Eduardo Pazuello volta ao Senado para seguir depoimento na CPI da Covid-19

Ex-ministro da Saúde passou mal durante oitiva nessa quarta (19), e a sessão foi suspensa

Escrito por Redação,

Política

O general e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, segue depoimento na CPI da Covid-19 nesta quinta-feira (20), no Senado Federal. A oitiva do ex-titular da Pasta foi iniciada nessa quarta (19), mas ele passou mal após suspensão da sessão, que precisou ser adiada. A retomada está prevista para as 9h30.

Inicialmente, o depoimento do militar estava marcado para o dia 5 de maio, porém foi transferido para essa quarta após Pazuello entrar em quarentena por ter tido contato com duas pessoas infectadas por Covid-19.

O depoimento da médica Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, estava previsto para esta quinta, mas foi adiado para a próxima terça (25) devido à interrupção da sessão. Antes da suspensão do depoimento de Pazuello, a CPI ainda tinha 23 senadores inscritos.

Ex-ministro Eduardo Pazuello em pé atrás de bancada na CPI da Covid-19
Legenda: Depoimento de Pazuello é o mais esperado da CPI
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Mal-estar

Conforme o senador Randolfe Rodrigues (Rede), Pazuello teve uma síndrome vasovagal, sendo atendido pelo senador Otto Alencar (PSD), médico. O ex-ministro "se recuperou", conforme Rodrigues, mas o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), decidiu suspender a sessão definitivamente.

Em entrevista à CNN, Otto Alencar afirmou que o ex-ministro "poderia continuar" a dar o depoimento. "Nós já fizemos o atendimento", disse o senador e médico. "Deitamos ele no sofá, o sangue refluiu para o cérebro, ele ficou corado, se recuperou, estava respirando muito bem, podia perfeitamente continuar a oitiva. Foi suspenso (o depoimento), mas não foi por nenhuma sequela".

O que Pazuello disse na sessão

Durante o depoimento, o ex-ministro respondeu aos senadores perguntas sobre tratativas de vacinas, estrutura administrativa do Ministério da Saúde, supostas intervenções do presidente Jair Bolsonaro, filhos e aliados em suas decisões, recomendações de tratamento precoce, crise sanitária em Manaus, entre outros assuntos relativos à pandemia do novo coronavírus. 

O general foi convocado à CPI pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB), que justificou o requerimento pontuando que declarações dos ex-titulares da Saúde são indispensáveis para elucidação de providências quanto à Covid-19 no País.

Na última sexta-feira, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus ao general — com isso, Pazuello poderia ficar em silêncio em algumas perguntas. O ex-ministro, contudo, só permaneceu calado uma vez.

Pazuello ficou sob o comando do Ministério de forma interina em maio de 2020, sendo oficializado em setembro. A saída dele ocorreu após pressão de políticos do centrão no Congresso e até mesmo de aliados, dado o agravamento da pandemia.

Outros depoimentos

Além de Pazuello, foram ouvidos os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além do atual titular, Marcelo Queiroga.

Participaram da CPI, também, Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores; Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina; Fábio Wajngarten, ex-secretário da Secretaria de Comunicação do Planalto (Secom); Antônio Barra Torres, presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).