Aliado de Camilo Santana, Acilon Gonçalves deve recepcionar Bolsonaro no Ceará

O presidente do PL no Estado sofre pressão de bolsonaristas para deixar o comando da sigla

Acilon e Camilo
Legenda: Acilon integra a base governista do Ceará
Foto: Reprodução/Facebook Prefeitura do Eusébio

Confirmada por aliados mais próximos ao presidente no Ceará, a viagem de Jair Bolsonaro (PL) ao Estado já mexe com o cenário político local. A expectativa de correligionários do chefe do Executivo nacional é de que o desembarque do presidente também coloque um ponto final na queda de braço atualmente existente no diretório estadual do PL. O partido é liderado por Acilon Gonçalves (PL), aliado do governador Camilo Santana (PT), mas nomes mais ligados ao presidente da República articulam liderar a sigla. 

Sob pressão, o atual comandante do partido no Ceará já informou que pretende acompanhar Bolsonaro no Estado. "Ainda não recebemos a possível agenda, mas, em acontecendo a visita do presidente da República e do partido que eu presido, irei recebê-lo", disse Acilon ao Diário do Nordeste.

Conforme a reportagem apurou com aliados do presidente, ele deve fazer viagens ao Nordeste durante o mês de fevereiro. Entre os destinos estaria o Ceará. Bolsonaro tem a intenção de visitar a barragem de Jati, que faz parte da transposição do rio São Francisco, no Cariri.

Essa pode ser a quinta viagem do presidente ao Estado desde 2019. Só no ano passado, ele desembarcou três vezes no Ceará. Em fevereiro, esteve em Tianguá e em Caucaia. Em agosto, visitou Juazeiro do Norte; em outubro, participou de evento no município de Russas.

Até essa quarta-feira (19), a Secretaria da Comunicação da Presidência da República disse, por meio de nota, que não tem informações sobre a viagem do presidente ao Ceará. 

Sob pressão

Desde a filiação do presidente à sigla, em novembro do ano passado, a pressão sobre Acilon cresceu. Liderado por um nome governista, o PL do Ceará acomoda políticos de diversos espectros políticos. O vice-presidente da sigla, o deputado federal Júnior Mano, é aliado de Camilo Santana e mantém boas relações com o Governo Federal. 

Por outro lado, integrantes da sigla como a deputada estadual Dra. Silvana e o marido, o deputado federal Dr. Jaziel, são aliados do presidente Jair Bolsonaro e fazem oposição ao governador Camilo Santana. 

Em dezembro, em meio ao clima turbulento na sigla, Acilon disse ter a “garantia" de todas as instâncias da legenda de que permanece no comando do diretório estadual. Ele, no entanto, não garantiu a aliança com o governador Camilo Santana (PT) para a disputa no Ceará em 2022. 

Uma das “garantias” de Acilon é por ter maioria de aliados dentro da legenda. Contudo, o cenário pode mudar. Desde que o presidente passou a integrar a sigla, há articulações para a filiação de bolsonaristas do Ceará. Um deles, o deputado estadual André Fernandes, já desembarcou no partido. 

Reforço bolsonarista

Desde que tomou posse, Bolsonaro já esteve quatro vezes no Ceará
Legenda: Desde que tomou posse, Bolsonaro já esteve quatro vezes no Ceará
Foto: Marcos Corrêa/PR

Conforme Dra. Silvana, a filiação de novos integrantes deve mudar a cara do partido. Ela ressalta que o partido é bem administrado, mas faz críticas ao atual comandante estadual da sigla. 

“Como presidente, Acilon não nos tem considerado em nada. O presidente (nacional do PL) Valdemar (Costa Neto) nos considera e trata com a atenção devida. Eu e Jaziel torcemos para que o Acilon procure outro partido ou ao menos saia da presidência do PL no Ceará”, aponta a parlamentar.

“O melhor para o PL seria ficar apenas com os que realmente apoiam o presidente Bolsonaro e que farão campanha de fato nas eleições”, acrescenta a deputada. Para ela, o período de janela partidária, prazo limite para a mudança de sigla, deve definir os rumos da sigla. No entanto, para ela, a visita do presidente deve mostrar a força da direita no Ceará e “animar” as bases do presidente no Ceará. 

O deputado André Fernandes foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.


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