora, Pompeu Sobrinho, Potiretama, São Domingos, Sousa, Trapiá II e Várzea do Boi. 

Açudes secos:

  • Adauto Bezerra, Forquilha II, Madeiro, Mons. Tabosa, Pirabibu e Salão.

 

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