Povo Tapeba, em Caucaia, é um dos dez mais vulneráveis do Brasil frente ao coronavírus

Principais problemas apresentados pelas lideranças indígenas são a falta de testes, de equipamentos de proteção para profissionais e para a população e a dificuldade na manutenção da renda

Legenda: Segundo as lideranças indígenas, muitas aldeias no Ceará estão implantando barreiras nas comunidades para evitar a entrada de pessoas de fora dos territórios
Foto: Arquivo Pessoal

O povo Tapeba, em Caucaia, é a 10ª comunidade indígena mais vulnerável frente à pandemia do novo coronavírus no Brasil, de acordo com a plataforma “Covid-19 e os Povos Indígenas”, administrada pelo Instituto SocioAmbiental. O Ceará possui mais de 35 mil indígenas em 20 municípios.

De acordo com a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), 30 casos de Covid-19 foram confirmados entre povos indígenas no Ceará. Destes, 25 somente entre o povo Tapeba.

“O problema disso tudo é a subnotificação. Por conta da questão cultural somos um povo que vive em comunidade, com compartilhamento de objetos, questões ritualísticas. A gente tem essa preocupação de uma possível epidemia no Povo Tapeba e demais povos indígenas do Ceará”, afirmou Cassimiro Tapeba, coordenador executivo da Apoinme.

Legenda: A tribo Tapeba aparece em décimo lugar entre as terras mais vulneráveis à Covid-19
Foto: Reprodução

Outra preocupação apresentada pelo grupo é a falta de equipamentos de proteção indivual e produtos de limpeza. “A falta de insumos como material de limpeza para as famílias indígenas, e falta de equipamentos individuais acho que tem sido o ponto de interrogação pros profissionais de saúde indígena”,  disse Cassimiro.

Segundo a Prefeitura de Caucaia, cinco equipes de Saúde da Família Indígena atuam nas unidades de atendimento básico voltadas para a comunidade. Ainda de acordo com a prefeitura, a gestão municipal atua com uma polícia em saúde diferenciada para atender os Tapebas, em parceria com o Estado e a União.

Para o advogado e também representante das lideranças indígenas do Povo Tapeba, Weber Tapeba, a falta de recursos para subsistência é um dos principais problemas para o povo Tapeba. “Nossos povos possuem um perfil socioeconômico em que as atividades produtivas como pesca, agricultura, extrativismo são as principais fontes de renda e com o isolamento essas atividades se fragilizaram. A saída das pessoas para receberem benefícios ajudou nesse aumento de casos”, afirmou.

Reserva Indígena Taba dos Anacés

A reserva Taba dos Anacés também aparece no monitoramento do Instituto SocioAmbiental, como preocupante em relação ao contágio da doença. "As nossas barreiras são difíceis de controlar. Temos muitas pessoas não indigenas morando dentro da aldeia, por conta da demarcarção. A gente tá tentando manter ao máximo possível o isolamento, enquanto liderança. Questão de exames, consulta de prevenção é dificil", conta Roberto Anacé, Cacique da comunidade indígena Japoara.

O Diário do Nordeste entrou em com contato com a Secretaria Estadual de Proteção Social, Justiça, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, para mais informações sobre a situação dos povos indígenas no Ceará.

Covid-19 no Ceará

Até a última a atualização do portal IntegraSUS, às 17h20 desta segunda-feira (18), o Ceará possuia 26.363 casos confirmados e 1.748 mortes por coronavírus. Ao todo, foram 107 novas mortes e 2.108 casos a mais ante o último informe, às 17h11 deste domingo (17), que apontava 1.641 óbitos e 24.255 diagnósticos positivos para a doença.



Mortes por Covid-19 em Fortaleza

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