"Nós podemos ter situação de colapso", avalia Dr. Cabeto sobre alta nas internações no Ceará

Expectativa é de que lockdown reduza a demanda de atendimentos de saúde, que têm impactado qualidade de vida de profissionais

Profissional de saúde prepara leito para receber paciente com Covid-19
Legenda: "Nossa capacidade de atendimento está precisando ser aumentada de forma geométrica", desabafou o gestor estadual da Saúde
Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza

O secretário estadual da Saúde, Dr. Cabeto, indicou, nesta quinta-feira (4), que o Ceará pode atingir uma situação de colapso caso não consiga diminuir a curva de internações por Covid-19. A afirmação foi dada como justificativa da necessidade do novo lockdown, anunciado na quarta (3), devido à situação da doença no Estado.

"Esse cenário indica que a nossa capacidade de atendimento está precisando ser aumentada de forma geométrica", ressaltou o secretário, acrescendo que o Estado saiu de 182 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em dezembro para 940 neste mês. "Temos de ter seriedade, serenidade para garantir atendimento a todo mundo", afirmou em entrevista à TV Verdes Mares. No último dado atualizado na plataforma IntegraSus, o nível de ocupação das UTI's que tratam da Covid no Ceará era de 93,22%.

O secretário atribuiu ao isolamento um apelo de profissionais da saúde, que têm ficado cada vez mais exaustos em relação à alta na demanda por atendimentos. "Nós estamos ajustando os protocolos. Muitas vezes, cada um de nós, profissionais da saúde, tá cuidando de mais gente", destacou, acrescentando que a categoria tem realizado "o máximo de trabalho para reduzir o tempo de internação" — o que tem impactado diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores.

Profissionais da saúde doentes

"Tem vários profissionais adoecidos, isso também é uma realidade do mundo", avaliou, apoiando-se na rotina de expediente noturno em uma UTI e no exemplo de Wuhan, na China, onde cerca de 40% dos profissionais da saúde que estavam na linha de frente adoeceram.

A exaustão dos profissionais também foi observada pela secretária Municipal da Saúde, Ana Estela, em consequência da demanda de internação. Ela informou que há uma grande procura nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e na Central de Regulação por leitos de enfermaria e UTI, fator que demonstra crescimento exponencial há três semanas.

"Diante desse cenário, o governador e o prefeito estão propondo um isolamento mais rígido para que a gente possa reduzir esse contágio", afirmou a titular da SMS.

Além de reforçar a ampliação de leitos na Capital, que já conta com mais de 600 leitos exclusivos para Covid-19, Ana Estela frisou que outros aspectos são necessários para o tratamento da população acometida pelo novo coronavírus. "Não é só criar um leito; a gente precisa de insumo, precisa formar equipe", explicou.

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