Sertanejos têm devoção pelo forró
“Quando eu morrer, minha sanfona vai junto. É um vício. Sou quase analfabeto e o que aprendi foi dirigir caminhão e tocar sanfona”. Com estas palavras, Negão do Norte, 49 anos, registrado com o nome de Raimundo Antônio de Souza, mostra uma verdadeira devoção pelo instrumento musical. Nas apresentações, gosta de tocar Luiz Gonzaga e Dominguinhos, mas seu repertório é bem variado. Ele também é compositor e cantor. No ano de 2002 lançou um CD com três trabalhos de sua autoria: o xote Pedaço de Sedução, Forró Moleque e Lourdes, em homenagem à sua esposa.
Negão do Norte se apresenta com o grupo Forró Moleque em churrascarias, em eventos festivos como aniversários e casamentos, quadrilhas nos colégios, com muita descontração e forró.
Com 12 anos de idade, ele ganhou uma sanfona de presente do pai Sebastião da Pedreira. Começou a tocar em aniversários e ‘bailes de latada’. Ficou conhecido como Negão Tuico. Em 1986, entrou no ramo profissionalmente e ficou conhecido como Negão do Norte. “Meu pai nunca aprendeu a tocar sanfona, tocava ruim, mas me ensinou os primeiros acordes. Tinha também um tio que tocava sanfona. Com esta influência familiar, fiquei um sanfoneiro conhecido e muito procurado. Criei minha família, quatro filhos, tocando nas festas. Já rodei uma aba do Brasil, o Maranhão, Pernambuco, Piauí e todo o Ceará”, destaca Negão. “Depois de tanto furdunço tem fim de semana que vou para o sertão somente para descansar”, conta.
Ele nasceu e mora até hoje no Bairro Sumaré, em Sobral. Afirma que o faturamento na sanfona é ruim. “Falta maior apoio, patrocínio, por parte da Prefeitura e dos comerciantes”. O cachê do grupo é de R$ 200,00 a R$ 300,00, por quatro horas de forró. Tem outras atividades como motorista da Prefeitura de Sobral, com um salário de R$ 500,00 mensais. “Sustentar a família só tocando sanfona, a gente passa necessidade. A Prefeitura não valoriza os artistas da terra. Hoje os sanfoneiros de Sobral são poucos - Mazenir, Manoel Chapéu de Couro, Simões Carolino, Nilsinho e Rosinha do Acodeom”.
Negão do Norte já passou por várias bandas. Em 1989, tocou sozinho em Santarém. Tem um filho baterista. Por um momento perde o sorriso e fala com saudade da filha Sandrina, que era vocalista de seu grupo Forró Moleque, e faleceu há sete meses aos 17 anos. “Onde estou sempre lembro muito da Sandrina, que tinha uma voz linda, fiz uma música para ela e sempre fico muito emocionado”.
F. Edilson Silva
sucursal Sobral