Reportagem viaja nas memórias do Rio Jaguaribe
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Redação
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Em dois cadernos especiais, matéria retratou memória e saudade dos povos ribeirinhos
Fortaleza. Investigação histórica dos últimos quatro séculos e a narrativa atual de histórias das comunidades ribeirinhas foram os principais destaques da série "Jaguaribe, Memórias das Águas", publicada em dois cadernos especiais nos dias 20 e 22 de novembro no Diário do Nordeste. A reportagem foi elogiada nos meios acadêmico, literário, ambiental e por moradores de municípios por onde passa o rio.
Garoto na comunidade de Barrinha, em Saboeiro. O Jaguaribe é um dos espaços mais relevantes para compreensão da história do Ceará desde a colonização. Compõe real e imaginário de quem nasceu e viveu em suas margens FOTO: BRUNO GOMES
O repórter Melquíades Júnior e o repórter fotográfico Bruno Gomes viajaram por 10 dias da nascente do rio, a serra da Joaninha, em Tauá, até a foz, entre os municípios de Aracati e Fortim.
Em 12 páginas, o especial abordou diversos temas que envolvem o rio maior e mais importante do Estado. Desde a apropriação ilegal do seu leito por fazendeiros à metáfora do rio na poesia de quem nasceu e criou-se próximo às suas margens. A matéria ainda trouxe a Guerra dos Bárbaros, a maior revolta organizada indígena contra as forças coloniais no Nordeste, entre os séculos XVIII e XIX.
"A intenção foi revisitar o rio a partir dos seus contextos históricos e, dessa forma, falar da importância desse grande manancial. Revisitar porque diversas vezes já escrevi matérias sobre o Jaguaribe, eu mesmo me sinto um "menino do rio", pois nasci e me criei em Limoeiro do Norte. O conhecimento empírico da vida em suas margens me ajudou no encontro com as pessoas dos diversos municípios porque passa o rio, afirma o repórter Melquíades Júnior.
O título da série "Memórias..." foi baseada na obra Jaguaribe - Memória das Águas", livro de poemas escrito há 31 anos pelo professor e poeta Luciano Maia, natural de Limoeiro do Norte. Em 70 poemas, Luciano retratou o rio de sua infância e dos sertanejos que dele viviam. Nas três décadas, foram sete edições, inclusive, em outros idiomas. "O material ficou muito bom, o texto muito bem escrito", afirmou o poeta, assim que saiu o primeiro caderno especial, na última quarta-feira.
Capítulos
Com o título "Além das cercas", a primeira edição trouxe os capítulos "Os donos do rio e outras cercas"; "Guerra dos Bárbaros e outras guerras", "Jaguaribe criminoso", "Do tempo em que havia onça" e "Meninos do rio".
"Outras margens", caderno publicado ontem, trouxe os capítulos "Um mundo de água, outro de saudade"; "Memória das águas"; "A dádiva da caatinga nos carnaubais"; "Um rio que voa", e também "A terceira margem do rio".
A editora de reportagem especial, Maristela Crispim, destacou a abordagem diferenciada. "A grande relevância do material é tratar o Jaguaribe não apenas do ponto de vista geográfico, já abordado por muita gente, mas do sentimento, do envolvimento das pessoas com ele, da importância dele na vida das pessoas, e até mesmo de como tudo isso foi retratado ao longo da história pela poesia, pela música, nos livros".
Para a editora, esse tipo de resgate é importante para "o reconhecimento da importância e da valorização desse patrimônio geográfico e cultural".
Uma das novidades na expedição pelo Jaguaribe foi o mergulho nas águas do açude Castanhão, onde estão submersas as casas da velha Jaguaribara. A viagem foi realizada em parceria com a equipe de mergulhadores do Mar do Ceará.
"O cearense é um povo de memória curta. Nossas raízes e nossos costumes são relações que muitas vezes não entendemos, mas estão presentes em nossa memória inconsciente. Cabe a alguns poucos resgatar essas origens e nos fazer entender um pouco mais sobre nós mesmos. Nossa equipe se aliou ao Melquíades em busca das casas submersas para mostrar ao seu povo que suas próprias casas, ainda que submersas, resistem sob as águas da barragem e que sua história não foi apagada. Essa reportagem é um resgate das origens de um povo", afirma Marcus Davis, do grupo de mergulho Mar do Ceará.
"Excelente reportagem!Vale a pena ler, pois demonstra a importância do para a minha cidade e o Estado, o contexto histórico dos povos indígenas e colonizadores. Vou guarda essa", afirma o contabilista Paulo Campelo, de Jaguaribe.
A série "Jaguaribe - Memória das Águas" ainda teve um webdocumentário, gravado com um celular durante os encontros com os ribeirinhos que pode ser visualizado no site da TV DN. O Diário Plus, versão para Ipad, também tem matérias exclusivas com galeria de imagens da viagem pelo rio Jaguaribe.
Mérito
"O material tem um ótimo texto, fiquei surpreso e grato pela lembrança da memória das águas"
Luciano maia
Membro da Academia Cearense de Letras
"É uma verdadeira imersão no passado para compreensão do presente, dando fala aos sujeitos em seus espaços"
Anna érika ferreira lima
Geógrafa e professora do IFCE
Fortaleza. Investigação histórica dos últimos quatro séculos e a narrativa atual de histórias das comunidades ribeirinhas foram os principais destaques da série "Jaguaribe, Memórias das Águas", publicada em dois cadernos especiais nos dias 20 e 22 de novembro no Diário do Nordeste. A reportagem foi elogiada nos meios acadêmico, literário, ambiental e por moradores de municípios por onde passa o rio.
Garoto na comunidade de Barrinha, em Saboeiro. O Jaguaribe é um dos espaços mais relevantes para compreensão da história do Ceará desde a colonização. Compõe real e imaginário de quem nasceu e viveu em suas margens FOTO: BRUNO GOMES
O repórter Melquíades Júnior e o repórter fotográfico Bruno Gomes viajaram por 10 dias da nascente do rio, a serra da Joaninha, em Tauá, até a foz, entre os municípios de Aracati e Fortim.
Em 12 páginas, o especial abordou diversos temas que envolvem o rio maior e mais importante do Estado. Desde a apropriação ilegal do seu leito por fazendeiros à metáfora do rio na poesia de quem nasceu e criou-se próximo às suas margens. A matéria ainda trouxe a Guerra dos Bárbaros, a maior revolta organizada indígena contra as forças coloniais no Nordeste, entre os séculos XVIII e XIX.
"A intenção foi revisitar o rio a partir dos seus contextos históricos e, dessa forma, falar da importância desse grande manancial. Revisitar porque diversas vezes já escrevi matérias sobre o Jaguaribe, eu mesmo me sinto um "menino do rio", pois nasci e me criei em Limoeiro do Norte. O conhecimento empírico da vida em suas margens me ajudou no encontro com as pessoas dos diversos municípios porque passa o rio, afirma o repórter Melquíades Júnior.
O título da série "Memórias..." foi baseada na obra Jaguaribe - Memória das Águas", livro de poemas escrito há 31 anos pelo professor e poeta Luciano Maia, natural de Limoeiro do Norte. Em 70 poemas, Luciano retratou o rio de sua infância e dos sertanejos que dele viviam. Nas três décadas, foram sete edições, inclusive, em outros idiomas. "O material ficou muito bom, o texto muito bem escrito", afirmou o poeta, assim que saiu o primeiro caderno especial, na última quarta-feira.
Capítulos
Com o título "Além das cercas", a primeira edição trouxe os capítulos "Os donos do rio e outras cercas"; "Guerra dos Bárbaros e outras guerras", "Jaguaribe criminoso", "Do tempo em que havia onça" e "Meninos do rio".
"Outras margens", caderno publicado ontem, trouxe os capítulos "Um mundo de água, outro de saudade"; "Memória das águas"; "A dádiva da caatinga nos carnaubais"; "Um rio que voa", e também "A terceira margem do rio".
A editora de reportagem especial, Maristela Crispim, destacou a abordagem diferenciada. "A grande relevância do material é tratar o Jaguaribe não apenas do ponto de vista geográfico, já abordado por muita gente, mas do sentimento, do envolvimento das pessoas com ele, da importância dele na vida das pessoas, e até mesmo de como tudo isso foi retratado ao longo da história pela poesia, pela música, nos livros".
Para a editora, esse tipo de resgate é importante para "o reconhecimento da importância e da valorização desse patrimônio geográfico e cultural".
Uma das novidades na expedição pelo Jaguaribe foi o mergulho nas águas do açude Castanhão, onde estão submersas as casas da velha Jaguaribara. A viagem foi realizada em parceria com a equipe de mergulhadores do Mar do Ceará.
"O cearense é um povo de memória curta. Nossas raízes e nossos costumes são relações que muitas vezes não entendemos, mas estão presentes em nossa memória inconsciente. Cabe a alguns poucos resgatar essas origens e nos fazer entender um pouco mais sobre nós mesmos. Nossa equipe se aliou ao Melquíades em busca das casas submersas para mostrar ao seu povo que suas próprias casas, ainda que submersas, resistem sob as águas da barragem e que sua história não foi apagada. Essa reportagem é um resgate das origens de um povo", afirma Marcus Davis, do grupo de mergulho Mar do Ceará.
"Excelente reportagem!Vale a pena ler, pois demonstra a importância do para a minha cidade e o Estado, o contexto histórico dos povos indígenas e colonizadores. Vou guarda essa", afirma o contabilista Paulo Campelo, de Jaguaribe.
A série "Jaguaribe - Memória das Águas" ainda teve um webdocumentário, gravado com um celular durante os encontros com os ribeirinhos que pode ser visualizado no site da TV DN. O Diário Plus, versão para Ipad, também tem matérias exclusivas com galeria de imagens da viagem pelo rio Jaguaribe.
Mérito
"O material tem um ótimo texto, fiquei surpreso e grato pela lembrança da memória das águas"
Luciano maia
Membro da Academia Cearense de Letras
"É uma verdadeira imersão no passado para compreensão do presente, dando fala aos sujeitos em seus espaços"
Anna érika ferreira lima
Geógrafa e professora do IFCE