Idosos, adultos ou jovens? Veja as faixas etárias de quem ainda está morrendo por Covid-19 no Ceará

Dados indicam que, apesar de redução importante, o vírus continua circulando no Estado e sendo capaz de gerar casos de maior gravidade

Legenda: Ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que atendem a casos mais graves da Covid-19, está em 34% nesta sexta-feira.
Foto: José Leomar

58% da população total vacinada com, pelo menos, uma dose contra a Covid-19 em todo o Estado do Ceará. Distribuição constante de vacinas para todas as cidades. Capital com cerca de 70% das pessoas com D1 em dia. Idosos, pessoas com comorbidades e trabalhadores de diferentes áreas já imunizados. 

A cobertura da vacinação, mesmo ainda abaixo dos 90% indicados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), tem avançado. Contudo, uma situação ainda preocupa: praticamente todos os dias morrem pessoas vítimas da doença. Mas quais faixas etárias ainda apresentam óbitos? 


 
Uma constatação é que, após o pico em abril, o Ceará atravessa uma significativa queda de mortes. Em julho, mês que marcou os seis meses de vacinação no Estado, foram 459 óbitos, 64% a menos que junho, que teve 1.280.

Agosto seguiu uma tendência ainda maior de redução (74%) quando comparado a julho. Foram 119 mortes, uma média de quase quatro por dia. Os dados foram retirados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), nesta sexta-feira (3).

O poder público ainda não disponibilizou dados detalhando se essas pessoas foram ou não vacinadas contra a Covid-19. Por isso, a faixa etária é um dos únicos indicadores que pode ser aferido em plataformas de transparência para a avaliação do atual cenário epidemiológico.

O primeiro óbito pela variante Delta confirmado no Ceará, por exemplo, foi de um homem de 45 anos que não estava vacinado. Residente de Fortaleza, ele tinha quadro de obesidade e faleceu no dia 29 de agosto, após passar mais de 20 dias internado em um hospital particular.

Diferenças de idade

Nos últimos dois meses, os idosos acima de 60 anos continuam sendo o grupo que mais morre pela doença, respondendo por 55% do total. Mas não de forma igual: quanto maior a faixa etária, maior a gravidade. 

Entre aqueles com mais de 80 anos, o percentual chega a 24%. Ou seja, a cada quatro óbitos, cerca de um foi nessa idade. Em seguida, vêm os adultos de 55 a 59 anos, com 12% do total.

Uma das vítimas desse grupo, no início de julho, foi a professora da rede estadual Maria do Espírito Santo Barbosa Campelo, 56 anos, em Morada Nova. Mesmo vacinada com a primeira dose da vacina há cerca de um mês antes, ela contraiu a Covid-19 e teve complicações.

"Ela sempre será lembrada como uma pessoa especial para todos. Uma professora exemplar, sensível a ouvir quem a procurava. Sua partida repentina deixou um enorme vazio em meu coração", comenta o sobrinho, Jarson Barbosa.

A população adulta jovem de 20 a 39 anos, considerada mais saudável, responde por quase 10% dos óbitos. Embora o percentual seja baixo, foram 57 mortes nos últimos dois meses.

Crianças e adolescentes de 0 a 19 anos permanecem como o grupo com menos óbitos (1,56%), mas ainda assim registraram nove mortes. Seis delas ocorreram em crianças de até quatro anos.

Alerta sobre a Delta

O infectologista Keny Colares, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), explica que pesquisadores da área estão em alerta quanto à variante Delta, que já tem quase 100 casos identificados em todo o Estado.

Ela tem capacidade de transmissão duas vezes maior que o vírus original. Se, no começo, cada infectado transmitia para dois ou três indivíduos, aparentemente essa infecta cinco ou seis. Pode causar infecção com 1.000 vezes mais quantidade de vírus e transmitir muito bem para pessoas que já foram vacinadas.

O médico diz que, em alguns estudos, a Delta parece ter capacidade de driblar a proteção de vacinas e anticorpos, mas isso ainda “não está bem determinado”.

“As vacinas protegem contra as variantes, umas mais e outras menos. Não existe ainda uma em que as vacinas tenham zero de proteção, mas as medidas de proteção com máscaras, distanciamento e ventilação ainda devem ser utilizadas”, lembra Colares.

Imunização de jovens

A vacinação segue a ampliação para adolescentes de 12 a 17 anos desde o fim de julho. Até a última quinta (2), conforme o vacinômetro estadual, 71 dos 184 municípios cearenses já começaram a imunização desse público.

Ao todo, mais de 61 mil jovens já receberam a primeira dose. No geral, 5,38 milhões de pessoas tomaram a D1, até o momento, e 2,52 milhões estão com o esquema vacinal completo.

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