Em alta, crochê e tricô atraem novas artesãs cearenses; confira peças

Artes manuais integram rotina de uma geração cada vez mais jovem

fios
Legenda: No crochê, utiliza-se uma agulha e linha. Já no tricô, tradicionalmente, são duas agulhas e lã
Foto: Mabel Amber/Pixabay

A cena é clássica: uma vovó de cabelos branquinhos passa horas sentada em uma poltrona enquanto manuseia fios e agulhas, dando vida a diferentes peças. Agora substitua a imagem da vovó pela das filhas e netas, porque uma geração cada vez mais jovem tem se interessado em aprender e até mesmo trabalhar com artes manuais.

Giovanna Murinelli, de 24 anos, ilustra bem isso. Em janeiro de 2019, ela começou a exercitar o crochê como um hobbie de férias, antes de iniciar o curso de Medicina, no segundo semestre daquele ano. 

Com a avó, já tinha obtido uma noção de bordado na infância, mas a nova técnica aprendeu toda a partir de vídeos no YouTube. Em seis meses, a cearense abriu uma loja virtual para divulgar as bolsas que desenvolveu. Assim, além de hobbie, a atividade se tornou um importante complemento financeiro para Giovanna. 

Legenda: Bolsas de crochê @amorefio

Benefícios 

Listar as vantagens da atividade é tarefa fácil para a estudante. “A rotina da faculdade é estressante e cansativa e sinto que cada vez mais nosso tempo na frente das telas vem aumentando, então o crochê, além de me ajudar a diminuir o estresse, me ajuda também a sair um pouco do mundo virtual”, conta.

A jovem também reconhece a prática como um exercício de paciência e autocuidado.

​Habilidades manuais são úteis na prevenção de doenças, e não consigo conter a felicidade quando vejo cada peça pronta, linda e sendo usada por alguém!”, expõe.
Giovanna Murinelli
Artesã e estudante de Medicina

Na Prainha, em Aquiraz, a artesã Arlene Pereira dos Santos, 34 anos, partilha dessas mesmas impressões. Filha de pescador e rendeira, ela teve o primeiro contato com ofícios manuais ainda na infância. Aos 13, uma tia ensinou-lhe o ponto básico do crochê.

“Sempre achei essa arte linda e ficava imaginando as peças que minha tia fazia sendo feitas por mim. Só comecei a levar a sério mesmo com a pandemia, pois até então não fazia para vender”, conta ela, exibindo a coleção de biquínis, sousplat, tops, shorts e outras coisas que faz.

Legenda: Peças de crochê produzidas por Arlene

Além de ser sua única fonte de renda no momento, o crochê tornou-se terapia.

Acalma, ajuda na concentração, na coordenação motora e na memória, pois tem que ficar contando sempre”, enumera.
Arlene Santos
Artesã

Tricô mesmo no calor

E quem disse que no Ceará não se pode fazer peça de lã? No começo deste mês de agosto, vários iniciantes no tricô se reuniram para aprender um pouco mais dessa técnica com a gestora da Pé de Pano Escola de Artes e Trabalhos Manuais, Maria Castro.

“Herdamos habilidades de nossas bisas, avós, mães. Trazemos isso guardado na célula, no gen, e assim como podemos seguir a mesma trama, podemos também cortar alguns fios, guardar suas pontas, emendar nova linha colorida e começar um novo ponto”, aponta a artesã.

Oficina da Escola Pé de Pano
Legenda: Oficina da Escola Pé de Pano
Foto: Thayane Reis

A assistente administrativa Marília Damasceno Costa, 38 anos, foi uma das que buscou saber mais sobre o tricô de dedo (sem agulhas) com Maria. 

Quando começamos a fazer, é bem engraçado, é uma junção de sentimentos, vem a falsa sensação de que não vamos conseguir, o medo de fazer errado, a vergonha de não fazer, a raiva de não estar acertando, mas aí quando a gente vê que tá conseguindo é muito bom, é gratificante e traz uma sensação de calma, ir fazendo cada ponto devagar e ir vendo o resultado saindo”, conta.
Marília Costa
Assistente administrativa

Marília compara o exercício com outros desafios da vida. “Quando vamos fazer algo, iniciar um projeto ou um sonho, passamos por todas essas situações e, com calma e dedicação, tudo dá certo no final. Pode não sair perfeito de primeira, mas com treino e dedicação vai ficar bonito”, acredita.

Legenda: Oficina de tricô de dedos
Foto: Thay Reis

Em diálogo com a aluna, Maria defende que nas artes manuais tudo pode ser aprendido, criado e transformado.

“Às vezes é trabalhoso, mas não é difícil. Às vezes é um pouco difícil, mas não é impossível. O ‘fácil’ e o ‘difícil’ depende da constituição e experiência de cada um. O processo é sempre mais importante do que o resultado.  Mas conseguir finalizar uma peça bem bonita e harmoniosa também faz muito bem pros olhos - e pra alma!”, finaliza.

Serviço

Loja Amore Fio, de Giovanna Murinelli
Instagram: @amorefio 
WhatsApp (85)98793-0943

Arlene Santos Crochê
Instagram: @arlenysantos_crochê
WhatsApp: (85) 9 8930-3732

Pé de Pano Escola de Artes e Trabalhos Manuais

Cursos disponíveis:

* Bordado Livre 
* Costura Manual - Geometria Sagrada 
* Costura Criativa à Máquina 
* Tricô de Dedos e de Agulhas
* Crochê para iniciantes

Os cursos são oferecidos para pessoas à partir de 7 anos e  acontecem de forma virtual e/ou presencial. Individual ou em grupo. A escola é itinerante. Para fechar uma turma, entrar em contato pelo WhatsApp (85)981804566 ou pelo Instagram @pedepano.escola