Sabedoria indígena preconizou hábito alimentar

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Mulheres descascam mandioca na farinhada da família de Zé Preto. O trabalho é realizado de forma voluntária, para manter tradição
Foto:

Relatos históricos apontam que o hábito do consumo da farinha de mandioca tem origem com os povos indígenas. Com a chegada dos primeiros colonizadores, os visitantes logo de apossaram do alimento silvícola. Perceberam a importância alimentar naquela época e adaptaram aos costumes e a culinária dos brancos. A cultura da planta se expandiu rapidamente. Com a expansão surgiam as casas de farinha. Os colonizadores adaptaram as tecnologias da época, da produção de trigo.

Dos índios, os colonos aprenderam a cultivar a mandioca e produzir seus derivados. Além de consumida nos engenhos, a farinha era exportada para a África. Trocada por escravos. Também servia como mantimento para as tripulações dos navios portugueses. Documentos históricos mencionam que a farinha de mandioca era mais sadia e proveitosa que o trigo, o principal mantimento do Brasil e o beiju era um alimento bastante forte, mais agradável do que o pão para brancos (inclusive os soldados), índios e negros.

Nos anos de 1688, 1705 e 1782, reis de Portugal assinaram alvarás (determinações reais) obrigando os colonos a plantarem 500 covas de mandioca para cada escravo. Proibiram invasões de gado nos sítios e roças de mandioca, tal era a importância do produto para a população brasileira já nos primeiros séculos da colonização.

Não se sabe ao certo a origem dessa planta muito utilizada pelos indígenas brasileiros. Provavelmente tenha sido aqui mesmo, o surgimento dessa espécie selvagem — dela a farinha — assim como a rapadura, um produto genuinamente nacional que chegou a ser patenteado por estrangeiros. Estudiosos citam tribos que habitavam a Amazônia e o cerrado, atualmente Rondônia e Mato Grosso, consumidores da mandioca como alimento.

Estudos da engenheira agrônoma Teresa Losada Valle, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), citam que a mandioca era uma planta que crescia feito um cipó quando estava sombreada. Quando a pleno sol, formava pequenos arbustos, mas tinha a capacidade de armazenar uma baixa quantidade de amido em poucas raízes, longas, tortas e grossas.

Cinco a 10 mil anos mais tarde, os índios a transformaram numa planta que pode ser cultivada através de pequenos segmentos do caule e capaz de produzir até cinco toneladas de raízes por hectare. Com o domínio e o cultivo da planta, sua capacidade de produção e disponibilidade como alimento, formaram-se grandes civilizações indígenas.

Em suas observações a pesquisadora acrescenta que, somente agora, os antropólogos estão descobrindo a grandiosidade das culturas pré-cabralianas. Os índios brasileiros foram capazes de criar e cultivar variedades de mandiocas altamente venenosas, para que não fossem atacadas pelos animais e desenvolver técnicas sofisticadas para eliminar o veneno. (A.P.)