Pessoas maiores de 60 anos ou fatores de risco podem voltar ao trabalho após 2ª dose contra Covid-19

Autorização consta em decreto estadual. Mesmo com imunização, especialistas recomendam cautela e medidas preventivas.

Legenda: Para imunologista, retorno só deveria ocorrer com maior percentual de cobertura vacinal na população.
Foto: Thiago Gadelha

Três semanas após a segunda dose da vacina contra Covid-19, pessoas com mais de 60 anos ou com outros fatores de risco para a infecção por coronavírus podem voltar a trabalhar presencialmente no Ceará. 

É o que consta no decreto estadual Nº 34.043, do dia 25 de abril de 2021. No entanto, apesar da imunização, especialistas explicam que cuidados devem continuar.

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

Para o médico infectologista Keny Colares, é comprovado que a vacina dá proteção para quem toma, ainda que essa proteção seja parcial. 

“Ela diminui a possibilidade de infecção, mas não a exclui totalmente. Apesar disso, raramente acontecem casos graves entre pessoas vacinadas”, diz o especialista, que é consultor em infectologia da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE).

No entanto, ele afirma que o ideal é seguir utilizando máscaras de proteção, fazer higienização das mãos e cumprir distanciamento social. 

Optar por áreas de atuação com menos contato com o público, segundo Colares, é outra maneira de correr menos riscos ao voltar a trabalhar presencialmente.

Nós não sabemos por quanto tempo precisaremos conviver com essa doença, no Ceará e no mundo, e essas pessoas (idosas) não podem ficar por tempo indefinido fora dos postos de trabalho”
Keny Colares
Infectologista

O decreto estadual também permite a volta presencial de pessoas de grupos de risco que “tenham comprovação de imunidade ou de adoecimento há mais de 30 dias”. 

Ambiente reservado

Após meses de trabalho remoto, João Alves de Menezes, 65 anos, deve voltar ao trabalho presencial no dia 14 de maio, três semanas após a segunda dose. Ele tomou a Coronavac nos dias 29 de março e 23 de abril, respectivamente.

No entanto, o gerente regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) da Região do Médio Jaguaribe vai despachar de uma sala reservada, sem atendimento ao público, e sabe que precisa manter os cuidados sanitários.

“Gosto muito do trabalho, mas ainda fico preocupado. Mesmo teoricamente imunizado, vou continuar usando máscara e evitando contato”, relata.

O imunologista Edson Teixeira explica que é possível adquirir anticorpos após entrar em contato com o vírus por até 5 meses, como sugerem alguns artigos científicos, mas também defende que a preocupação com a proteção contra o vírus deve continuar.

Baixa cobertura vacinal

A flexibilização do isolamento para essas pessoas, segundo Edson, é compreensível, visto que elas estão imunizadas. 

No entanto, ele lembra que, para ter uma segurança ainda maior e menos chances de entrar em contato com o vírus, o País precisaria estar com uma porcentagem maior de pessoas vacinadas.

“Seria muito mais prudente haver esse retorno presencial quando tivesse uma porcentagem muito maior de pessoas vacinadas ou se a gente tivesse observando uma redução muito grande do número de casos e do número de pessoas que demandam hospitalização. É compreensível, mas existem esses pontos que a gente deve ter preocupação”, explica.

No Ceará, a campanha de vacinação contra Covid-19 continua na segunda fase: vacinando pessoas com mais de 60 anos e profissionais da segurança pública. Na terceira fase, pessoas com comorbidades e com deficiências permanentes graves devem ser vacinadas. 

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), 2.066.242 pessoas foram vacinadas até este domingo (2). Desse total, 718.054 - 34,8% - com as duas doses do imunizante.

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