Pele de tilápia: pesquisa do CE leva 1º lugar em prêmio nacional

Projeto sobre uso do material de peixes em queimaduras, feridas, cirurgias ginecológicas e outras aplicações regenerativas concorreu com 1.654 estudos de todo o Brasil, levando 500 mil euros pela primeira colocação

Pesquisa é desenvolvida por médicos do Ceará desde 2014, e soma diversos prêmios
Legenda: Pesquisa é desenvolvida por médicos do Ceará desde 2014, e soma diversos prêmios
Foto: SAULO ROBERTO

O uso da pele de tilápia para tratar queimaduras e feridas ou regenerar tecidos em cirurgias ginecológicas, desenvolvido por cearenses, conquistou a admiração da sociedade e da comunidade científica desde as primeiras aplicações, acumulando premiações. Ontem (24), ganhou mais uma: a pesquisa "A Pele de Tilápia: Um Novo Biomaterial para Tratamento de Queimaduras, Feridas, Cirurgias Ginecológicas e Medicina Regenerativa" venceu o Prêmio Euro Inovação na Saúde, considerado o maior da medicina no Brasil.

Pelo 1º lugar, a equipe do Ceará levou 500 mil euros, o equivalente a mais de R$ 3 milhões. No total, de acordo com a organização do prêmio, foram 1.655 projetos inscritos no Brasil e mais de 15 mil médicos participando do concurso por meio de votação. De acordo com o médico Edmar Maciel, cearense coordenador da pesquisa, a premiação foi dividida em quatro etapas de votação, que duraram cerca de um ano - período que culminou no reconhecimento máximo dos cientistas.

"Isso é um reconhecimento para todo o nosso grupo de pesquisa, e é um orgulho muito grande estar desde o início, coordenar a pesquisa e essa equipe. Além de mostrar que é possível, sim, com seriedade e dedicação, fazer pesquisa no nosso País, no Nordeste e, principalmente, no Ceará", pontua Edmar.

O médico estuda o uso da pele de tilápia em queimaduras desde 2014, e, de lá para cá, as possibilidades de aplicação do recurso foram expandidas. Hoje, a pele do peixe é utilizada para o tratamento de feridas e em cirurgias ginecológicas. Além do Ceará, os estudos são desenvolvidos em mais seis estados e sete países. "Tomou uma dimensão muito grande, já ganhamos 16 prêmios em primeiro lugar. E estamos desenvolvendo vários produtos, estudando em animais, para depois testar em humanos. O prêmio será investido nisso", revela.

O "curativo biológico temporário", como definiu Edmar Maciel, começou a ser utilizado em mais de 50 pacientes do Núcleo de Queimados do Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, em 2017, e foi expandido para outras localidades. Em julho daquele ano, foi instalado o primeiro banco de pele de tilápia do Brasil, na sede do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos, em Fortaleza, com cerca de mil unidades esterilizadas, captadas no município de Jaguaribara.

No último mês de agosto, todo o estoque de 40 mil cm² de pele de tilápia foi oferecido ao Líbano, para ajudar no tratamento de queimaduras das vítimas da explosão que deixou aproximadamente 5 mil feridos, na capital Beirute.

Entre as vantagens do uso da pele animal em queimaduras estão a diminuição das trocas de curativos, causando menos dor e desconforto ao longo do tratamento; além do fato de que a pele animal, segundo os pesquisadores, tem maior quantidade de colágeno dos tipos 1 e 3, proteínas importantes para cicatrização. O material também evita contaminação bacteriana e perda de líquidos por inflamação.

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Redação 30 de Outubro de 2020