Carta da Pfizer com oferta de vacinas foi respondida depois de dois meses, diz Fábio Wajngarten

O documento foi entregue pelo ex-secretário à CPI da Covid. Leia na íntegra

Ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngartenn em CPI da Covid-19
Legenda: Segundo Wajngarten, ele respondeu à mensagem da empresa e tentou auxiliar no início das negociações para adquirir doses do imunizante
Foto: Agência Senado

O ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten, que presta depoimento na CPI da Covid-19 nesta quarta-feira (12), afirmou que o Governo Federal demorou dois meses para responder uma carta da farmacêutica Pfizer, que oferecia uma parceria para o fornecimento de imunizantes ao Brasil.  

O documento, enviado em 12 de setembro, foi respondido em 9 de novembro por Wajngarten, após ter sido alertado sobre a existência da mensagem. 

"[...] A carta foi enviada 12 de setembro. O dono do veículo de comunicação me avisa em 9 de novembro que a carta não havia sido respondida. Nesse momento, eu mando um e-mail ao presidente da Pfizer, que consta nessa carta. Eu respondi essa carta no dia em que recebi, 15 minutos depois, [...] o presidente da Pfizer do Brasil, o Sr. Carlos Murillo, que virá aqui [CPI] amanhã, me liga: 'Fabio, muito obrigado pelo seu retorno', no dia 9 de novembro, e foi o primeiro contato com ele", relatou o ex-secretário à comissão do Senado Federal.

Wajngarten disse que não estava entre os destinatários originais do documento, mas que buscou contato com a empresa ao saber da oferta. Uma cópia da mensagem na íntegra foi entregue pelo depoente à CPI.

A carta foi endereçada a nomes como o do presidente da República Jair Bolsonaro, do vice Hamilto Mourão, do ministro de Estado da Casa Civil Walter Braga Netto, e do então titular do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, entre outros.  

Em janeiro, a Pfizer disse que o governo brasileiro rejeitou a oferta de 70 milhões de doses de vacina contra a Covid-19. Em nota, o laboratório afirmou que a proposta inicial encaminhada em agosto previa a entrega de doses já em dezembro de 2020.

Carta é divulgada na íntegra 

O portal Uol conseguiu acesso ao conteúdo da correspondência e publicou a carta, que é assinada pelo presidente mundial da companhia, Albert Bourla.

Em um trecho, Bourla afirma que já teria tentado entrar em contato, anteriormente, com o Ministério da Saúde para firmar uma parceria entre o governo brasileiro para a compra de imunizantes desenvolvido pela farmacêutica, mas não obteve resposta. 

"Apresentamos uma proposta ao Ministério da Saúde do Brasil para fornecer nossa potencial vacina que poderia proteger milhões de brasileiros, mas até o momento não recebemos uma resposta. Sabendo que o tempo é essencial, minha equipe está interessada em acelerar as discussões sobre uma possível aquisição e pronta para se reunir com Vossa Excelência ou representantes do Governo Brasileiro o mais rapidamente possível", escreve Bourla. 

Leia o domcumento:

Na luta contra a Covid-19, uma vacina é parte crítica para lidar com a crise de saúde global, diminuindo as taxas de infecção, doença e morte em todo o mundo. A Pfizer tem estado na linha de frente no enfrentamento desta pandemia que afeta brasileiros e pacientes em todo o mundo, desde os primeiros dias desta emergência. A Pfizer foi fundada na cidade de Nova York, está sediada nos Estados Unidos há mais de 170 anos, e opera no Brasil há aproximadamente 70 anos. Junto com nosso parceiro, a empresa alemã BioNTech, estamos aproveitando décadas de experiência científica para desenvolver, testar e fabricar uma vacina de mRNA para ajudar a prevenir a infecção pela Covid-19. 

Atualmente, estamos conduzindo um ensaio clínico em grande escala de Fase 2/3 com pelo menos 30.000 participantes em um grupo seleto de países em todo o mundo, incluindo dois centros de pesquisa no Brasil com cerca de 2.000 brasileiros valuntários. Estamos no caminho certo para buscar uma revisão regulatória de nossa vacina em outubro de 2020, com centenas de milhares de doses já produzidas.

A potencial vacina da Pfizer e da BioNTech é uma opção muito promissora para ajudar seu governo a mitigar esta pandemia. Quero fazer todos os esforços possíveis para garantir que doses de nossa futura vacina sejam reservadas para população brasileira, porém celeridade é crucial devido à alta demanda de outros países e ao número limitado de doses em 2020. Como deve ser do conhecimento de vossa excelência, fechamos um acordo com o governo dos Estados Unidos para fornecer 100 milhões de doses de nossa potencial vacina, com a opção de oferecer 500 milhões de doses adicionais. 

A Pfizer tem o maior contrato com o governo dos EUA em termos de valor para uma vacina contra a Covid-19 até o momento, demonstrando a confiança que a administração do Presidente Donald Trump e tem em nosso ciência em nossa capacidade de produção. O Dr. Monsef Slaoui, Conselheiro Chefe da Operação Warp Speed do Governo dos Estados Unidos, visitou a instalação da Pfizer que está produzindo nossa vacina Covid-19 e que poderia abastecer o Brasil. Temos ainda acordos com o Reino Unido, Canadá, Japão e vários outros países, e estamos em negociações finais qual União Europeia para fornecer 200 milhões de doses, com a opção de fornecimento adicional de mais 100 milhões de doses.

Minha equipe no Brasil se reuniu com representantes de seus Ministérios da Saúde e da Economia, bem como com a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Apresentamos uma proposta ao Ministério da Saúde do Brasil para fornecer nossa potencial vacina que poderia proteger milhões de brasileiros, mas até o momento não recebemos uma resposta. Sabendo que o tempo é essencial, minha equipe está interessada em acelerar as discussões sobre uma possível aquisição e pronta para se reunir com Vossa Excelência ou representantes do Governo Brasileiro o mais rapidamente possível.

Finalmente, como presidente mundial da Pfizer, estou orgulhoso em assinar um acordo histórico demonstrando um compromisso unificado em manter a integridade do processo científico enquanto trabalhamos para obter os registros regulatórios e aprovações das primeiras vacinas contra a Covid-19. Caso Vossa Excelência ou membros de sua equipe tenham alguma dúvida, não hesitem em entrar em contato comigo diretamente ou com minha equipe no Brasil, incluindo o presidente de nossa subsidiária no país, Carlos Murillo.

Atenciosamente,

Dr. Albert Bourla

CC: Vice-presidente da República Federativa do Brasil, Exmo. Sr. Hamilton Mourão Ministro de Estado da Casa Civil, Exmo. Sr. Walter Braga Netto Ministro de Estado da Saúde, Exmo. Sr. Eduardo Pazuello Ministro de Estado da Economia, Exmo. Sr. Paulo Guedes Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Exmo. Sr. Nestor Foster

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