80 anos das vitórias da Força Expedicionária Brasileira (FEB)

O Brasil não teve como se manter afastado daquele sangrento palco

Escrito por
Gustavo Augusto de Araújo Chaves Pereira producaodiario@svm.com.br
Historiador e pesquisador militar
Legenda: Historiador e pesquisador militar
O ano de 2025 marca o octogésimo aniversário das Vitórias da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Este feito, que representa um verdadeiro ponto de inflexão para o País, continua a ser um campo fértil para a discussão, muito além do aspecto puramente militar. 
 
     A entrada do Brasil na 2º Guerra Mundial (II GM) foi, em síntese, a resposta ao clamor popular de indignação às covardes agressões de submarinos do Eixo a embarcações brasileiras que navegavam por águas atlânticas. 
 
O Brasil não teve como se manter afastado daquele sangrento palco. Tentando permanecer neutro, e seguindo o fornecimento de produtos agrícolas e extrativistas a seus parceiros tradicionais, nosso País se transformou em alvo de ataques por submarinos, sofrendo o torpedeamento de diversos navios mercantes e a morte de milhares de patrícios, sendo arrastado ao conflito. Podemos dizer que o Brasil não foi à guerra, mas a guerra veio ao Brasil! 
 
E assim, foi constituída a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que, ao lado da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira, bravamente enfrentou toda sorte de dificuldades, derramou lágrimas, deu sangue e vidas em defesa da liberdade e da democracia.
 
A FEB era constituída pela 1ª Divisão de Infantaria expedicionária (1ª DIE). Seu lema de campanha, “A cobra está fumando”, era uma alusão irônica ao que se afirmava à época, que seria “mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa”. 
 
 Nesse sentido, planejou-se o envio de um contingente de 25.332  militares à Itália, incluindo nesse universo 377 bravos cearenses, oriundos de vários municípios do Estado.
A cobra, enfim, fumou! Os obstáculos vencidos para a estruturação da FEB e o seu integral transporte para a Europa são motivo de muito orgulho, sobretudo considerando as
condições do País à época. Ainda hoje, esse exitoso translado desperta o interesse e a pesquisa de estudiosos e especialistas no assunto. Naquela oportunidade, ao superar
complexos desafios, o povo brasileiro deu prova cabal de sua resiliência e competência. 
 
Nossos combatentes mostraram imenso valor. Carinhosamente apelidados de Pracinhas, souberam, em sua marcha, conquistar vitórias e praticar o respeito ao ser humano, angariando total simpatia e receptividade por parte das populações das localidades por onde passaram, vistos com extremada amabilidade. Eram mais do que combatentes, eram vistos pelos sofridos italianos como irmãos e, lá, são afetuosamente lembrados como Libertadores. Dos brasileiros que morreram, eram, 450 praças, 13 oficiais e 8 pilotos da FAB, incluindo 06 (seis) cearenses que tombaram na Itália.
 
A 8 de maio de 1945, as armas se calaram na Europa. A data é atualmente celebrada como o “Dia da Vitória”. Ao final da campanha, a FEB havia aprisionado mais de vinte mil soldados inimigos, oitenta canhões, mil e quinhentas viaturas e quatro mil cavalos, entre outros itens.
 
Então, naqueles duros tempos, a cobra fumou! Hoje, transcorridos 80 anos de sua admirável atuação, nossos destemidos combatentes são recordados e homenageados, como fontes de luz, inspirações de valores, exemplos de tenacidade, fibra e denodo.
 
Nossos  pracinhas serão heróis sempre lembrados. Corneteiro, dê o “Toque da Vitória”!
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