Projeto oferta encontros virtuais para quem precisa conversar

Estudantes de Medicina possibilitam espaço virtual de acolhimento para compartilhar experiências e angústias, assim como contribuir para superação de dificuldades durante o isolamento social

Legenda: Projeto “Jovens na Escuta” faz atendimentos remotos durante a pandemia de Covid-19

Quando laços de amizade e carinho são distanciados pelo risco de contaminação por um inimigo invisível, os fios virtuais podem reconstruir teias de acolhimento e solidariedade. Este é o principal objetivo do projeto “Jovens na Escuta”, criado a partir do desejo de estudantes de Medicina de ajudar outros jovens a enfrentarem o isolamento imposto pela pandemia de Covid-19. O projeto é uma parceria entre a Federação Internacional da Associação de Estudantes de Medicina (IFMSA) Brasil, Universidade de Fortaleza e a Comunidade Carmens.

Segundo a professora de medicina e co-coordenadora do projeto, Renata Giaxa, as escutas não são atendimentos ou consultas profissionais em saúde. “Não são feitas intervenções ou orientações clínicas. A escuta empática praticada no Jovens na Escuta promove oportunidade de acolhimento de outros jovens que buscam um espaço para falar livremente, sem julgamentos, compartilhando suas experiências e expectativas, em ambiente de colaboração, respeito e fraternidade”, explica.

Os agendamentos foram abertos no dia 20 de abril, mas o projeto ainda não foi de fato iniciado, o que pode ocorrer “a qualquer momento”, segundo Renata. Para o estudante de medicina Caio Melo Coutinho, 24, o interesse surgiu motivado pela oportunidade de “poder contribuir”. “Acredito que se todos nós dedicarmos um pouco do nosso tempo para atividades benéficas à sociedade, podemos mitigar muitos dos impactos negativos que o mundo está passando”, compartilha.

Contatos

O intercâmbio entre quem precisa falar e quem está disposto a ouvir, na visão dele, pode impactar positivamente a vida das pessoas. “Sabemos que, principalmente durante este período de pandemia, em que grande parte do contato com pessoas importantes em nossa vida está limitado, muitos precisam externalizar pensamentos e sentimentos e, acima de tudo, ser ouvidos”, aponta Caio.

Para Luiza Marques, 22, ações desse tipo são muito importantes para o enfrentamento não só da pandemia, mas de todas as consequências que ela pode deixar. “Acredito que o projeto traz consigo o diferencial de jovens escutarem jovens, tentando, juntos construir um ambiente de mais amor e acolhimento”, pondera.

A estudante de Medicina deseja crescer e aprender mutuamente com as pessoas da escuta. “Estamos todos cheios de incertezas em relação ao cenário atual, mas quando escutamos o outro, estamos também doando algo precioso, que é o tempo, dando o espaço e a importância para a história daquela pessoa que está sendo ouvida e, construímos a partir disso, formas de entender melhor nosso papel individual dentro do coletivo”, finaliza.

Atendimento

Para agendar uma escuta, é necessário enviar uma mensagem privada no Instagram do projeto (@jovensnaescuta). Elas serão organizadas por ordem de procura e disponibilidade de horários. São dez jovens em atuação na escuta e três no campo operacional. Para se tornar um voluntário, o interessado deve ficar atento às chamadas para treinamento na página do projeto. 

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