Vacinados não devem fazer testes imunológicos sobre o coronavírus, dizem especialistas; entenda

O teste sorológico de anticorpos pode confundir o paciente e levá-lo a acreditar que não foi imunizado de fato

Foto: Getty Images

Nos últimos dois meses, houve um aumento das buscas no Google sobre testes sorológicos de anticorpos contra o coronavírus. Mesmo sem pesquisas oficiais que indiquem uma causa específica para o crescimento dessa demanda, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) acredita que ela esteja relacionada à campanha de vacinação contra a Covid-19.

Os vacinados, no entanto, não devem recorrer a esses testes para verificar se a imunização foi bem sucedida. Segundo a entidade, não se pode avaliar a “proteção desenvolvida após vacinação apenas por testes laboratoriais ‘in vitro’ através da dosagem de anticorpos neutralizantes” por causa da “complexidade que envolve a proteção contra a doença”. 

Nessa perspectiva, Samuel Arruda, biomédico e microbiologista, explica que o teste imunológico pode confundir o paciente e levá-lo a acreditar que não foi imunizado de fato.

“Se você pega o paciente que tomou a vacina, o IgG dele provavelmente estará elevado, mas às vezes não é porque ele já teve a doença, é porque ele tomou a vacina. Ela simula a resposta imunológica, então (por causa dela) o paciente vai produzir anticorpos contra o vírus”.

O IGG é um anticorpo que, junto ao IGM, atua na proteção imediata e a longo prazo contra infecções, em especial a por coronavírus. 

Assim, caso a pessoa esteja em fase crônica da infecção ou já tenha sido exposta ao vírus em algum momento da sua vida, os testes indicarão a produção do anticorpo IgG no organismo. Se o paciente tiver sido exposto ao vírus recentemente e a doença esteja na fase ativa, o teste detectará a presença de IgM. 

Dessa forma, os exames em vacinados podem indicar a produção desses anticorpos, mas não por uma possível infecção por coronavírus em si, mas pela ação do imunizante. 

Para Samuel, a leitura inadequada desse tipo de exame pode trazer danos numa escala maior.

“Você pode colocar em cheque a qualidade da vacina, quando na verdade é um problema de teste. São testes inadequados para situações inadequadas”, pontua.

Se a intenção, no entanto, não for verificar a eficácia da imunização, mas sim um possível diagnóstico de Covid-19 devido a sintomas gripais, o biomédico indica o exame de biologia molecular, o PCR, para vacinados.

“Se você está com uma infecção, ele vai verificar se realmente existe a presença do vírus em você, enquanto o teste imunológico (sorológico) trabalha identificando os anticorpos que você produziu”, explica.

Vacinação no Brasil

Atualmente, o Brasil está na posição 56 do ranking de nações que mais imunizaram a sua população proporcionalmente. Em números absolutos, até agora, 47,6 milhões de doses (entre primeiras e segundas) foram aplicadas no País.

Enquanto isso, mais de 400 mil brasileiros morreram de Covid-19 desde o início da pandemia. De sexta-feira (30) para sábado (1º), foram contabilizados 2.278 óbitos pela doença.

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