Aposentados, sim; Recolhidos aos aposentos, não

Escrito por
Maycon Oliveira producaodiario@svm.com.br
Maycon Oliveira é mercadólogo
Legenda: Maycon Oliveira é mercadólogo

O imaginário popular brasileiro durante décadas desenhou a aposentadoria como um ponto final. A imagem clássica era a do idoso na cadeira de balanço, envolto em um silêncio contemplativo, sem propósito algum a não ser "descansar" de forma reclusa após décadas de trabalho. Neste dia 24 de janeiro, data em que celebramos o Dia dos Aposentados, é preciso deixar claro que esse retrato não apenas envelheceu mal, como ele deixou de existir para a maioria dos brasileiros da Geração Prateada. O próprio conceito de idoso ficou velho.

Estamos vivendo a ascensão de um novo perfil 60+ que subverte a lógica da pirâmide etária. As projeções do IBGE indicam que, em 2030, teremos no Brasil mais idosos do que crianças e adolescentes até os 14 anos. Já em 2050, eles serão 30% da população - a maior fatia por faixa de idade da pirâmide etária brasileira. Essa transformação demográfica traz consigo a consolidação da chamada Economia Prateada — a terceira maior atividade econômica do mundo, responsável por movimentar US$ 7,1 trilhões anualmente. No Brasil, esse setor injeta cerca de R$ 1,6 trilhão por ano na economia.

Longe de serem apenas cifras, esses números refletem uma mudança cultural significativa na organização social. As empresas que ainda enxergam o aposentado sob a ótica do "fim de carreira" estão perdendo a oportunidade de dialogar com o público que mais cresce no Brasil e no mundo - e que muito em breve será também a faixa etária com o maior número de consumidores potenciais de setores como produtos, serviços e turismo. Quem se recusa a falar com eles, está escolhendo ignorar o futuro - bem próximo, diga-se de passagem - da economia.

Hoje, vemos dois movimentos distintos, mas igualmente potentes, que definem o Bem Envelhecer. De um lado, o aposentado que mantém o "brilho nos olhos" pela atividade produtiva. São profissionais que descobrem no empreendedorismo, na consultoria e em novas atividades profissionais uma fonte de energia. Para esses, o trabalho é um exercício de propósito e saúde cognitiva. Do outro lado, encontramos o grupo que decide que o momento é de desfrute e autocuidado. É o sênior que se dedica a novos hobbies — seja na "cozinhaterapia", na dança ou nas viagens — e que entende que manter o corpo e a mente em movimento é a melhor vacina contra o isolamento, que é uma das maiores causas de declínio cognitivo entre os idosos.

O que une esses dois perfis é a autonomia. Neste 24 de janeiro, meu convite é para que olhemos para os aposentados como cidadãos prontos para o próximo capítulo. Seja aprendendo um novo ofício ou explorando o mundo, eles são os protagonistas. Nossa missão na MedSênior - e que deve ser a mesma enquanto sociedade -, é entender todo o potencial dessa fase da vida, para muito além de limitações que levam à medicina assistencial; mais do que nunca, o envelhecimento ativo garante que o indivíduo chegue a este momento da vida com capacidade física e mental para fazer suas escolhas.

O recolhimento ficou no passado; o futuro, para a Geração Prateada, é agora.

Maycon Oliveira é mercadólogo

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