Surf muda a vida de jovens da Caponga

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A partir do exemplo de um campeão local, crianças e jovens têm acesso a esporte, reforço escolar e ações em saúde

Cascavel. Mais de 100 crianças da comunidade da Praia da Caponga comemoram o primeiro aniversário do Projeto Surf na Escola, que vem transformando a vida de cada uma delas. Um sonho antigo de três surfistas, os irmãos Farney, que vira realidade. Eles dirigem a Associação de Surf Praia da Caponga (ASPC) que, com apoio da Prefeitura de Cascavel, consolida este trabalho social.

Estudantes entre 7 e 17 anos de escolas municipais, estaduais e particulares da Praia da Caponga são os principais beneficiados com a ação. Eles se ocupam durante todo o dia, das segundas às sextas-feiras.

"Quem estuda de manhã vem para a Associação à tarde e vice-versa. Assim, eles passam o tempo inteiro, com exceção da noite, realizando atividades. Um dos objetivos é afastá-los da ociosidade", destaca o presidente da entidade, Mário Farney.

Além de ensinar os segredos do esporte, a instituição oferece reforço escolar nas matérias em que há mais dificuldade de aprendizado. Aulas de violão e flauta são outras atividades da programação semanal da ASPC.

Na área da saúde, existem cuidados com a aparência e higiene pessoal, corte de cabelo, nutrição, condicionamento físico, atendimento médico e odontológico, por meio de encaminhamento para os postos de saúde da Prefeitura.

Também são realizadas palestras de orientação educacional sobre temas ligados ao cotidiano juvenil, como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), dependência química, preservação ambiental e gravidez na adolescência. As ações são divididas de acordo com a faixa etária dos participantes.

"Para as crianças menores, nós procuramos estimular a criatividade, com pintura, argila, desenhos, entres outras tarefas lúdicas", acrescenta o presidente Mário Farney.

Fazer diferença

Ele não esconde a vontade de ampliar o poder de alcance do Surf na Escola. "Ao todo, entre meninos e meninas, são 108 beneficiados. Gostaríamos de atender mais gente, mas não temos como, por enquanto. Há uma fila de mais de 100 crianças da região querendo entrar. Quem está dentro só sai se quiser e se os pais concordarem".

Conforme o irmão, o vice-presidente da Associação, Marcos Farney, a intenção do trabalho é mostrar para a juventude local que eles são capazes de vislumbrar um futuro brilhante, apesar das condições financeiras adversas em que vivem.

"Hoje, tenho um apoio melhor na escola. Meus pais não sabem ler nem escrever, aí eu tinha muita dificuldade de aprender. Agora, eu compreendo melhor os deveres da escola. É como se fosse minha segunda casa, me sinto muito bem aqui", diz Renata Borges, de 13 anos.

Os primeiros resultados já estão surgindo. "Os pais, professores e diretores dizem que isso foi a melhor coisa que aconteceu. A gente se impressiona com a mudança de comportamento no colégio e em casa. Eles estão mais dedicados e disciplinados, tirando notas melhores", comenta o vice-presidente da ASPC, ressaltando que há um acompanhamento do rendimento escolar junto com as escolas.

"O projeto veio para apoiar as escolas e incentivar os alunos na melhoria da aprendizagem. Com um ano de trabalho, já notamos uma melhoria significativa tanto no comportamento e na aprendizagem de cada aluno", destaca a diretora da Escola de Ensino Fundamental Fransquinho Camilo, professora Selma Queiroz.

O irmão famoso, o caçula Márcio Farney, é um exemplo para os jovens iniciantes do projeto. Das ondas da Caponga, ele saiu mundo afora para conquistar reconhecimento no esporte, viajando por todo o Brasil. Campeão em várias modalidades, ele, atualmente, é o quarto do ranking da principal categoria profissional do Brasil.

Exemplo

Apesar de residir em Florianópolis (SC), uma vez por ano, ele volta a Cascavel para rever os parentes e falar de sua história de superação para os novos praticantes. Um estímulo e tanto para quem pensa em ganhar a vida fazendo manobras. "Minha vida toda queria ter tido um apoio assim, o cuidado e o carinho com que são tratados cada aluno do projeto", revela Márcio, um exemplo para a garotada da Praia da Caponga.

"Já estou competindo no circuito cearense amador com este apoio dado aqui no projeto, que está me preparando no início da minha carreira", coloca Douglas Alves, de 17 anos, estudante e admirador do ídolo.

O apoio para o projeto é feito por meio da Prefeitura, que cobre os custos com profissionais e materiais, que vão desde as pranchas ao lanche. Tudo é repassado por uma verba municipal. Além disso, a parceria também leva o Projeto Arca das Letras, onde as crianças e adolescentes podem ter acesso a mais de 200 livros.

Ilo Santiago JR.
Repórter