Secretaria da Saúde já está gerindo hospital requisitado pelo Governo para ações contra coronavírus

Conforme estabelecido, a iniciativa privada cede a estrutura do hospital e o Governo do Estado deverá garantir a mão de obra

Legenda: Inaugurado em 2015, o Hospital Leonardo da Vinci foi criado, segundo o diretor, para suprir a carência de leitos na Capital e desafogar os grandes hospitais.
Foto: Foto: Fabiane de Paula/ 10.02.2015

A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) já está gerindo o Hospital Leonardo da Vinci, localizado no Centro de Fortaleza, que pertence a iniciativa privada. O equipamento foi requisitado pelo Governo do Estado para dar suporte a eventuais confirmações de coronavírus no Ceará, conforme uma portaria publicada no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (12). Neste sábado (14), técnicos da Sesa e representantes do hospital vistoriaram a unidade. O equipamento tem 90 leitos instalados e o Governo deve garantir outros 130 leitos para internação. O Ceará não tem nenhum caso confirmado da doença. 

A secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida, explica que esse "aluguel" do hospital faz parte do Plano de Contingência.

Foto: Foto: Thiago Gadelha/SVM

"Não temos confirmação de casos ainda, mas nessa segunda fase, onde começam a aumentar os casos no País, temos que garantir o suporte. Entendemos que maioria dos casos são leves. Mas há a população mais idosa e mais vulnerável. Estamos atendendo normas de biossegurança. Para termos unidades que possam receber as possíveis internações e todo os casos ficarem em um só lugar", explica. 

Conforme estabelecido, a iniciativa privada cede a estrutura do hospital e o Governo do Estado deverá garantir a mão de obra, contratando médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais para atuarem no funcionamento da unidade. 
 
Magda esclarece que, diante na situação de emergência, o Estado tem prerrogativas de requisitar "qualquer leito que esteja sem uso seja ele tanto da iniciativa privada, como do poder público". O pagamento do aluguel, segundo ela, pode "ser retroativo". Ela ressalta que a opção por a requisição do hospital privado foi devido à impossibilidade de esperar diante da situação de emergência no País. 

De acordo com Magda, o Governo do Ceará está contando que o Ministério da Saúde irá facilitar a habilitação dos leitos. Os recursos para o custeio do funcionamento da unidade, informa, são oriundos tanto dos R$ 45 milhões anunciados pelo Executivo estadual, esta semana, como também de outra fonte. Pois, representantes do Ceará estão pleiteando que o Governo Federal custei os leitos que serão habilitados. 

A secretária também informou que os exames feitos no Hospital São José continuam concentrados nessa unidade. Não serão realocados, no momento, para o Hospital Leonardo da Vinci, que tem função terciária. 

Contato

O médico e diretor do Hospital Leonardo da Vinci, Boghos Boyadijan, explica que foi contactado pelo secretário da Saúde, Dr. Cabeto, quanto à possibilidade de usar o hospital. "Ele me ligou e disse que tem urgência. Ele falou que 'precisamos requisitar o seu hospital por necessidade não prevista'. E sentindo a necessidade da população, nós decidimos ceder. O Hospital já está a disposição", garante. 

Boghos Boyadijan diz que não recebeu ainda nenhum valor pelo uso da unidade. Mas que isto não é uma preocupação. "Nós estamos preparados para internar até 220 pacientes. Mas ainda não tem todos esses leitos. O que temos hoje são 90 leitos disponíveis e o Governo se comprometeu a colocar mais. Na UTI, temos 9 leitos e também temos o que chamamos de semi-UTI. Temos centro cirúrgico com 6 salas de cirurgia", afirma o diretor da unidade que acrescenta "o hospital vai ser um hospital da própria Secretaria da Saúde. Acreditamos que o prazo será, inicialmente, de um ano". 

Inaugurado em 2015, o Hospital Leonardo da Vinci foi criado, segundo o diretor, para suprir a carência de leitos na Capital e desafogar os grandes hospitais. Atualmente, a unidade não é credenciada junto à nenhuma rede de planos de saúde. Em relação aos profissionais que trabalham na unidade, o médico diz que ainda não há definição de onde vão realocá-los, mas "quero tranquilizá-los que eles não vão ficar desempregados por conta de o Estado chegar lá". 

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