Quixadá debate a diversidade sexual
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Redação
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Quixadá. Três anos após a primeira parada pela diversidade sexual em Quixadá, grupos de LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) voltam a se reunir em Quixadá. Dessa vez, serão quarto dias de atividades. Hoje, às 8 horas, a palestra "Homofobia e sexo seguro", no auditório da Câmara Municipal, abre a Semana LGBT na cidade. Amanhã, haverá blitz na Praça José de Barros. No sábado, uma Manhã de Beleza no Residencial Adamastor, e no domingo, 21, às 20 horas, o desfile de escolha da Miss Gay Quixadá, no Le Gourmet Buffet.
O Grupo Glett de Quixadá volta a mobilizar a cidade com atividades de combate à homofobia, em vista da discriminação ainda ser muito forte, principalmente nas cidades do Interior, onde a inclusão social é mais complicadaFOTO: ALEX PIMENTEL
Segundo os organizadores, a Semana LGBT será realizada pela Secretaria de Esporte Juventude e Participação Popular de Quixadá, com o apoio do Projovem Adolescente e patrocinadores.
Conforme a coordenadora de Políticas Públicas para a Juventude, da Secretaria de Esportes de Quixadá, Camila Santos, a ação tem por objetivo a redução da discriminação contra quem não é heterossexual. A articulação e a realização de atividades públicas são formas de sensibilização contra a homofobia. Apesar de Quixadá ser uma cidade universitária e também turística, o preconceito ainda é muito forte. "Um dos membros de nossa equipe estava fazendo panfletagem, anunciado o concurso Miss Gay, quando alguém rasgou o panfleto e até o xingou. Esse incidente ocorreu dentro da Câmara de Vereadores", completou a coordenadora Camila Santos.
Para a atual miss Gay Quixadá, Fabrício Alves, todos os dias, ele e dezenas de pessoas, com opção sexual assumida, sofrem constrangimentos na cidade. Conquistar a coroa e a faixa de miss acaba se tornando um fardo. Cabe a quem foi eleita no ano anterior trabalhar na promoção do evento do ano seguinte.
Conquistar patrocinadores não é uma tarefa fácil, e se torna ainda mais difícil quando o evento é voltado para um segmento considerado polêmico. "A gente ouve todo tipo de coisa e às vezes até é humilhado, mas se essa foi a minha opção eu ergo a cabeça e continuo a minha luta", desabafa Fabrício Alves.
Ele representa o grupo LGBTT Arrasa Bi e também é um dos organizadores da Semana LGBT. Segundo ele, 15 profissionais estão trabalhando na realização do evento. Cerca de 150 pessoas, incluindo simpatizantes, serão contemplando com cortes de cabelo, manicure e tratamento de beleza na manhã especial. Mas apenas sete candidatas concorrerão ao título de Miss Gay Quixadá 2013.
A vencedora comandará a Parada Gay de Quixadá, prevista para o dia 17 de maio, dia nacional contra a homofobia. "Dessa vez, contando com um número maior colaboradores, a festa será maior", estima.
Apesar do clima de festa, a realidade enfrentada pelo grupo é outra. De acordo com Valdir de Oliveira, soropositivo articulador local da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV Aids (RNP + Brasil), a preocupação com a transmissão da aids continua em Quixadá. Segundo ele, este ano já foram confirmados dois casos, em presidiários. Em 2012, foram diagnosticados 13. Atualmente, são 138 soropositivos identificados no município.
Segundo levantamentos do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual (Cesa) de Quixadá, em 2009 a cidade tinha 87 pacientes soropositivos e outros 38 com o vírus HIV. Na avaliação de Valdir, com mais de 25 anos atuando na prevenção da aids, o grupo de risco caiu para a faixa etária dos 14 aos 24 anos. O articulador da RNP + Brasil respeita e até apoia a realização da Semana LGBT, todavia, critica o exibicionismo de gays assumidos. Muito fantasiados, fazendo "palhaçadas", acabam não sendo respeitados e são ofendidos publicamente. "Com esse comportamento, homofobia e preconceito vão continuar. Como a discriminação ainda é muito forte, sobretudo no Interior, a inclusão social deles é mais complicada. Fica difícil realizar trabalho preventivo com os gays", explica.
Por outro lado, Quixadá é elogiada quanto à assistência a quem está afetado com o HIV. De acordo com o representante da RNP a cidade é referencia no Sertão Central. Quem mora na região não precisa viajar para fazer o exame na Capital. O resultado sai em média com 40 dias. Também há distribuição de medicamentos, do coquetel, e uma equipe multidisciplinar da Secretaria de Saúde do Município, formada por psicólogo, farmacêutico, enfermeira, assistente social e um médico especializado, presta assistência a grupos contaminados. As reuniões ocorrem na última quinta-feira de casa mês.
"Fazer festa mesmo somente quando não surgirem mais casos e surgir uma vacina para a aids. Por enquanto a melhor maneira para não correr riscos é praticar sexo seguro, usando preservativos", completa Valdir.
Mais informações
Secretaria de Esporte Juventude e Participação Popular de Quixadá
Rua José de Queiroz Pessoa S/N, Quixadá
Telefone: (88) 9914.5127
Alex Pimentel
Repórter
O Grupo Glett de Quixadá volta a mobilizar a cidade com atividades de combate à homofobia, em vista da discriminação ainda ser muito forte, principalmente nas cidades do Interior, onde a inclusão social é mais complicadaFOTO: ALEX PIMENTELSegundo os organizadores, a Semana LGBT será realizada pela Secretaria de Esporte Juventude e Participação Popular de Quixadá, com o apoio do Projovem Adolescente e patrocinadores.
Conforme a coordenadora de Políticas Públicas para a Juventude, da Secretaria de Esportes de Quixadá, Camila Santos, a ação tem por objetivo a redução da discriminação contra quem não é heterossexual. A articulação e a realização de atividades públicas são formas de sensibilização contra a homofobia. Apesar de Quixadá ser uma cidade universitária e também turística, o preconceito ainda é muito forte. "Um dos membros de nossa equipe estava fazendo panfletagem, anunciado o concurso Miss Gay, quando alguém rasgou o panfleto e até o xingou. Esse incidente ocorreu dentro da Câmara de Vereadores", completou a coordenadora Camila Santos.
Para a atual miss Gay Quixadá, Fabrício Alves, todos os dias, ele e dezenas de pessoas, com opção sexual assumida, sofrem constrangimentos na cidade. Conquistar a coroa e a faixa de miss acaba se tornando um fardo. Cabe a quem foi eleita no ano anterior trabalhar na promoção do evento do ano seguinte.
Conquistar patrocinadores não é uma tarefa fácil, e se torna ainda mais difícil quando o evento é voltado para um segmento considerado polêmico. "A gente ouve todo tipo de coisa e às vezes até é humilhado, mas se essa foi a minha opção eu ergo a cabeça e continuo a minha luta", desabafa Fabrício Alves.
Ele representa o grupo LGBTT Arrasa Bi e também é um dos organizadores da Semana LGBT. Segundo ele, 15 profissionais estão trabalhando na realização do evento. Cerca de 150 pessoas, incluindo simpatizantes, serão contemplando com cortes de cabelo, manicure e tratamento de beleza na manhã especial. Mas apenas sete candidatas concorrerão ao título de Miss Gay Quixadá 2013.
A vencedora comandará a Parada Gay de Quixadá, prevista para o dia 17 de maio, dia nacional contra a homofobia. "Dessa vez, contando com um número maior colaboradores, a festa será maior", estima.
Apesar do clima de festa, a realidade enfrentada pelo grupo é outra. De acordo com Valdir de Oliveira, soropositivo articulador local da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV Aids (RNP + Brasil), a preocupação com a transmissão da aids continua em Quixadá. Segundo ele, este ano já foram confirmados dois casos, em presidiários. Em 2012, foram diagnosticados 13. Atualmente, são 138 soropositivos identificados no município.
Segundo levantamentos do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual (Cesa) de Quixadá, em 2009 a cidade tinha 87 pacientes soropositivos e outros 38 com o vírus HIV. Na avaliação de Valdir, com mais de 25 anos atuando na prevenção da aids, o grupo de risco caiu para a faixa etária dos 14 aos 24 anos. O articulador da RNP + Brasil respeita e até apoia a realização da Semana LGBT, todavia, critica o exibicionismo de gays assumidos. Muito fantasiados, fazendo "palhaçadas", acabam não sendo respeitados e são ofendidos publicamente. "Com esse comportamento, homofobia e preconceito vão continuar. Como a discriminação ainda é muito forte, sobretudo no Interior, a inclusão social deles é mais complicada. Fica difícil realizar trabalho preventivo com os gays", explica.
Por outro lado, Quixadá é elogiada quanto à assistência a quem está afetado com o HIV. De acordo com o representante da RNP a cidade é referencia no Sertão Central. Quem mora na região não precisa viajar para fazer o exame na Capital. O resultado sai em média com 40 dias. Também há distribuição de medicamentos, do coquetel, e uma equipe multidisciplinar da Secretaria de Saúde do Município, formada por psicólogo, farmacêutico, enfermeira, assistente social e um médico especializado, presta assistência a grupos contaminados. As reuniões ocorrem na última quinta-feira de casa mês.
"Fazer festa mesmo somente quando não surgirem mais casos e surgir uma vacina para a aids. Por enquanto a melhor maneira para não correr riscos é praticar sexo seguro, usando preservativos", completa Valdir.
Mais informações
Secretaria de Esporte Juventude e Participação Popular de Quixadá
Rua José de Queiroz Pessoa S/N, Quixadá
Telefone: (88) 9914.5127
Alex Pimentel
Repórter