Em meio à pandemia, empresas de transporte coletivo de Fortaleza vendem parte da frota de ônibus

Atualmente, há um desfalque de cerca de 200 ônibus no transporte coletivo de Fortaleza em comparação com o período pré-pandêmico, informou o Sindiônibus (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará)

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Legenda: Mesmo com as vendas dos veículos, o Sindiônibus alega que os passageiros não estão sendo afetados
Foto: Natinho Rodrigues

Com a crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, empresas responsáveis pelo transporte coletivo de Fortaleza optaram por vender parte de seus ônibus. A medida foi divulgada  nessa sexta-feira (26), em uma audiência realizada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), que convocou entidades da área para falar sobre as aglomerações presenciadas nos terminais da Capital e nos coletivos.

Conforme o Sindiônibus (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará), a venda de parte da frota foi necessária para que as empresas pudessem arcar com o pagamento dos fornecedores e dos salários dos funcionários. Durante a audiência realizada por videoconferência, o presidente executivo da instituição, Dimas Humberto Silva Barreira, chegou a falar sobre a comercialização dos veículos. 

"Se a gente quisesse hoje colocar aquela frota para operar, de antes da pandemia, a verdade é que a gente nem tem essa frota mais, pois nesse período o prejuízo foi sendo muito grande e nossa preocupação foi nunca colapsar o serviço. A gente teve que vender alguns ônibus para as empresas operarem", afirmou Dimas. 

Segundo ainda o Sindiônibus, antes da pandemia, "em momentos de total normalidade", a comercialização dos coletivos é uma conduta normal das empresas que a fazem para "atualizar sua frota, mantendo a idade média, se adequando à quantidade de ônibus disponíveis e suas características".

O Órgão informou ainda que vai continuar prestando assistência às companhias durante esse período pandêmico.

Menos ônibus circulando

Durante a conferência, o presidente executivo do Sindiônibus pontuou a diminuição da frota e de passageiros durante a pandemia. Conforme Dimas, antes da disseminação da Covid-19, havia a circulação de 1.751 ônibus em Fortaleza.

Hoje, com o acréscimo de 200 veículos à frota reduzida, operam 1.549 automóveis, 202 a menos. Para ele, no entanto, o saldo é positivo já que há também a diminuição de passageiros em 45%. 

Mesmo com as vendas dos veículos, o Sindiônibus garantiu que atualmente os passageiros não estão sendo afetados. A ação, segundo o Órgão, "não compromete a atual prestação de serviço com a frota reforçada". 

A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) também endossou a diminuição de passageiros no transporte coletivo, na Capital. Conforme o Órgão, "a demanda de passageiros no mês de fevereiro chegou a 480 mil por dia", sendo a menor média de 2021. Segundo a companhia, antes da pandemia, a média era de 920 mil ocupantes diários.

Apesar dessa redução, em terminais de Fortaleza, é possível ver aglomerações que contrariam as medidas restritivas para impedir a disseminação do novo coronavírus.

Medidas para combater aglomerações 

Durante a audiência pública do MPCE, o Órgão cobrou medidas das instituições responsáveis pelo transporte coletivo para o combate às aglomerações presenciadas nos ônibus e terminais de Fortaleza.

Entre as ações propostas, estão o controle das filas, limite de passageiros, reforço na higienização dos ambientes e, também, fiscalização. 

No encontro, ficou decidido que irá ser oficiado ao secretário da Casa Civil do Estado, Chagas Vieira, o fornecimento de informações relativas à proposta de escalonamento e reordenamento de horários das atividades dos comércios. Os dados serão usados para o planejamento do distanciamento entre passageiros. 

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