“Tem limite de profissionais médicos”, diz Camilo sobre abertura de mais leitos de UTI

Segundo o governador, ampliação de leitos de UTI exclusivos para a Covid-19 demanda recursos humanos que estariam em falta. Sindicato dos Médicos rebate que há profissionais, mas falta estímulo

Profissional de saúde prepara leito para receber paciente com Covid-19
Legenda: "Nossa capacidade de atendimento está precisando ser aumentada de forma geométrica", desabafou o gestor estadual da Saúde
Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza

Nos últimos dias, o Ceará ativou em torno de 930 leitos de terapia intensiva (UTI) e 2,3 mil leitos de enfermaria para tratar exclusivamente infectados pela Covid-19. A informação foi dada pelo governador Camilo Santana (PT), em entrevista ao Sistema Verdes Mares (SVM) na tarde desta quinta-feira (4). Entretanto, segundo o governador, há um limite para essa ampliação de leitos que não depende apenas da disponibilidade de estruturas físicas. “Também tem um limite de equipes de profissionais médicos”, afirmou.

O déficit de pessoal foi corroborado pelo secretário estadual da Saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, Dr. Cabeto, também em entrevista exclusiva ao SVM. “Não pode ampliar mais do que é possível”, disse o secretário, acrescentando um agradecimento aos profissionais da saúde da linha de frente no enfrentamento à pandemia. 

Governador concedeu entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares na tarde desta quinta-feira (4) e apelou para que a população cumpra o lockdown para dar fôlego ao sistema de saúde.
Legenda: Governador concedeu entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares na tarde desta quinta-feira (4) e apelou para que a população cumpra o lockdown para dar fôlego ao sistema de saúde.
Foto: Fabiane de Paula

“Quando o governador coloca isso [falta de médicos], é quase um apelo. Um apelo dos profissionais. [...] Esse momento é de preservar essas pessoas também, para que todo mundo seja atendido”, alerta Cabeto.

Falta de estímulo

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Edmar Fernandes, ainda não faltam intensivistas para atender à demanda das UTIs de Covid-19. No entanto, ele diz que a desativação de leitos no ano passado, no momento em que a pandemia enfraqueceu, provocou a demissão de muitos profissionais contratados temporariamente, o que prejudicou as recontratações neste momento.

“No ano passado tinha leitos. E, se tinha, tinha profissional. Esse pessoal não desapareceu, não evaporou. O que está faltando é estímulo. Se você bota um profissional e depois o tira, perde o vínculo com ele”, explica o presidente sindicalista.

Além disso, ele relata que há denúncias de profissionais com atraso no pagamento de salário ou que não estão recebendo gratificações pelo serviço prestado no enfrentamento à pandemia. 

“Qualquer pessoa com uma profissão precisa se sentir segura para trabalhar num local. Mas temos, sim, número suficiente para trabalhar na linha de frente”, afirma, lembrando que os profissionais estão, de fato, sobrecarregados física e mentalmente. “Não podemos esquecer que esse pessoal está vendo as pessoas morrerem. Isso abate muito”, disse o presidente. 

Covid-19 em profissionais da saúde 

Segundo a plataforma IntegraSUS, com dados apurados até 12h45 desta quarta-feira (4), o Ceará contabiliza 20,1 mil casos confirmados da Covid-19 em profissionais da saúde, sendo 7,4 mil só em Fortaleza. A maioria em técnicos ou auxiliares de enfermagem, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e médicos. Do total de infectados, 44 morreram.

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