Confira o cenário epidemiológico da semana antes da flexibilização do lockdown em 2020 com o atual

De acordo com a plataforma IntegraSUS, o índice atual de ocupação no Estado é de 92,41%, superior aos 90,48% do último dia do primeiro lockdown, em maio de 2020.

Legenda: Demanda por leitos de UTI continua acima de 90% em todo o Ceará.
Foto: José Leomar

O governador Camilo Santana anunciou, no  último dia 4, que vai iniciar o processo de reabertura gradual de atividades a partir do dia 12 de abril.  Após o lockdown decretado para todo o Estado desde o dia 13 de março, observa-se uma redução nos números absolutos de casos e óbitos por Covid, mas a ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) segue superior a 90%.

Entre 6 e 12 de março, na semana imediatamente anterior ao lockdown em todo o Ceará, o Estado registrou 27.060 casos da doença, bem como 577 óbitos.

Os dados são da plataforma IntegraSUS, gerida pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), e foram colhidos às 10h de quarta-feira (7).

Já nos últimos sete dias, entre 31 de março e 6 de abril, foram contabilizados 6.557 casos e 370 óbitos. As reduções nos indicadores foram de 75,7% e 35,8%, respectivamente. No entanto, as informações desse período não estão consolidadas e ainda podem ser atualizadas conforme novos diagnósticos positivos forem liberados e inseridos na plataforma.

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

Apesar das melhorias, a taxa de ocupação das UTIs piorou no mesmo intervalo de tempo. Em 12 de março, 91,48% dessas unidades tinham pacientes internados. Nessa quarta-feira (7), o índice era de 92,41%, superior aos 90,48% atingidos em 31 de maio de 2020, último dia do primeiro lockdown no Ceará.

A porcentagem de internações é ainda mais alarmante ao se comparar quantidade de leitos Covid nas duas ondas. Enquanto em 2020 o Estado chegou a ter 2.951 unidade de UTI e enfermaria. Atualmente, são pelo menos 4.828, ou seja, 63% a mais.

Dados sinalizam positivamente, mostrando que esse isolamento social rígido tem trazido resultados importantes, estamos diminuindo o número de casos
Camilo Santana
Governador do Ceará em anúncio no último domingo (4)

Epidemiologista e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luciano Pamplona diz que há vários aspectos que justificam a alta taxa de ocupação de UTIs Covid, apesar da queda de casos e óbitos em 2021. 

Um dos pontos diz respeito ao próprio conhecimento e agravamento da doença pela nova variante. Outro aspecto, aponta o especialista, é que muitos idosos já se encontram vacinados. Com isso, mudou o perfil das pessoas internadas em estado grave.

"Hoje, os pacientes são internados mais precocemente. São internados pacientes mais jovens e que passam mais tempo ocupando um leito".

Para Pamplona, apesar do cenário epidemiológico continuar preocupante, o Governo não deve esperar uma redução maior nos leitos para iniciar a flexibilização das atividades econômicas, pois o "custo social do lockdown é muito grande". 

"O lockdown não é uma medida principal de controle [da disseminação do vírus], é uma medida desesperada. É a última estratégia. Não dá pra permanecer por tanto tempo [em vigor] porque o povo está com fome". 

Isolamento rígido

Analisando os números absolutos de casos e óbitos deste ano, a tendência para a reabertura das atividades é mais favorável do que após o isolamento social rígido em vigor por 24 dias no ano passado, durante a primeira onda de casos no Estado.

A semana anterior ao primeiro lockdown (1º a 7 de maio de 2020) registrou 16.773 casos e 745 óbitos. Com o isolamento rígido, os números passaram para 15.210 e 875, entre 24 e 31 de maio, caracterizando redução de 9,3% e aumento de 17,4%, respectivamente.

À época, a situação das UTIs também se tornou mais sensível durante o lockdown: a taxa de ocupação cresceu de 79,08%, em 7 de maio, para 90,48%, em 31 de maio. 

Mesmo assim, a partir de 1º de junho, o Governo autorizou a retomada de atividades econômicas e comportamentais de 17 setores, como consultórios médicos e odontológicos, construção civil e indústrias.

A transmissão do vírus, segundo Pamplona, já "diminuiu bastante", pois o período de maior pico no Ceará foi registrado em março. "A gente vai começar agora a diminuir [casos e óbitos], enquanto vários estados vão começar a aumentar. O nosso cenário local não está bom ainda, mas começou a melhorar".

Mesmo que as circunstâncias estejam mais favoráveis à flexibilização, o momento demanda ainda mais cuidados, reforça Pamplona. "Ao passo em que [o Governo] vai flexibilizar, tem que cobrar, fiscalizar ainda mais o uso de máscara. Flexibilizar não quer dizer libera geral, mas voltar com responsabilidade para manter o nível intermediário de segurança da atividade econômica". 

Capital

Hoje, Fortaleza vive um cenário semelhante ao do Ceará. Neste ano, a cidade iniciou o lockdown uma semana antes do Estado, em 5 de março.

Na semana anterior à medida, entre 26 de fevereiro e 4 de março, foram 9.960 casos confirmados. Já nos últimos sete dias, entre 31 março e 6 abril de 2021, foram 2.742 - um decréscimo de 72,4%, segundo levantamento do IntegraSUS.

Em relação a mortes por Covid, a Capital também verificou redução de 200 para 113 entre os dois períodos, representando uma queda de 43,5%.

Porém, ao contrário da situação estadual, Fortaleza também teve diminuição na ocupação de UTIs, embora ainda tímida: a taxa passou de 94,13%, em 4 de março, para 92,17%, nessa quarta (7).

Legenda: Atualmente, 937 pessoas aguardam transferência para algum leito no Ceará, segundo o IntegraSUS.
Foto: Camila Lima

Alerta estadual

Atualmente, de acordo com o mapa de alerta do IntegraSUS, 179 dos 184 municípios cearenses têm risco “altíssimo” para transmissão da doença.

Outros quatro estão no nível "alto": Jaguaribara, Pereiro, Barro e Mauriti. Apenas Ererê tem situação caracterizada como de risco “moderado”. Nenhuma cidade está no nível “normal”.

De forma geral, a ferramenta indica que o Estado tem tendências estabilizadas de incidência de casos, internações e letalidade.

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