Ceará soma quase 5 mil mortes domiciliares em 2021; maioria por doenças cardíacas, Covid-19 e AVC

A faixa etária mais acometida são as mulheres entre 80 a 89 anos, com 680 mortes; seguida de homens entre 80 a 89 anos, com 636 mortes

Cemiterio
Legenda: Segundo especialista, as doenças cardiovasculares são as principais causas de óbitos ao redor do mundo no geral.
Foto: Thiago Gadelha

Até esta quinta-feira (20), o Ceará soma 4.892 mortes domiciliares no ano de 2021. Dentre as principais causas, estão as doenças cardiovasculares inespecíficas (568), o coronavírus (426), os acidentes vasculares cerebrais (397) e os infartos (329). Se comparado com o mesmo período do ano passado, houve um redução discreta de 5% nas mortes em casa. As informações são do portal da transparência do Registro Civil. 

De janeiro a 20 de maio de 2020, o Ceará contabilizou 5.175 mortes em casa. As causas seguiram essa ordem: AVC (390),  pneumonia (345), doenças cardiovasculares inespecíficas (342) e os infartos (337). Mortes por Covid (302) entraram como sexta causa, atrás de insuficiência respiratória (317). No entanto, o pico da covid no ano passado começou a acontecer em maio.

Durante todo o ano passado, o número de óbitos domiciliares no Ceará foi de 12.376. Destes, 1.066 foram ocasionados por doenças cardiovasculares inespecíficas; 966 por acidentes vasculares cerebrais (AVC); 843 por infartos e 548 decorrentes da Covid-19. 

Os levantamentos se fundamentam nas estatísticas de Declarações de Óbito registradas em cartórios das cinco regiões do País, sendo considerada apenas uma causa de óbito para cada documento.

Perfil

A faixa etária mais acometida, em 2021, são as mulheres entre 80 a 89 anos, com 680 mortes; seguida de homens entre 80 a 89 anos, com 636 mortes. Logo após estão as mulheres de 90 a 99 anos, com 540 óbitos; e os homens de 70 a 79 anos, com 538 falecimentos.

De acordo com a médica cardiologista e doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade de Fortaleza (Unifor), Danielli Lino, a qual atua na emergência do Hospital do Coração de Messejana, as doenças cardiovasculares, no geral, são as principais causas de óbitos ao redor do mundo, “principalmente o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC)”.

Além disso, neste período pandêmico, Danielli esclarece que é de suma importância que os pacientes cardíacos tenham cuidados adicionais com a Sars-Cov-2 por serem parte dos grupos de risco, buscando o atendimento hospitalar caso apresentem sintomas iniciais da doença.

“Esses pacientes devem continuar fazendo acompanhamento com os seus médicos - sem interrupções de medicamentos - e seguindo os protocolos de contenção da Covid-19, com o uso de máscaras e assepsia das mãos, além de evitar aglomerações”, comenta a médica.

Os sintomas mais comuns

Segundo o cardiologista, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro titular da Academia Cearense de Medicina, Ricardo Pereira Silva, os sintomas mais comuns das doenças coronarianas - como os ataques cardíacos - são as “dores na região precordial [área na frente do coração] ou na região retroesternal [área central do tórax]”.

“Essas dores podem migrar para o pescoço, para a mandíbula e para o braço esquerdo, podendo eventualmente, na ocasião do infarto, serem acompanhadas de náuseas e sudorese fria”, explica o especialista.

Já no caso do acidente vascular cerebral pode haver uma perda da consciência do paciente ou não. “Normalmente, há desvio da comissura labial [ponto de união dos lábios], que fica repuxada para um dos lados; pode haver também um déficit motor - diminuição da força muscular em qualquer um dos membros - e uma dificuldade em articular bem as palavras”, pontua Ricardo.

Cuidados necessários

O cardiologista destaca ainda que os cuidados que as pessoas devem tomar para diminuir as ameaças de doenças cardiovasculares estão relacionados aos fatores de risco. Assim, é necessário que haja um controle da obesidade, da diabetes e da pressão arterial

Se o indivíduo for sedentário, a prática do exercício físico também diminui o risco cardiovascular”
Ricardo Pereira Silva
Cardiologista e professor da UFC

Além disso, Ricardo relata que é importante fazer uma diminuição do sal e de gorduras saturadas na alimentação, como as carnes gordas, ovos, queijos, entre outros. “O indivíduo deve ter um estilo de vida o mais tranquilo possível”.

Essas são as orientações seguidas pela empresária Gláucia Pinheiro, 49 anos, que possui hipertensão e sopro na válvula mitral decorrentes de uma miocardiopatia dilatada. Além de fazer uso de medicações, ela sempre busca ter uma alimentação saudável. 

“Como frutas, verduras e [tomo] ômega 3, tenho que incluir peixe na minha dieta. Faço também exercícios físicos e caminhadas, mas nada competitivo que possa me levar à exaustão”, detalha a empresária.

A paciente cardíaca explica ainda que realiza consultas periódicas com os médicos para monitorar a saúde. “De três em três meses, eu tenho que tá no médico fazendo exames de rotina de laboratório e de imagem. Hoje (20), por exemplo, eu tô com um ecocardiograma marcado e, na semana que vem, eu tô com um exame de MAPA [Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial], que você fica 24 horas com um aparelho”.

A paciente cardiopata Gláucia Pinheiro com o seu cartão de vacinação contra a Covid-19
Legenda: A paciente cardiopata Gláucia Pinheiro com o seu cartão de vacinação contra a Covid-19
Foto: Arquivo Pessoal

Vacinação do grupo de risco

Além disso, Gláucia Pinheiro conta que tomou a primeira dose da vacina Pfizer contra a Covid-19 no último dia 15, o que gera mais segurança para a sua condição cardiopata. A fase três da Campanha de Vacinação iniciou no dia 5 de maio, em Fortaleza, englobando pacientes com comorbidades, deficiência permanente, grávidas e puérperas.

Desejo de coração que cheguem logo vacinas para todos”
Gláucia Pinheiro
Empresária e paciente cardiopata

No caso da paciente Iranilda dos Santos, 48 anos, que possui arritmia cardíaca e cardiomegalia, a esperança da vacinação está a deixando ansiosa. “Estou com muita vontade de ser vacinada, todos os dias de manhã olho o meu WhatsApp para ver se já fui chamada. Tenho fé e esperança que vai chegar logo a minha vez, não vejo a hora”.

“Eu tive muito medo de pegar a Covid-19, fiquei em casa o tempo todo e pedia para os meus filhos fazerem as compras. Foi um pavor bem grande no início, mas graças a Deus não minha família não teve casos”, continua.

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