Cabo Sabino é expulso da Polícia Militar do Ceará por liderar motim

A reportagem apurou que além de Sabino outro policial militar foi expulso pela Controladoria de Disciplina

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.campelo@svm.com.br

Segurança
cabo sabino 18 bpm
Legenda: Cabo Sabino foi visto diariamente 18º BPM, epicentro do motim em 2020
Foto: José Leomar

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Ceará (CGD) expulsou o policial militar Flávio Alves Sabino, o Cabo Sabino. A reportagem apurou que a decisão foi assinada pelo controlador Rodrigo Bona Carneiro e é decorrente da participação do ex-deputado federal no último motim promovido por centenas de PMs, em fevereiro de 2020.

A decisão foi divulgada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (2). "Sabino liderou um grupo de policiais que se concentraram no 18º Batalhão de Polícia Militar, no bairro Antônio Bezerra. Além disso, conforme pontuado pelo Ministério Público Militar na denúncia, por decorrência do motim houve um aumento de 178% de crimes violentos letais e intencionais", fundamenta a denúncia do MPCE. 

Em outubro deste ano aconteceu audiência do processo administrativo, a qual o cabo não compareceu e foi representado pela defesa. Na época, Sabino se antecipou à decisão da CGD e publicou nas suas redes sociais que já tinha sido expulso da PMCE após 29 anos de serviço.

Publicação feita por Cabo Sabino no Instagram, na noite da última terça-feira (26)
Legenda: Publicação feita por Cabo Sabino no Instagram, na noite da última terça-feira (26)
Foto: Reprodução/ Instagram


Também foi expulso o cabo da PMCE Kenneth Almeida Belo. Agora, já são pelo menos cinco PMs expulsos, além dos que tiveram aplicadas sanções de demissões por participar do motim no Ceará, no ano passado.

"Outros 351 policiais identificados por participação continuam respondendo a processos administrativos disciplinares, estando estes em fase de instrução processual. Além disso, existem investigações em curso, que podem resultar em novos processos disciplinares", disse a CGD

cabo sabino
Foto: José Leomar

 

DENUNCIADO

Flávio Alves Sabino também réu na Justiça Estadual pelos crimes de incitamento, aliciamento para motim ou revolta, motim, revolta, omissão de lealdade militar, publicação ou crítica indevida e inobservância de lei, regulamento ou instrução - todos previstos no Código Penal Militar (CPM). Somadas as penas, ele pode ser condenado a até 42 anos de prisão.

A denúncia, elaborada pela Promotoria de Justiça Militar e Controle Externo da Atividade Policial Militar, foi aceita pela Auditoria Militar da Justiça Estadual, no dia 16 de março de 2020. Segundo o documento, Cabo Sabino foi o principal "cabeça" do movimento e, já no dia 13 de fevereiro daquele ano, através de um vídeo publicado no Facebook, instigou e conclamou os PMs a participarem da paralisação.

 

cabo sabino
Foto: JL Rosa


FRASES POLÊMICAS DITAS POR SABINO:

  • "Quem quer parar a tropa não chama para a Assembleia, porque Polícia não para no meio da rua, Polícia para em quartel"

  • "Tem que chamar para um local pronto e deliberar, e se a tropa não aceitar a proposta e vai parar, para".

  • "Meus irmãos, amanhã se vocês forem se apresentar vocês vão trair o movimento. É traição mesmo. Meu amigo, falta de serviço não é crime"

 

No dia do início do motim, 18 de fevereiro, Cabo Sabino e mulheres que se intitulavam "esposas de militares" se dirigiram para o 18º Batalhão de Polícia Militar (Antônio Bezerra), onde fecharam a entrada do prédio e iniciaram uma manifestação, com adesão dos PMs, de acordo com o MPCE. Viaturas e motocicletas policiais começaram a ter os pneus esvaziados, para não circularem. O movimento, então, se espalhara por pelo menos 13 batalhões da Capital e do interior.

ABSOLVIDOS

Há pouco mais de um mês, o Diário do Nordeste noticiou que a  Vara da Auditoria Militar, da Justiça Estadual já havia absolvido 135 militares acusados de participar do motim de fevereiro de 2020, segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). 

O número representa 22,6% do total de agentes de segurança denunciados por crimes militares no movimento, que é de 597, de acordo com a Promotoria Militar. Os processos contra os outros militares permanecem em andamento.