Roubo cometido por 'Marcola' no Ceará tem um ano para prescrever

Preso, líder máximo do PCC é acusado de participar do roubo de R$ 1,4 milhão de uma empresa de valores, em Caucaia, no ano 2000. Um comparsa dele no crime deve entrar na lista dos mais procurados da Interpol

Legenda: Marcola já foi descrito como o chefe mais poderoso do PCC
Foto: Estadão Conteúdo

Um processo criminal por roubo milionário a uma empresa de valores, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), segue em tramitação na 3ª Vara Criminal da Comarca de Caucaia, da Justiça Estadual, mais de 20 anos após o crime. Dentre os 20 réus está Marcos William Herbas Camacho, o 'Marcola' - líder máximo da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) - que tem apenas mais um ano para ser julgado pelo caso.

A legislação brasileira prevê a prescrição do crime em 20 anos, contados a partir do dia do recebimento da denúncia pela Justiça, se não houver sentença. Assim, 'Marcola' e os comparsas que ainda não foram julgados poderiam ficar impunes pelo roubo já em abril deste ano. No entanto, o juiz interrompeu o prazo prescricional por conta dos acusados, que estavam foragidos. O prazo começou a contar apenas quando Herbas foi localizado, em novembro de 2001. Ou seja, a Justiça tem até novembro de 2021 para julgá-lo.

'Marcola' está preso na Penitenciária Federal de Brasília. Além dele, ainda não foram julgados pelo roubo em Caucaia os réus Francisco de Assis Barroso Braga, Josimar de Assis, Paulina Irala, Fábio Augusto Nogueira Fitze, Iris Ferreira de Araújo e Djalma Enio Toshiaki Suwaki.

Enquanto Sebastião Nunes Siqueira, Francisco Felipe do Nascimento, Wellyngton Gabriel de Sousa, Reinaldo Teixeira Campos, Uel Leite de Souza, Maurício Alves Ribeiro, Normando Moreira Silva, José Wilton Cosmo Alves, Aiderval Barbosa Carvalho, Giulliano Veiga Ferreira e Sílvio Carvalho Junqueira foram condenados à prisão em primeira instância. Já Ionete Ferreira de Oliveira foi absolvida pela Justiça.

O processo chegou a ter um conflito negativo de competência. A 3ª Vara Criminal de Caucaia enviou os autos para a Vara de Delitos de Organizações Criminosas - que trata de crimes que envolvem organizações criminosas - em 1º de agosto de 2019. Mas esta entendeu que também não era de sua competência e devolveu à Vara de origem, no dia 23 daquele mês, porque a lei que tipifica organização criminosa é de 2013, após o roubo. Questionado sobre a demora no julgamento do líder máximo do PCC, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) não se manifestou até o fechamento desta matéria.

Crime

O grupo é acusado de roubar cerca de R$ 1,4 milhão da sede da Nordeste Segurança de Valores (NSV), localizada em Caucaia, na manhã de 18 de fevereiro de 2000. Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o crime foi planejado, a começar pela aproximação de Djalma Enio da irmã do supervisor de segurança da empresa, José Wilton, que aceitou participar do roubo por R$ 35 mil.

A quadrilha conseguiu a senha de acesso ao cofre e alugou imóveis no entorno da empresa para estudar a rotina do local. Para garantir o transporte e a segurança do grupo, foram roubados carros e executada uma série de sequestros contra familiares de funcionários da NSV . Um deles foi rendido e foi utilizado pelo bando para que os portões da empresa fossem abertos.

Os criminosos utilizaram armamento pesado, como metralhadoras, fuzis e granadas. Conforme a investigação, 'Marcola' foi um dos homens que entraram na Nordeste Segurança. Em posse do dinheiro, o bando fugiu para Sobral, na Região Norte, onde um avião e um piloto aguardavam para saírem do Estado.

Aquela foi a segunda ação ousada de roubo do PCC no Ceará. Antes, em 1999, a facção teria levado R$ 6,3 milhões da empresa Corpvs Segurança. Os dois crimes serviram de aprendizado para a facção colocar em prática o maior furto da história do País à época, ao tirar R$ 164 milhões do Banco Central, em Fortaleza, em 2005, sem ninguém ser notado. Nos anos seguintes, crimes semelhantes foram registrados em outros estados e atribuídos à mesma organização criminosa.

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