Ex-secretário de estado do Ceará é alvo de operação da PF que investiga crimes de corrupção

Operação Onzenário também apura suposta lavagem de dinheiro entre 2008 e 2014.

Legenda: Operação Onzenário investigou fluxo intenso de capitais obtidos de forma criminosa em prejuízo dos servidores públicos estaduais
Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal cumpre, na manhã desta quinta-feira (3), quatro mandados de prisão temporária e outros 26 mandados de busca e apreensão nos estados do Ceará, São Paulo e Bahia e bloqueou valores em contas dos investigados. Conforme a PF, o suposto esquema tinha como alvos servidores públicos, através de operações irregulares de crédito consignado entre 2008 e 2014.

(Atualização: Inicialmente, a PF informou que um dos investigados era genro do ex-secretário. No entanto, durante entrevista coletiva, a polícia corrigiu a informações e apontou que ele é ex-genro do ex-gestor da Casa Civil. A informação foi atualizada às 11h40).

De acordo com a Polícia Federal, os indícios apontam suposta participação de um ex-secretário de Estado da Casa Civil do Estado do Ceará, à época dos fatos em apuração. Conforme o período citado pela PF, o ex-secretário trata-se de Arialdo Pinho, no Governo Cid Gomes (2007-2015) e atual Secretário de Turismo do Governo Camilo Santana.

Arialdo Pinho também depoimento na PF sobre os fatos investigados. Entretanto, a defesa do secretário ainda não teve acesso ao Inquérito Policial. "O depoimento ficou bastante prejudicado e o nosso trabalho, também. Porque não há maiores informações. Aguardamos autorização para o acesso. Há um desejo de esclarecer imediatamente, mas sem ter acesso aos autos da investigação fica impossível", indica o advogado Ernando Sobrinho.

R$ 600 milhões

Há também supostos indícios de atuação do ex-genro desse ex-secretário, à época, gestor de uma das empresas que movimentou mais de R$ 600 milhões nas operações de crédito sob investigação, conforme a PF. Contra ele também há um mandado de prisão. A PF não divulgou os nomes de todos os investigados.

"A Operação Onzenário investigou fluxo intenso de capitais obtidos de forma criminosa em prejuízo dos servidores públicos estaduais, através de investimentos, aquisições imobiliárias e simulação de aquisição de cotas de sociedade empresarial, em engenhoso esquema de corrupção e lavagem de dinheiro", disse a Polícia Federal, em nota.

Ainda conforme a PF, os crimes investigados "são de associação criminosa, corrupção, fraude em licitação, crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, culminando em enriquecimento ilícito dos investigados, que são servidores públicos, ex-gestores de instituições financeiras e empresários, em detrimento do sistema financeiro nacional e dos servidores públicos estaduais do Estado do Ceará obrigados a arcar com juros mais elevados em operações de crédito".    

Crimes entre 2008 e 2014

Os mandados foram deferidos pela Justiça Federal, decorrente de investigação em inquérito policial que apura os supostos crimes, que teriam ocorrido entre os anos de 2008 e 2014, segundo a PF, em indícios de conluio entre agentes públicos estaduais, ex-gestores de instituições financeiras e empresários que atuaram no direcionamento ilícito de operações de crédito consignadas em folha dos servidores do governo do Estado do Ceará. 

A Polícia Federal continua a investigação, com análise do material apreendido na operação, com o fim de detalhar a atuação de cada investigado e aprofundamento das investigações em curso. O nome da operação remete a agiotagem ou cobrança extorsiva de juros.

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