"Bagwall" do Icaraí desaba novamente durante reforma

Estrutura, que tem extensão total de 1,4km, já estava danificada em 470m antes do novo incidente

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: No dia 24 de setembro, a Prefeitura iniciou obra para recuperar o equipamento, com prazo de conclusão em 180 dias. Trecho comprometido recentemente será consertado no mesmo pacote, sem gerar acréscimo de gasto ao município
Foto: FOTO: JOSÉ LEOMAR

Fortaleza. A força do mar derrubou mais uma parte da estrutura de concreto que faz a contenção do avanço da água na praia de Icaraí, no município de Caucaia. A parede de pedra em formato de escadaria, conhecida como "bagwall", foi construída há cerca de quatro anos e já precisou de reparos em três ocasiões, por não resistir ao intenso fluxo das marés.

A estrutura, que tem extensão total de 1,4km, já estava danificada em 470 metros antes do novo incidente, ocorrido nesta semana. No dia 24 de setembro, a Prefeitura iniciou uma obra para recuperar o equipamento, com prazo de conclusão em 180 dias. De acordo com a administração municipal, o trecho comprometido recentemente "não causa preocupação", pois a construtora que está fazendo os reparos irá consertar também esta área, sem gerar acréscimo de ônus ao município.

"Não há nenhuma preocupação quanto a esta parte, porque está na responsabilidade da empresa que já está fazendo a recuperação", argumenta o vice-prefeito de Caucaia, Paulo Guerra.

A partir do dia 15 deste mês, segundo a Prefeitura, os trabalhos no local serão impulsionados por mais uma frente de trabalhadores, totalizando dois grupos de operários empenhados na obra. A medida tem o objetivo de apressar a entrega do equipamento, para evitar o risco de comprometer imóveis situados próximos à praia.

Intervenção

Com a iniciativa, o município cumpre recomendação emitida pelo Ministério Público Federal do Ceará (MPF-CE), que pede urgência na reconstrução do trecho danificado do bagwall.

A ação extrajudicial foi protocolada pela procuradora Nilce Cunha, que havia recebido várias reclamações por parte de moradores e comerciantes da região. De acordo com a representante do MPF, a população, motivada pela demora na conclusão das obras, queria colocar pedras no local, sem estudo ou levantamento, temendo consequências às suas propriedades pelo avanço do mar.

"Durante a reunião que tivemos com a Prefeitura (realizada no último dia 2), ficou combinada a contratação da segunda frente de trabalho. Além disso, o município se comprometeu a fazer o reforço no bagwall com uma tecnologia denominada 'enrocamento aderente'", esclarece a procuradora da República.

De acordo com o vice-prefeito Paulo Guerra, já foi apresentado ao Ministério da Integração Nacional um projeto de construção para a estrutura do enrocamento aderente, que dará suporte ao bagwall, evitando que a água do mar chegue com forte intensidade à orla.

"Não será um projeto emergencial, e sim, definitivo. Bagwall é uma estrutura rígida em concreto. Já o enrocamento consiste em grandes pedras, levemente separadas, que permitem a passagem da água, mas dissipam sua energia, sendo uma plataforma que dará muito mais segurança", explica.

Suporte

Para a construção do equipamento, que será posto à frente do bagwall, a Prefeitura aguarda licenciamento ambiental do Ibama e a liberação de recursos federais, que devem ficar em torno de R$ 30 milhões. Segundo Paulo Guerra, o departamento de engenharia do Ministério da Integração Nacional já aprovou o protejo, porém, o dinheiro ainda não foi liberado.

O vice-prefeito argumenta que a tecnologia de enrocamento aderente já foi experimentada e aprovada na praia de Ponta Negra, no Estado do Rio Grande do Norte, que tem condições de maré semelhantes às da orla de Caucaia. Paulo assegura que o novo equipamento abrangerá toda a extensão litorânea que vai do Icaraí à Tabuba, totalizando 3.200 metros.

Numa terceira etapa, após a recuperação do bagwall e a implantação da estrutura de suporte, a Prefeitura pretende construir espigões naquela região. Para tanto, encaminha estudo em conjunto com o Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC). Esta última ação, que não tem cunho emergencial e promete ser uma solução definitiva, deve ter o projeto finalizado em dezembro próximo. Quando prontos, os espigões terão a finalidade de estabilizar a linha de costa, evitando marés de grande intensidade.

Problema sucessivo

De acordo com dados do Labomar, a construção do espigão na Ponta do Mucuripe para abrigar o porto de Fortaleza, na década de 1940, provocou a erosão das praias situadas a oeste do equipamento. A primeira a sofrer as consequências foi a Praia de Iracema. A solução encontrada foi construir um outro espigão naquele local para reduzir o processo. E assim sucessivamente, cada espigão construído gerava erosão a oeste deste na praia vizinha, chegando à orla do Icaraí.

Mais informações:
Ministério público federal do ceará
(85) 3266.7316
Prefeitura de caucaia
(85) 3342.8029
Caucaia-CE

Bruno Mota
Repórter