Pandemia: parceria entre institutos federais produz respiradores mecânicos de baixo custo

De acordo com a equipe que produziu o respirador mecânico, além de apresentar um baixo custo, tem um tempo de produção mais rápido.

Legenda: Parceria entre IFCE e IFSP produz respiradores mecânicos de baixo custo
Foto: Divulgação

Para enfrentar a pandemia de Covid-19, que tem afetado milhares em todo o Brasil, iniciativas científicas têm se tornado cada vez mais presentes no que pode ser o futuro da doença. Aqui no Estado, uma parceria entre o Instituto Federal do Ceará (IFCE) e o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) foi criada com o intuito de construir protótipo de respirador mecânico de baixo custo, sendo possível auxiliar na demanda crescente dentro das unidades de saúde do País.

O projeto multi-institucional, com o intuito de construir respiradores mecânicos a baixo custo para para suporte às unidades de saúde, já que é uma das maiores necessidades atualmente, teve início ainda no final de março, quando começou o isolamento social, por conta do novo coronavírus, no Ceará, e a lotação nas unidades de saúde ainda não era uma realidade. 

“A necessidade de construção desses respiradores mecânicos de baixo custo, surgiu, primeiro no momento da pandemia, onde veio a necessidade de aquisição desses equipamentos”, contou o professor o pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPI) do IFCE, Wally Menezes, que coordena a equipe de produção no Ceará. A pesquisa reuniu cerca de 15 profissionais, dentre eles sete profissionais da saúde e oito engenheiros do Laboratório de Fotônica do programa de Engenharia de Telecomunicações do IFCE e do Laboratório Maxwell de Micro-ondas e Eletromagnetismo Aplicado do IFSP.

Produção

Com um modelo inspirado em um produzido na década de 1960, a equipe se dedicou a fazer melhorias naquele modelo, com capacidade de ser rapidamente produzido. “Precisava ser um modelo que tivesse uma velocidade de aplicação, porque não dava em plena guerra você enfrentar uma coisa que demorasse muito”, destacou. “A gente incorporou a esse modelo elementos mais modernos, de eletrônica, de dados”, pontua Wally.

O modelo que foi mandado para modelagem em São Paulo, já tem três modelos prontos e, de acordo com o coordenador do projeto, o custo de cada um é de cerca de 500 reais, muito abaixo do custo de respiradores tradicionais. Mesmo ainda sem testes clínicos, as simulações foram um sucesso. “Ele funciona, todas as simulações que realizamos, deram certo. Foi um projeto de unir forças das duas instituições, sem recurso externo, sem empresa de nada”, destaca. “De repente tem uma empresa que se interesse, a gente pode até doar. O Governo, se quiser produzir em massa, a gente poderia doar para isso”, completa.

Além dos pesquisadores e engenheiros dos institutos federais, a ação tem outros profissionais, como o Dr. Juan Mejia, especialista em Extracorporeal Membrane Oxygenation (ECMO), cirurgião cardiovascular, que vê esta iniciativa como importante para salvar vidas. “Dada a situação de emergência, que foi o que nós pensamos, e conseguíssemos fazer um sistema sofisticado e funcional, também contribuiria para ajudar aqueles pacientes que precisassem de um respirador imediatamente, enquanto os outros estivessem ocupados, ou sendo esterilizados”, enfatizou o médico.

O projeto tem alguns passos da legislação a serem cumpridos, como a liberação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passar pelos testes clínicos, que serão feitos no Ceará, com o Dr. Juan Mejia. “A provocação para confeccionar foi o coronavírus. Mas pode ser doado para o Governo, se assim desejar, e é algo muito barato, muito acessível e o melhor, rápido de ser construído, porque a gente pensou em um cenário de guerra”, conclui o professor Wally Menezes.

Além dos institutos federais também estão envolvidos na pesquisa a Fundação Cearense de Pesquisas e Cultura (FUNCEPE), Instituto Iracema, a clínica Citycon e a Universidade Christus. 

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Redação 01 de Dezembro de 2020