Cecasa terá patrimônio leiloado para pagamento de dívidas

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Redação producaodiario@svm.com.br
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Barbalha (Sucursal/ Crato) — Depois de 13 anos de espera, começa hoje, uma série de três leilões do patrimônio da Cerâmica do Cariri S/A (Cecasa), localizada em Barbalha. A empresa fechou em 1992, deixando um débito de mais de R$ 3 milhões de obrigações trabalhistas, junto aos 280 funcionários da empresa. Os outros dois leilões estão marcados para 30 de setembro e 31 de outubro. Estão sendo leiloados 182 ítens que incluem central telefônica, prensas, veículo, móveis e até tratores de esteiras. O leilão, que será acompanhada pela síndica da massa falida, Mônica Macedo Monteiro, tem início às 9 horas no Parque Industrial da empresa, no quilômetro 3 da rodovia CE-095, Sítio Buriti, Barbalha.

O que restou da Cecasa, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, que acompanha o processo, está calculado em R$ 1,4 milhão, quantia insuficiente para saldar os compromissos com os funcionários. O arrematante poderá efetivar o pagamento à vista, ou através do princípio de pagamento de 20% do valor da arrematação. Os bens imóveis, acima de R$ 100 mil, poderão ser parcelados em cinco pagamentos.

O presidente do Sindicato, Carlos Alberto Bezerra, defende a idéia da compra do acervo para a instalação de outra indústria no local, com o objetivo de ampliar o mercado de emprego e pagar o débito dos ex-funcionários.

Para isso, foi enviado ofício ao governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, solicitando uma visita ao parque industrial da Cecasa, com o objetivo de articular a implantação de uma nova indústria.

A Cecasa, indústria de produtos cerâmicos, chegou ao Cariri na década de 60, nos braços do Projeto Asimov, uma idéia americana, que tinha como objetivo transformar a região, principalmente Crato, Juazeiro e Barbalha, num grande pólo industrial. Foram implantadas indústrias de beneficiamento de mandioca e milho, artefatos de couro, fábrica de rádios e cerâmicas.

A maioria faliu ou mudou de linha de produção. A Cecasa, que durante cerca de 20 anos foi um referencial na região, terminou sendo arrastada pela crise. A Norguaçu, empresa do mesmo ramo, que funcionava no Crato, também solicitou falência. Todo o seu patrimônio foi saqueado por populares. Hoje, resta somente o terreno.

O sonho não acabou. Outras indústrias estão surgindo no Cariri, a maioria, a partir dos incentivos ficais do governo do Estado. Outras, através de empréstimos bancários. Nas proximidades da Cecasa, por exemplo, funciona a indústria Bom Sinal que está reformando os carros para o Metrofor. A Companhia Metropolitana de Transportes do Estado (Metrofor) contratou a metalúrgica paulista Bom Sinal, com filial em Barbalha, para os serviços de recuperação de três composições, cada uma com quatro carros, perfazendo um total de 12 vagões.