Quase 46 mil idosos do Ceará estarão aptos a tomar dose de reforço contra a Covid-19 em setembro

Número inclui pessoas com 70 ou mais imunizadas com a 2ª dose até março; Secretaria Estadual da Saúde já foi notificada sobre nova fase

Terceira dose de vacina da Covid para idosos no Ceará
Legenda: Idosos e pessoas com deficiência no sistema imunológico poderão receber 3ª dose da vacina anticovid em setembro
Foto: Fabiane de Paula

A campanha de vacinação contra Covid-19 no Ceará ganhará nova fase, a partir de setembro. O Ministério da Saúde definiu, na quarta-feira (25), a aplicação de dose de reforço da vacina em idosos com 70 anos ou mais já imunizados com a 2ª dose ou dose única há pelo menos 6 meses.

Nesta quinta-feira (26), autoridades de saúde do Ceará estão em Brasília pactuando o início da nova fase no Estado, prevista para a segunda quinzena de setembro. A aplicação da dose adicional em Fortaleza e demais municípios avançará conforme o envio de imunizantes pela União.

No Ceará, 45.764 pessoas a partir de 70 anos de idade tomaram a 2ª dose da vacina até 31 de março deste ano, ou seja, completam 6 meses de imunização em setembro e ficam aptas a receber a 3ª dose já no próximo mês.

A estimativa foi calculada pelo Diário do Nordeste, com base em dados do Vacinômetro Covid Ceará, do Integra SUS, colhidos até 13h30 desta quinta (26). Os números são atualizados pelo Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI).

Quantos idosos poderão tomar a dose de reforço da vacina no Ceará em setembro?

  • 1.087 pessoas de 70 a 74 anos;
  • 17.194 pessoas de 75 a 79 anos;
  • 27.483 pessoas com 80 anos ou mais.

Por ser alimentado com dados enviados pelos municípios, o sistema possui defasagens e está em constante atualização, como reforça a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), de modo que os quase 46 mil cearenses representam um quantitativo aproximado.

A quantidade de cearenses que poderão receber a terceira dose ou reforço da dose única aumentará a cada mês, à medida em que cada pessoa complete 6 meses desde que finalizou o esquema vacinal.

Necessidade de reforço

O reforço da imunização vale para quem tomou qualquer vacina, e será realizado, “preferencialmente, com uma dose da Pfizer, Janssen ou Astrazeneca”, segundo informou o Ministério da Saúde.

Além dos idosos, pessoas imunossuprimidas (como transplantadas, por exemplo) que completaram o esquema de duas doses há pelo menos 28 dias também poderão tomar a terceira a partir de setembro.

A Pasta federal informou, em nota técnica enviada aos estados, que “esquemas com três doses foram avaliados em ensaios clínicos e, de maneira geral, observou-se importante ampliação da resposta imune”.

O documento, obtido pelo Diário, aponta ainda que “tanto os idosos quanto os indivíduos com alto grau de imunossupressão apresentaram menor proteção pelo esquema padrão com diversos tipos de imunizantes”, e que doses adicionais para outros grupos etários “também podem ser consideradas”.

Impactos da 3ª dose no Ceará

O imunologista Edson Teixeira, professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que “por conta da taxa de mutação do coronavírus, já é quase consenso que será necessária uma atualização anual” da vacina contra a Covid.

É preciso, porém, aguardar estudos para saber se esses reforços serão aplicados anualmente em todos os públicos ou apenas alguns, e se todos os tipos de imunizantes exigirão a reaplicação, como frisa o especialista.

Para alguns grupos, como os imunossuprimidos, a necessidade de dose adicional é clara.

Para Edson, a logística de aplicação da D3 em idosos no Ceará não deve atrapalhar o processo de imunização dos mais jovens e dos adolescentes, que começaram a receber a primeira dose em Fortaleza nesta quinta-feira (26).

O Brasil começou a vacinar em janeiro, já adquirimos o know-how para que o processo da D3 não gere problemas para a finalização do esquema, sobretudo nos grupos mais jovens. O Ceará tem feito um trabalho muito rápido.

Casos de Covid entre idosos

Na nota técnica sobre a dose de reforço, o Ministério da Saúde aponta que “a despeito do notável avanço na vacinação, a população idosa, em especial acima de 70 anos, é ainda a parcela com maiores taxas de incidência e letalidade da Covid, ressaltando a elevada vulnerabilidade mesmo após a vacinação”.

No Ceará, o número de novos casos de Covid entre idosos caiu 86% em agosto, se comparado a janeiro. No primeiro mês do ano, foram 4.613 infecções até o dia 25; neste mês, foram 638 até quarta-feira (25), conforme dados do Integra SUS.

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