6 a cada 10 pacientes que usaram Elmo para tratar Covid em Fortaleza não precisaram de intubação

Mais de 1.900 pessoas já utilizaram o capacete na rede pública do Ceará

Foto do capacete Elmo
Legenda: Capacete Elmo é utilizado na rede pública e privada de Fortaleza
Foto: Kid Júnior

Aliado do tratamento contra a Covid-19, o capacete Elmo tem demonstrado eficácia em pacientes com comprometimento da oxigenação do sangue. De acordo com dados preliminares da Escola de Saúde Pública do Ceará, cerca de 60% das pessoas que utilizaram o Elmo em Fortaleza não precisaram ser intubadas. Ou seja, seis em cada 10 pacientes conseguiram se recuperar sem um procedimento mais invasivo. 

Os dados dizem respeito aos pacientes do Hospital Leonardo da Vinci, Hospital São José, Hospital de Messejana, e Hospital Geral de Fortaleza, segundo o idealizador do capacete, o médico intensivista e pneumologista Marcelo Alcântara. Apesar do Elmo já ser utilizado no interior do Estado e também em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ainda não há dados consolidados da resposta ao tratamento nesses locais.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), o Elmo já foi utilizado por 1.968 pacientes em todo o Ceará. As unidades que mais utilizam o equipamento são as nove UPAs de Fortaleza, com 767 pacientes já tratados com o capacete, e o Hospital Geral de Fortaleza, que já implementou o tratamento em 375 pessoas. 

Também utilizada na rede particular, a Elmoterapia foi implantada no Hospital Regional da Unimed Fortaleza e apresentou resultados similares. Desde novembro, quando começou a ser utilizado, cerca de mil pacientes fizeram o uso do equipamento. Destes, 588 tiveram melhora no quadro clínico e se recuperaram sem precisar da intubação.

“O fato de não ir para a intubação, eu diria que diminui bastante a questão do óbito”, afirma Débora Arnaud, coordenadora do serviço de Fisioterapia do Hospital Unimed. 

Quando iniciou o uso, a Unimed tinha 40 equipamentos. Com o sucesso da terapia, foram comprados mais 264 capacetes. “Infelizmente, por um lado, aumentou muito o uso porque os casos de Covid estouraram, mas a adesão dos profissionais de saúde e o relato dos pacientes quando eles usam têm sido excelentes”, diz Marcelo Alcântara.

Tratamento usado também em pacientes extubados

Utilizado tanto em enfermarias quanto em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o Elmo ajuda também pacientes que já passaram pela intubação e estão recuperando a respiração e coordenação motora. “Isso é feito para que aquela oferta de oxigênio seja benéfica a ele e ele continue sem a necessidade de um tubo outra vez, que é a reintubação, que aumenta muito os casos de morte”, diz Débora. 

A profissional explica que, nesses casos, o capacete é utilizado para quem “está bem da parte respiratória, mas não consegue fazer a reabilitação motora”, devido ao grande período imobilizado. O tratamento faz com que os pacientes consigam voltar a ir ao banheiro sozinhos e a tomar banho de forma independente. 

“O Elmo nos ajuda a proporcionar ao paciente uma autonomia, e isso para o psicológico do paciente é fundamental, porque ele acredita que está realmente se recuperando”
Débora Arnaud
Coordenadora de Fisioterapia da Unimed

O Elmo em vez da intubação

Para o servidor público Fábio Santiago (39), o Elmo foi responsável por boa parte da recuperação dele. Quando esteve internado no hospital Leonardo da Vinci, no fim de novembro de 2020, ele foi uma das primeiras pessoas da unidade a utilizar o capacete. 

Já na UTI e com 85% do pulmão comprometido, os médicos sugeriram que Fábio tentasse o equipamento em vez da intubação. “Assim que eu vi o capacete, a impressão que eu tive de antemão foi de pavor. Mas quando eles conseguiram fixar o capacete, pronto. Quando deu 30 minutos, eu atingi uma confortabilidade que eu não sei te descrever. Consegui estar muito bem dentro do capacete”, relembra.

Com o Elmo, Fábio conseguia comer por uma abertura na frente do equipamento e se comunicar com a equipe médica. No primeiro dia, ele chegou a ficar 15 horas com o capacete devido à alta quantidade de oxigênio que precisava. Ao todo, o paciente utilizou o Elmo por cinco dias e reverteu a necessidade de intubação.

“O Elmo devolveu eu pra minha casa, pra minha vida, pra minha família”, diz Fábio. O servidor ainda passou meses se recuperando da infecção pelo coronavírus, que deixou sequelas respiratórias e motoras. 

Aperfeiçoamento e Elmo 2.0

Junto da força tarefa criada pela Escola de Saúde Pública do Ceará, da onde é superintendente, Marcelo Alcântara afirma que o projeto para o Elmo 2.0 já está sendo realizado. A ideia é aprimorar o equipamento.

“Queremos aumentar a segurança dele, para que as pressões que ele gera dentro do capacete sejam medidas continuamente e a quantidade de oxigênio que a gente dá pro paciente também possa ser medida. São melhorias tecnológicas que queremos desenvolver aqui no Ceará”, diz Marcelo. 

 

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