Piloto carioca de parapente disse que acidente na Ibiapaba foi um fato normal

O esporte de voo livre é considerado uma prática de risco e Rodolfo Pascoal saiu ileso ao cair numa tentativa de pouso em rampa de 600m de altura

São Benedito
Legenda: A guarnição socorrista usou lanternas, cabos de rapel, maca e cordas no resgate do praticante de voo livre
Foto: Arquivo pessoal

O desportista carioca de voo livre nas modalidades asa delta e parapente, Rodolfo Pascoal Ladeira, 38 anos, que sofreu um acidente no fim da tarde desta quarta-feira (25), em São Benedito, na Serra da Ibiapaba, no Ceará, está bem e se recupera do susto na casa de parentes.

Por telefone, Rodolfo Pascoal disse apenas que “o acidente foi uma coisa normal do esporte e que houve um desgaste no equipamento”. Ele disse estar bem fisicamente e psicologicamente, mas não entrou em detalhes.

De acordo com colegas esportistas cearenses, Rodolfo veio do Rio de Janeiro para participar da competição esportiva ‘X Ceará’, que reúne pilotos brasileiros de asa delta e parapente, em Quixadá, no Sertão Central, para o desafio de voo direto até o Maranhão, em uma distância de 400km.

De acordo com o amigo, Carlos Víctor Rodrigues, 33 anos, autônomo, praticante de voo livre em São Benedito, que conversou com Rodolfo Pascoal após o resgate, o piloto fez anteriormente um deslocamento para rever parentes na cidade serrana.

Carlos Víctor contou que, no fim da tarde desta quarta-feira (25), Rodolfo decolou para um passeio e fez um voo tranquilo, mas na hora da chegada, ao tentar pousar na rampa, “o equipamento sofreu um desgaste, mas ele controlou e conseguiu cair como se estivesse em paraquedas de uma altura de 50 metros, sobre árvores”.

Rodolfo Pascoal não sofreu ferimentos e aguardou a chegada do resgaste. “De um lado e de outro havia paredões da serra e como ele não conhecia a região, ficou esperando o salvamento”, detalhou Carlos Víctor, que avalia que o acidente não “trouxe risco de morte” e que o piloto “não usou o equipamento reserva porque não tinha altura”.

A rampa de voo livre em São Bendito fica a uma altitude de 900 metros em relação ao nível do mar. Da encosta do paredão em relação ao solo há uma altura de 600 metros.

Para o comandante do Corpo de Bombeiros, em Sobral, major Mardens Vasconcelos, o piloto que sofreu o acidente “nasceu de novo” e considera que “foi um milagre ele só ter sofrido arranhões leves”.  Rodolfo Pascoal conseguiu voltar caminhando, após ser atendido no local por uma enfermeira do Samu.

Resgate

O resgate foi feito por uma guarnição de cinco homens do Corpo de Bombeiros de Sobral. A ação de socorro durou cerca de três horas. A região é de mata fechada, topografia acidentada e pouca visibilidade, piorada por causa do horário.

A equipe de Bombeiros contou com a ajuda de agricultores da localidade, que localizaram o esportista. Policiais militares e uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estavam no local. A guarnição socorrista usou lanternas, cabos de rapel, maca e cordas no resgate do praticante de voo livre.

O empresário Paulo Sérgio Oliveira, fazia caminhada com um grupo de amigos no fim da tarde desta quarta-feira, em São Benedito, quando ouviu o relato desesperado de um homem em uma camioneta que parou em uma casa pedindo ajuda. “Resolvemos ligar para o Corpo de Bombeiros e avisar sobre o acidente, pedindo resgate, mas não vimos como foi a queda”, contou. “Pelo que nos contaram depois, foi realmente uma sorte grande, ele ter escapado e ter sofrido só ferimentos leves”.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre as regiões do Ceará