Preso suspeito de integrar quadrilha que movimentou R$ 48 milhões em fraudes bancárias

Suspeito estava em prisão domiciliar em Itapipoca

Coletiva com delegados ligados à Polícia Civil e titular da SSPDS, Sandro Caron
Legenda: Detalhes da prisão, ocorrida na segunda fase da operação "Fragmentado", foram divulgados em coletiva
Foto: reprodução

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) prendeu, nessa quinta-feira (6), em Itapipoca, suspeito de integrar quadrilha especializada em fraudes bancárias, cujo prejuízo chega a R$ 48 milhões. As informações foram divulgadas em coletiva realizada no fim da manhã desta sexta (7).

Identificado como Luís Teixeira de Sousa, 45 anos, vulgo "Pinto", o suspeito já tinha sido condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa. No entanto, conforme o delegado Ismael Araújo, titular da Delegacia de Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro (DCCLD), Luís contraiu Covid-19 no presídio que estava e, em razão disso, foi para prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Embora estivesse nessa condição, Luís Teixeira deu continuidade à prática ilícita no município itapipoquense e em arredores, abrindo outras contas fraudulentas. Ele não resistiu à prisão.

Outros detalhes da operação

De acordo com o titular da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Sandro Caron, a investigação chegou a detectar cerca de 11,8 mil contas bancárias fraudadas. O titular da DCCLD, por sua vez, pontuou que esse número é relativo ao apurado até 20 dias atrás — a quantidade, atualmente, pode ser maior.

A operação também cumpriu três mandados de busca e apreensão, além de um de sequestro de bens. O último mandado ocasionou o sequestro de um posto de combustível chamado Galo de Ouro, uma fazenda e um veículo modelo Toyota Hilux. Foram apreendidos, também, arquivos documentos falsificados, cartões de crédito e maquinetas.

Ainda conforme Ismael Araújo, o suspeito será indiciado por associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro, a qual era realizada por meio do posto de gasolina. O delegado apontou que Luís fazia depósitos na conta da pessoa jurídica do posto. O estabelecimento era de propriedade dele, mas foi registrado, na época de sua fundação em nome do irmão do preso — um agricultor que seria uma "pessoa muito simples", segundo o titular da DCCLD.

Primeira fase

A primeira fase da operação Fragmentado, ocorrida em 23 de março, cumpriu 81 mandados judiciais de prisão preventiva, busca e apreensão, e sequestro de bens. Na ação, foram apreendidas seis armas de fogo, joias, centenas de cartões bancários, 11 carros de luxo, uma motocicleta, 23 imóveis e mais de R$ 50 mil. Houve, também, bloqueio de contas bancárias dos alvos da ofensiva.

Àquela época, a investigação policial detectara movimentação de R$ 35 milhões pelo grupo, que não agia de forma hierárquica — Ismael Araújo, nesta sexta, destacou, inclusive, que o quadro não sugere apenas uma quadrilha, mas uma série delas, as quais atuam de forma "mais ou menos autônoma".

Anteriormente, a Polícia obteve, a partir de um dos alvos, três planilhas com dados de mais de 2,2 milhões de servidores públicos federais, com dados como CPF e empréstimos.

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