Imunoglobulina, comorbidade, institucionalizado: entenda os termos do cadastro da vacina no Ceará

Com início do cadastramento do público prioritário no Ceará para a imunização contra a Covid-19, candidatos se depararam com termos 'desconhecidos'

Enfermeira segura vacina em cadastro das vacinas no Ceará
Legenda: Cadastro do grupo prioritário para vacina contra Covid-19 iniciou nesta segunda-feira (8), no Ceará
Foto: Mauro Pimentel/AFP

O cadastro de vacina contra a Covid-19 para grupos prioritários iniciou nesta segunda-feira (8), no Ceará. Contudo, em meio aos trâmites para efetivar a inscrição, os candidatos se depararam com termos desconhecidos por muitos, como "institucionalizados", "imunoglobulina" e "comorbidades", além de haver dúvidas sobre o processo comprobatório de doenças. 

De acordo com o Plano de Operacionalização para Vacinação contra a Covid-19 da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), a definição dos grupos prioritários para vacinação contra Covid-19 é discutida e respaldada em critérios epidemiológicos e característica da vacina, “tais como avaliação das incidências (coeficientes de hospitalização e mortalidade), identificação da população com maior risco de adoecimento e agravamento (complicações e óbitos) e necessidade de manter o funcionamento dos serviços de saúde”.

Ao todo, são quatro etapas de vacinação prioritária, sendo a 1ª já iniciada em janeiro - e em andamento, com a imunização de populações indígenas idosos acima de 75 anos, profissionais da saúde e idosos a partir de 60 anos institucionalizados. 

Já as seguintes - 2ª, 3ª e 4ª etapas - abrangem idosos a partir de 60 anos, pessoas com comorbidades, com deficiência permanente grave, caminhoneiros e trabalhadores de alguns setores da Educação, por exemplo.

Cartão Nacional de Saúde

Além dos termos técnicos que confundem a população durante o cadastro, outra dúvida é com relação ao número do Cartão Nacional de Saúde, o qual muitos não sabem se tem ou mesmo onde procurar. Contudo, a Sesa esclareceu na própria plataforma de cadastro que este item é opcional. Entenda abaixo o que significam as palavras mais complicadas para os usuários do sistema.

Institucionalizados

De acordo com as etapas de vacinação, idosos a partir de 60 anos institucionalizados, ou seja, idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), devem ser vacinados ainda na Fase 1, no Ceará, além de pessoas com deficiência vivendo em residência inclusiva (RI).

A população privada de liberdade também está inserida no grupo de institucionalizados. Porém, o calendário de vacinação aponta que o grupo deve ser imunizado contra a Covid-19 na Fase 4 dos grupos prioritários.  

Imunoglobulina

A imunoglobulina é o anticorpo, uma grande proteína em forma de "Y", usada pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar objetos estranhos, como bactérias e vírus. O anticorpo reconhece uma molécula única do patógeno, chamada antígeno.

Pessoas com comorbidades

Candidatos ao cadastramento que tiverem doenças que podem influenciar ou agravar um caso de Covid-19 estão na Fase 3 do grupo de prioridades. Segundo o Plano da Sesa, indivíduos pertencentes a esse grupo poderão estar pré-cadastradas no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), mas aqueles que não estiverem poderão apresentar qualquer comprovante que demonstre pertencer a um dos grupos de risco prioritários (exames, receitas, relatório médico, prescrição médica etc.). Também poderão ser usados os cadastros já existentes nas Unidades de Saúde. 

Conforme o Plano de Vacinação, se enquadram nesse critério pessoas diagnosticadas com as seguintes patologias consideradas comorbidades para Covid-19:

Diabetes mellitus;

Conforme os dados do plano estadual, é qualquer indivíduo com diabetes.  

Hipertensão arterial grave:

Hipertensão arterial resistente (HAR);

São pessoas em que a pressão arterial (PA) permanece acima das metas recomendadas com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de diferentes classes, em doses máximas preconizadas e toleradas, administradas com frequências.  

Hipertensão arterial estágio 3;

PA sistólica maior ou igual a 180mmHg e/ou diastólica maior ou igual a 110mmHg, independente da presença de lesão em órgão-algo (LOA) ou comorbidade.

Hipertensão arterial nos estágios 1 e 2 com lesão em órgão-alvo e/ou comorbidade; 

PA sistólica entre 140 e 179mmHg e/ou diastólica entre 90 e 109mmHg na presença de lesão em órgão-alvo e/ou comorbidade.

Doença pulmonar obstrutiva crônica

Paciente com pneumopatias graves incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística, fibroses pulmonares, pneumoconioses, displasia broncopulmonar e asma grave  — com uso recorrente de corticoides sistêmicos e internação prévia por crise. 

Doença renal

Portadores de doença renal crônica estágio 3 ou mais (taxa de filtração glomerular menor que 60ml/min/1,73 m2) e/ou síndrome nefrótica.

Doenças cardiovasculares e Cerebrovasculares

Insuficiência cardíaca (IC);

IC com fração de ejeção reduzida, intermediária ou preservada; em estágios B, C ou D, independente de classe funcional da New York Heart Association.

Cor pulmonale e hipertensão pulmonar; 

Cor pulmonale crônico, hipertensão pulmonar primária ou secundária. 

Cardiopatia hipertensiva; 

Cardiopatia hipertensiva (hipertrofia ventricular esquerda ou dilatação, sobrecarga atrial e ventricular, disfunção diastólica e/ou sistólica, lesões em outro órgão-alvo).

Síndromes coronarianas; 

Síndromes coronarianas crônicas (Angina Pectoris estável, cardiopatia isquêmica, pós Infarto Agudo do Miocárdio, outras). 

Valvopatias;

Lesões valvares com repercussão hemodinâmica ou sintomática ou com comprometimento do miocárdio (esteno ou insuficiência aórtica, estenose ou insuficiência mitral; estenose ou insuficiência pulmonar, estenose ou insuficiência tricúspide, e outras).

Miocardiopatias e pericardiopatias; 

Miocardiopatias quaisquer etiologias ou fenótipos; pericardite crônica; cardiopatia reumática

Doença da Aorta, dos Grande Vasos e Fístulas arteriovenosas;

Aneurisma, dissecções, hematomas da aorta e demais grandes vasos.

Arritmias cardíacas; 

Arritmias cardíacas com importância clínica e/ou cardiopatia associada (fibrilação ou flutter atriais; e outras).

Cardiopatias congênita no adulto;

Cardiopatias congênita com repercussão hemodinâmica, crises hipoxêmicas; insuficiência cardíaca; arritmias; comprometimento miocárdico. 

Próteses valvares e dispositivos cardíacos implantados; 

Portadores de próteses valvares biológicas ou mecânicas; e dispositivos cardíacos implantados (marca-passo, cardio desfibriladores, ressicronizadores, assistência circulatória de média e longa permanência).

Doença cerebrovascular; 

Acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico; ataque isquêmico transitório; demência vascular.

Imunossuprimidos 

Indivíduos transplantados de órgão sólido são os únicos contemplados no plano nacional, entretanto o plano estadual expande a categoria para outras condições clínicas. São elas:

  • transplantados de medula óssea;
  • pessoas vivendo com HIV e CD4 menor que 350 célula/mm3;
  • doenças reumáticas imunomediadas sistêmicas em atividade e em uso de doses de prednisona ou equivalente a menor que 10mg/dia ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida;
  • demais usuários de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias;
  • neoplasias hematológicas. 

Ao marcar positivamente a opção “Paciente oncológico, transplantado e demais pacientes imunossuprimidos” no sistema de cadastramento, a plataforma indica que “a avaliação de risco benefício e a decisão referente à vacinação ou não deverá ser realizada pelo paciente em conjunto com o médico assistente, sendo que a vacinação somente deverá ser realizada com prescrição médica”.

Com isso, o sistema dá a opção de enviar previamente, via PDF, a prescrição médica no ato do cadastro.

Anemia falciforme

Pacientes com anemia falciforme (distúrbios que faz com que os glóbulos vermelhos fiquem deformados e quebrem).   

Câncer

Pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses.

Obesidade grave

Pessoas com o Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 40.

Síndrome de down

Condição está classificada como comorbidade apenas pelo Estado. 

Cirrose hepática

Somente o plano do Estado considera a doença uma morbidade. 

Escala de gravidade entre as patologias

A partir da análise do perfil dos casos hospitalizados ou óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 no Brasil, o Ministério identificou, a partir de pesquisas publicadas, que, quando comparados os dados, existe uma escala de maior risco, chamada de sobrerrisco (SR), para hospitalização entre as doenças crônicas classificadas como comorbidade.

Comorbidades que oferecem mais risco de internação:

  • diabetes mellitus (SR = 4,2)

  • doença renal crônica (SR = 3,2)

  • pneumopatias crônicas (SR= 2,2).

Doenças que oferecem maior risco evolução para óbito:

  • diabetes mellitus (SR = 5,2)

  • doença renal crônica (SR = 5,1)

  • pneumopatias crônicas (SR= 3,3)

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