Brigadistas do Ceará no Pantanal aguardam dinheiro de combustível para retornar

Equipes do Ibama foram enviadas ao Mato Grosso para atuar nos incêndios na região, mas recursos do cartão-combustível seguem sem liberação

Legenda: Agricultores fazem queimada de vegetação para preparo de solo; atividade é uma das que mais aumentam número de incêndios florestais no Ceará
Foto: Honório Barbosa

A escassez de recursos vivenciada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atingiu o trabalho de duas equipes de brigadistas do Ceará enviadas a outros estados. Uma delas, atuante no Pantanal do Mato Grosso, aguarda liberação de dinheiro para combustível para retornar ao território cearense.

A informação foi confirmada ao Sistema Verdes Mares por Kurtis Teixeira, coordenador estadual do Prevfogo do Ibama Ceará. Segundo ele, a equipe cearense enviada à Estação Ecológica de Araras, no Centro-Oeste, já estava desmobilizada antes mesmo de o Ibama determinar, na última quarta-feira (21), a interrupção dos trabalhos por “indisponibilidade financeira”.

“O que precisava para os agentes retornarem ao Ceará eram recursos de pagamentos de cartão de combustível do veículo, o que impossibilitava que o carro se deslocasse trazendo os profissionais ao Estado. Depois disso tudo, acredito que sejam liberados”, pontua Kurtis.
 

“Isso tudo”, citado pelo coordenador, se refere ao ofício expedido pelo chefe do Centro Especializado Prevfogo/Dipro, Ricardo Vianna Barreto, nesta sexta-feira (23), determinando que as brigadas de incêndios florestais "retornem para as suas respectivas atividades e operações". A ordem veio após liberação de recursos para o órgão.

Retorno importante

Além do Pantanal, o estado do Maranhão também conta, atualmente, com uma equipe de brigadistas do Ceará. Esta, afirma Kurtis, está temporariamente desmobilizada também pela falta de combustível. Mas tão logo os cartões com os recursos sejam liberados, os agentes voltam a atuar em terras indígenas maranhenses, devendo retornar ao território cearense apenas em novembro.

O retorno das equipes ao Ceará é importante sobretudo diante da proximidade do fim do ano, como explica o coordenador estadual do Prevfogo.

“Essas brigadas atuam em combate ao incêndio florestal. Nosso pico de calor no Ceará é dezembro, com pouca umidade, muito vento e alta incidência de queimadas para renovar pastos e plantações. Esses fatores fecham uma matemática em que acontecem muitos incêndios”, lista.

O Estado conta com duas brigadas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), cada uma composta por 15 agentes. Sem os agentes do Ibama, a sobrecarga ficaria para o Corpo de Bombeiros. As equipes de brigadistas que retornarem, então, serão direcionadas para a sede Quixeramobim, no Sertão Central.

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