Atendimentos por síndromes gripais em UPAs de Fortaleza crescem 42% na primeira quinzena de dezembro

Especialistas recomendam procurar serviços de saúde assim que surgirem os primeiros sintomas.

Escrito por Lygia Azevedo e Nícolas Paulino , metro@svm.com.br

Metro
Legenda: Segundo IntegraSUS, crianças estão entre os principais grupos em busca de atendimento.
Foto: Fabiane de Paula

Atendimentos médicos por síndromes gripais cresceram 42% na primeira quinzena de dezembro, em comparação ao mesmo período de novembro, nas 12 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza monitoradas pela plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

De 1º a 15 de novembro, foram 3.298 casos atendidos - média de 219 por dia. Já de 1º a 15 de dezembro, foram 4.684, uma média de 312 a cada 24 horas

Na última semana, a Sesa fez um alerta sobre a circulação de outros vírus respiratórios além do coronavírus. Diversos estados brasileiros, sobretudo o Rio de Janeiro, vêm registrando surtos de influenza.

Em Fortaleza, duas faixas etárias lideram a procura por atendimentos. Em dezembro, jovens de 20 a 24 anos (813 casos) e crianças de 0 a 4 anos (610 casos) exigiram maior atenção do sistema de saúde. No mês anterior, os dois grupos já eram predominantes: 555 casos nas crianças e 478 nos jovens. 

O médico infectologista Igor Carvalho, que atua da UPA Conjunto Ceará, confirma o aumento da procura nas últimas duas semanas, num cenário inesperado “porque ainda não é o período chuvoso” que vai de fevereiro a maio.

Para ele, ainda é cedo para apontar as causas do crescimento, mas uma hipótese é a menor cobertura pela vacina da influenza neste ano. Conforme a Sesa, o percentual de 76% atingido até o início de dezembro foi o menor em 23 anos. A meta é 90%.

Segundo Igor, a maioria dos pacientes relata sintomas de tosse, coriza, congestão nasal, febre elevada e dores no corpo.

“Em sua maioria, têm sido atendimentos de eixo 1, de consultório, que tem conseguido voltar para casa por não apresentarem gravidade como dispneia (dificuldade de respirar) e necessidade do oxigênio”, relata.

Diagnóstico por teste

Lisandra Damasceno, infectologista do Hospital São José (HSJ), explica que as síndromes gripais comuns têm sintomas muito parecidos aos da Covid-19, só sendo possível diferenciá-las a partir de exames genéticos feitos em laboratório.

Por isso, a recomendação é procurar o serviço médico após os primeiros sintomas respiratórios, para realizar os testes, confirmar ou descartar a Covid e ser orientado sobre o período de isolamento.

De acordo com a médica, a gripe comum se resolve em cerca de sete dias, mas pode ter casos mais agravados em idosos, crianças, gestantes, obesos e pessoas com doenças pulmonares crônicas.

“As pessoas devem procurar a vacinação, embora a vacina ofertada hoje no sistema público não tenha cobertura para a variante do vírus H3N2. É uma variante nova, mas a vacina evita evolução de uma forma mais grave”, destaca.

Como identificar e prevenir a gripe

O diagnóstico de síndrome gripal ocorre quando o indivíduo possui quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois dos seguintes sinais e sintomas: febre, calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos e/ou gustativos. 

Em crianças, além desses, considera-se também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico. Em idosos, devem ser considerados confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e ausência de apetite.

Entre as medidas preventivas mais indicadas para impedir a transmissão, de acordo com a médica Lisandra Damasceno, estão: 

  • lavar as mãos, punhos, unhas e espaços entre os dedos com água e sabão com frequência (se não puder, usar álcool em gel); 
  • evitar levar a mão ao rosto; 
  • utilizar máscaras descartáveis; 
  • manter os ambientes ventilados e evitar aglomerações; 
  • se estiver com sintomas de gripe, não cumprimentar as pessoas com abraços, beijos ou apertos de mãos; 
  • evitar contato próximo com pessoas que apresentem sinais e sintomas gripais.

“O ideal é vir no início dos sintomas para realizarmos uma abordagem inicial e conseguirmos agir rapidamente”, reforça o médico Igor Carvalho.

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