Ceará exporta para a Europa, EUA e Japão

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Lêda Gonçalves

No segmento dos produtos sem uso de agrotóxicos, estão os que passam pelo processo que retira a água do alimento sem aquecimento, por meio de sublimação, mantendo as características iniciais do produto. Os chamados liofilizados. Nesse ramo, a Agroindustrial de Desidratação de Frutas Ltda (Emaf) é líder no mercado. Entre os alimentos liofilizados oferecidos pela empresa, estão os que vão direto para o consumidor como a banana e o abacaxi.

Além destes, os que são vendidos em embalagens de cinco quilos para empresas fabricantes de sopas e temperos: carne bovina e frango (em pedaços ou pó), peixe, milho, ervilha, brócolis, cenoura e couve-flor. De acordo com o empresário Cláudio Roberto Nápravnik, os produtos são iguais aos utilizados pela Agência Especial Americana, a Naza, para os seus astronautas. “A liofilização é o único processo que consegue retirar a água do produto até níveis menores que 1%.

E é fácil a reidratação do produto, porque fica extremamente poroso”. A fábrica localizada no Município de Caucaia abastece o mercado de todo o País, principalmente as grandes redes de supermercados e lojas de produtos naturais. No entanto, a maior parte da produção é destinada às exportações. A Emaf comercializa para o Japão, Estados Unidos, França, Alemanha e Itália. Por mês, movimenta US$ 150 mil, entre exportações e venda para o mercado interno. Na primeira quinzena de maio, a empresa embarcou um container para a Europa e recebeu a visita de empresários alemães, que vieram conhecer todo o processo da liofilização. Além disso, a Emaf está expandindo seus negócios, fechando acordo com a Arábia Saudita e China.

Para Nápravnik, a liofilização é um mercado em franco desenvolvimento. Tanto que a empresa abrirá uma segunda fábrica ainda este ano. O local ainda não foi definido, mas estudos apontam para Belém do Pará. No Ceará, a Emaf oferece 60 empregos diretos e incrementa a economia de produtores das serras da Ibiapaba e Baturité, de onde compra frutas, como a banana e o abacaxi. “Com isso, garantimos a sustentação de outros empregos indiretos nessas localidades”.

Os produtos liofilizados são consumidos, principalmente em locais onde é necessário alimentar bem pessoas por um determinado período de tempo em local adverso, por exemplo, em botes salva vidas dos navios, em aviões de caça, em naves espaciais para abastecer os astronautas, durante treinamento de sobrevivência do Exército. De modo geral, todos podem consumir o produto. Indicado principalmente para atletas, pela grande quantidade de potássio, evitando cãibras e para idosos, no combate a osteoporose.

O processo utilizado pela empresa é chamado de Desidratação a Alto Vácuo (DAV), com know-how próprio, desenvolvido pelo engenheiro químico, civil e mecânico Stanislav Nápravník, com doutorado na Faculdade de Praga, na Republica Tcheca.

A liofilização, defende Nápravnik, apresenta inúmeras vantagens técnicas sobre as demais formas de secagem, pois não submete o alimento a altas temperaturas. São duas as principais vantagens: a primeira é conservar o produto fora da geladeira por mais de dez anos, sem conservantes desde que esteja em recipiente hermeticamente fechado. A segunda vantagem está na a pessoa ingerir mais nutrientes em menor quantidade de massa de alimento, ou seja, se alimenta melhor com menor quantidade.

De acordo com Nápravnik, o processo mantém o sabor, o odor e o aroma dos alimentos, evitando algumas características indesejáveis que podem ocorrer em processos de desidratação à quente, “Como desnaturação protéica, perda de compostos voláteis, formação de camadas duras e impermeáveis, migração de sólidos solúveis para a superfície durante a secagem e dificuldade de reidratação”, explica.