No dia da árvore, saiba quais são as 10 espécies símbolos do Ceará

As árvores símbolos do Estado foram escolhidas pelos seus papéis de relevância nas relações dos biomas e no contato afetivo com as comunidades

Jaguaruana, 23 de Outubro de 2017 - Paisagens de Carnaubais, carnauba
Legenda: A carnaúba é uma das 10 espécies de árvores símbolos do Ceará
Foto: Helene Santos

Criado para representar uma das grandes riquezas do meio ambiente e fomentar a preservação da flora, que constantemente vem sofrendo com desmatamentos, o Dia da Árvore ocorre em 21 de setembro no Brasil. Já no âmbito regional, em comemoração à data, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) listou dez espécies consideradas símbolos do Estado.

De acordo com o técnico da Célula de Políticas de Flora da Coordenadoria de Biodiversidade da Sema, Kelven Pinheiro, os tipos de vegetação escolhidos são importantes por estarem em abundância no Ceará, fazendo parte do florestamento e reflorestamento do local, além de se relacionarem às abelhas nativas.

É ainda uma valorização das comunidades interioranas, das comunidades tradicionais que têm uma relação com essas plantas também... o sertanejo, a caatinga, que é o bioma predominante no nosso Estado, então essas espécies têm essa ligação afetiva”
Kelven Pinheiro
Técnico da Célula de Políticas de Flora

“São símbolos do criativismo e da resistência dos biomas, tanto de Mata Atlântica como de Caatinga, que têm no nosso Estado e que têm esse afeto ligado com a nossa história também, tanto com a história antiga como com a atual”, complementa o técnico.

10 espécies de árvores símbolos do Ceará

  • Carnaúba
  • Cajueiro
  • Pau-branco
  • Catingueira
  • Oiti
  • Jucá/Pau-ferro
  • Juazeiro
  • Jurema
  • Sabiá
  • Caraíba

sabia
Legenda: Sabiá registrado em Maranguape.
Foto: Christopher Morais/Divulgação

Árvores são essenciais

Para o doutor em geografia e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio Matos, de modo geral, as árvores têm diversos aspectos de relevância, especialmente para a regulação como para o fornecimento de água.

“São importantes também para o tratamento de resíduos e para a produção de alimentos, matérias-primas, formação de solo, para conter justamente processos erosivos nos ambientes urbanos e são essenciais para a manutenção do microclima”, detalha.

Nós precisamos, portanto, da manutenção da biodiversidade, da manutenção das árvores, de áreas verdes, tanto em áreas urbanas como em áreas não urbanas justamente para a manutenção da nossa qualidade de vida”
Fábio Matos
Geógrafo e professor da UFC

Neste contexto, o especialista reflete que deve haver uma conscientização maior da sociedade sobre o assunto. “Um grande desafio do ponto de vista das temáticas ambientais é trazer isso para o cotidiano da sociedade, para ela entender que ela pertence a todas essas discussões e necessidades que surgem na natureza”.

“O dia da árvore se torna importante porque é um momento que traz uma proximidade maior com o papel que as árvores realizam não somente do ponto de vista da natureza, como se fosse algo isolado da humanidade, mas é justamente um momento para o debate, para refletir o quanto que as árvores são pontos essenciais”, continua.

Além disso, o docente pontua que os desmatamentos e as queimadas ilegais resultam em sérios riscos e fragilidades para o meio ambiente. “A gente vai enfrentar justamente toda a problemática da fragilidade ambiental, que fica cada vez mais exposta para esses avanços do homem de modo indiscriminado que podem vir a ocorrer”.

Matos por fim assinala que este cenário futuro acaba se tornando menos promissor “pela ausência de políticas públicas federais, de modo institucionalizado, que de fato apliquem a fiscalização ambiental no desmatamento que é realizado no país; atualmente acaba sendo o nosso grande desafio”.

845 hectares desmatados

Conforme levantamento do MapBiomas, ferramenta de alerta e análise usada por estados do Nordeste para monitorar a perda de vegetação, o Ceará desmatou 845 hectares de vegetação nativa ao longo de 2019, o equivalente a quatro campos de futebol por dia.

O mapeamento mostra ainda que, das áreas desmatadas no Estado, 818 ha foram de processos irregulares, sem autorização ambiental, o que representa 96,7% do total. No ano passado, segundo o Relatório Anual de Desmatamento, este número saltou para 8.965 hectares, com crescimento dez vezes superior.

201 mil árvores plantadas/doadas

Desde o início do governo de Camilo Santana (PT), a Secretaria do Meio Ambiente informa que plantou, em parceria com empresas, órgãos públicos e universidades, 71 mil árvores e doou, anualmente, em média 130 mil mudas para universidades, prefeituras, organizações não governamentais (ONGs) e pessoas físicas.

Segundo o secretário estadual da Sema, Artur Bruno, o governo tem investido em uma série de avanços no âmbito da política florestal. “A primeira medida foi a ampliação das unidades de conservação (UC), que são áreas que preservam a flora e a fauna”.

carnauba
Legenda: Carnaúba registrada no Parque Estadual Botânico de Caucaia.
Foto: Christopher Morais/Divulgação

Neste sentido, Artur Bruno relata que, no início do mandato da atual gestão estadual, haviam 24 unidades de conservação. Atualmente, o número foi ampliado para 31 e, até o fim do próximo ano, deve abrigar 41 unidades.

cajueiro
Legenda: Cajueiro localizado no Parque Adahil Barreto.
Foto: Christopher Morais/Divulgação

O secretário esclarece também que o Estado conta hoje com três viveiros, onde são realizadas as plantações de mudas para projetos de reflorestamento e de arborização das cidades, sendo o maior deles o Parque Botânico, “que produz em torno de 120 mil mudas/ano”.

Há ainda o viveiro de Pacoti, na Área de Proteção Ambiental (APA) da serra de Baturité, que fornece em média 40 mil mudas por ano e, “em julho deste ano, a Prefeitura de Fortaleza nos presenteou com o viveiro no Adahil Barreto, que também deverá produzir em torno de 40 mil mudas/ano”, detalha Artur.

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Legenda: Jucá registrado na barragem do Rio Cocó.
Foto: Christopher Morais/Divulgação

Além disso, o Estado lançou um inventário da flora cearense por meio do Programa Cientista Chefe. “Hoje nós sabemos exatamente quais são as árvores que nós temos nativas no Ceará e o próximo passo é nós sabermos quais são aquelas que estão ameaçadas ou em extinção, é o próximo trabalho da equipe”, finaliza o gestor.

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